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Fazemos um chamado urgente às bases da Aliança de Oposição e das Centrais Operárias para que rompam com suas direções e formem um polo de referência à esquerda e independente para relançar a luta contra a ditadura e suas medidas antipopulares.

Por: Comitê Central do PST – Honduras

Há algumas semanas o coordenador geral do Partido Liberdade e Refundação (LIBRE) convocou uma assembleia extraordinária para o dia 15 de abril com o objetivo de debater o futuro da Aliança de Oposição. O anúncio foi precedido por outra ameaça de Salvador Nasralla de ruptura com este projeto político. Em meio a troca de ofensas suscitada pela notícia à tentativa da cúpula da Aliança de Oposição, o governo avançou com a instalação de uma mesa de diálogo na qual “ingenuamente” participam tanto a representação de Nasralla como o líder da bancada do LIBRE. O que demonstra que os líderes da oposição sempre fingem atacar a ditadura, quando na realidade o que fazem é pactuar e negociar descaradamente com ela.

Este papel colaboracionista e conciliador tem sido a marca que o LIBRE passou para a Aliança de Oposição, e que explica porque a estratégia de reeleição de JOH não foi derrotada.  Por isso, nós, do Partido Socialista dos Trabalhadores, fazemos um chamado às bases da Aliança de Oposição para que rompam com essa direção e venham construir um polo de referência independente ao melismo [corrente encabeçada pelo ex-presidente Manuel Zelaya], que atue na luta contra a ditadura e suas medidas antipopulares. Assim, diante desta Assembleia da Aliança de Oposição e a organização do 1º de maio, nos pronunciamos da seguinte maneira:

  1. É urgente acabar com o oportunismo eleitoral e conciliador da cúpula do LIBRE e da Aliança de Oposição. LIBRE é um partido burguês que surgiu nos marcos de uma luta de resistência. Seu objetivo foi reestabelecer o regime burguês em crise depois do golpe de Estado de 2009. Para conseguir isso, seus dirigentes atuam como mediadores permanentes entre o grande capital e a mobilização popular, levando esta última ao terreno eleitoral, à via morta do parlamento e às mesas de negociações.
  2. Precisamente pelo seu caráter burguês e de contenção do movimento popular é que a Aliança nunca fez uma oposição consequente à estratégia de reeleição de JOH e muito menos contra a escandalosa fraude eleitoral de novembro de 2017. Porque foram as massas, de maneira espontânea e a partir de uma insurreição popular, que encurralaram o regime, golpeando-o gravemente, enquanto os líderes da Aliança festejavam a sua vitória eleitoral, para mais tarde depositar toda sua confiança na Embaixada Americana. Ou seja, a estratégia da Aliança nunca foi a de derrotar a fraude pela via da insurreição popular, mas conseguir uma negociação pactuada para a crise, com a mediação do imperialismo norte-americano e seus organismos.
  3. Não foi menos vergonhoso o papel da burocracia sindical que dirige as Centrais Operárias, principais responsáveis pelos ataques que o governo JOH infligiu ao conjunto da classe trabalhadora e suas conquistas. Durante a insurreição popular de dezembro, esta burocracia sequer emitiu um comunicado de solidariedade com a luta, muito menos convocou ações de repúdio à imposição da fraude eleitoral. O que a cúpula da Aliança e das Centrais operárias fizeram demonstra para o conjunto da classe trabalhadora que aqueles que enchem a boca com discursos de oposição são, na verdade, verdadeiros charlatões que estão a favor da ditadura e do modelo neoliberal.
  4. Nem o melismo nem as burocracias operárias são uma alternativa para os trabalhadores: a alternativa está à esquerda e na organização independente dos trabalhadores e outros setores em luta. O governo de JOH é um governo reacionário inimigo das conquistas da classe trabalhadora e a favor da privatização dos serviços e bens do Estado, do saque e exploração dos recursos naturais. Para enfrentar um governo com essas características, nós, trabalhadores, precisamos de uma organização sólida e de unidade que reconstrua a luta contra a ditadura.
  5. No terreno político, sindical e social, tanto as direções da Aliança de Oposição como as burocracias das Centrais Operárias são inconsequentes com os nobres desejos dos setores populares em acabar com a ditadura. Eles cumprem o papel de garantir a governabilidade no terreno político, da continuidade capitalista e da bancarrota do movimento popular. Por isso é fundamental que as bases desses setores rompam com suas direções e construam um espaço de unidade que retome a luta contra o governo e suas medidas neoliberais. O desafio para todos os setores de oposição ao governo JOH é intervir na luta contra a ditadura e suas políticas servis ao Fundo Monetário. Isso passa por reagrupar toda a vanguarda, os lutadores, em uma Coordenação Nacional de Lutas contra a Ditadura que, respaldada por um programa e um plano de luta, impulsione a mobilização permanente para criar as condições necessárias à convocatória uma Greve Geral.
  6. Construir alternativas de independência de classe é uma necessidade urgente não só para os trabalhadores, mas também para a vanguarda lutadora e a esquerda em geral, porque somos os únicos que temos uma saída consequente para acabar com a ditadura, que passa por derrotá-la nas ruas, ao invés de fazer um sindicalismo “responsável” ou retórica parlamentar, e avançar contra o capitalismo. Que este 1º de maio sirva para reagrupar os distintos setores populares em luta, junto com a esquerda, contra a ditadura.

Tradução: Luana Bonfante