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No dia 1º de dezembro, houve uma tentativa de golpe orquestrada pelo candidato presidencial do Partido Nacional (PN). Queremos dialogar com todos os lutadores que, como nós, estão nesse processo de luta. Acreditamos que, uma vez que derrotamos este giro reacionário do regime, tirar JOH do poder é, nesse momento, um objetivo estratégico do movimento de massas. O Partido Socialista de los Trabajadores (PST) defende que JOH, ao tentar dar um golpe, não deve ficar nem mais um dia no governo. Todos os partidos que se autodenominam de oposição concordam, por unanimidade, que ele deve entregar a faixa presidencial em 27 de janeiro. Em nossa opinião, isso coloca a Alianza e o Partido Liberal (PL) como apoiadores de um governo que, como disseram os policiais aquartelados, “deu a ordem de matar” para permanecer no poder.

Por: Ovet Córdova

A ordem do estado de sítio não é nada mais do que uma tentativa de golpe liderada por JOH, os grupos empresariais e as Forças Armadas, cujo objetivo era impor a fraude eleitoral e assim garantir sua nomeação como presidente da República. Esta manobra autoritária foi derrotada pela resistência heroica das massas, que dos panelaços passaram novamente à organização de barricadas nos bairros, piquetes, manifestações massivas e enfrentamentos com a polícia e o exército. A crise se aprofundou a tal ponto que um setor do Esquadrão Especial COBRAS se aquartelou, recusando-se a reprimir o povo, e obteve a simpatia de quase toda a escala básica da polícia preventiva e de trânsito. JOH teve uma derrota tática, mas ainda tem o controle da situação.

O presidente golpista, diante do iminente perigo de ser derrotado pela massiva votação anti-JOH, e com a possibilidade de o TSE declarar Salvador Nasralla vencedor devido à pressão do processo insurrecional, decidiu dar um autogolpe de Estado. JOH rompeu um importante acordo de governabilidade que existia entre os diferentes setores da burguesia representados no PN, na Alianza e no PL. Esse acordo consistia em resolver a questão do poder nas eleições de 26 de novembro através dos mecanismos da democracia burguesa. No entanto, ao não ser favorecido pelos resultados eleitorais, ele toma a decisão de se apoiar nos militares para garantir a sua reeleição. Mas ele não contava com a inabalável disposição de luta do povo e a rebelião dos policiais de base.

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A Alianza nos leva a um beco sem saída

O fracasso do autogolpe aconteceu porque JOH não contou com a ousadia das massas que não seguem a linha conciliadora e desmobilizadora dos dirigentes da Alianza, que dias antes chamavam a comemorar e não lutar, que desconsideravam as ações de protesto autoconvocadas pelos manifestantes e que chegaram a dizer que, se JOH aceitasse a derrota, eles estariam dispostos a defendê-lo diante da justiça por meio de um indulto presidencial para ele e Matamoros Batson. No entanto, as massas insurgentes deram a última palavra, derrotaram o estado de sítio e o próprio golpe. A chave dessa vitória popular foi a desobediência do povo em luta à posição conciliadora e colaboracionista de Mel Zelaya e Nasralla, que chegaram ao cúmulo de dizer que “é preciso desmontar as barricadas, é necessário deixar passar os carros-fortes com dinheiro, os caminhões de combustível e containers“. Na verdade, eles estão dizendo aos manifestantes que mantêm os bloqueios de estradas, pontes e pedágios que é necessário deixar Juan Orlando governar, tirar a corda do seu pescoço e deixar os caminhões do exército passar por todas as ruas, para que eles circulem livremente para massacrar o povo.

Mas para onde Nasralla e Zelaya querem levar a luta? Eles estão interessados ​​em usar os protestos e as mobilizações para negociar com JOH. É por isso que eles chamam para lutar quando estão em apuros e desmobilizam quando se sentem em uma posição cômoda ​​para negociar acordos. A sua estratégia é lutar pela revisão das atas e assim conseguir que Nasralla seja declarado presidente, e não dizem nada sobre a tentativa de golpe e que JOH deve ser imediatamente derrubado pela mobilização. Isso porque eles, assim como JOH, estão mais preocupados em manter a “ordem” e que a luta não saia do seu controle. Como se pode ver, nada disso interessa ao povo em resistência.  As manifestações multitudinárias e insurrecionais dos dias 29 e 30 de novembro e a mobilização do dia 3 de dezembro mostraram que a palavra de ordem de “Nasralla presidente” não tem nenhuma relevância para o movimento de massas, e que o fundamental é a saída imediata de JOH.

Paralisação Nacional Insurrecional para derrubar JOH

A permanência de JOH no governo e seu fracassado autogolpe se choca de frente com o desejo dos trabalhadores de transformar suas condições materiais de vida e de seus direitos políticos e democráticos. A derrota da tentativa de golpe foi apenas parcial. Para derrotá-lo completamente, é necessário tirar JOH da presidência já. Ele não permitirá uma transição democrática do governo, o julgamento dos atos de corrupção de sua administração nem dos principais responsáveis pela fraude eleitoral. Uma Paralisação Nacional Insurrecional pode derrubar este regime de exploração e corrupção. Os únicos capazes de realizar esta tarefa política são as massas mobilizadas desde o dia 26 de novembro. Elas devem organizar já, de forma independente, os Comitês de Luta dos Bairros, em cada bairro, município, vila e local de trabalho.

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Os policiais da escala básica e os militares que estão do lado do povo e a favor de derrubar JOH têm que romper a disciplina com os altos comandos e com os comandos médios que são leais ao governo golpista e se declarar em greve novamente, desta vez por tempo indeterminado, e passar para o campo da luta levando as suas armas. Devem formar sindicatos e, juntamente com o povo, lutar pela eleição democrática de seus comandantes e pelo fim dos tribunais militares.

A classe trabalhadora também deve assumir um papel importante na organização das ações de paralisação, como fizeram na ocupação da maquila em Villanueva, Cortés. Essas greves devem se ampliar em todas as zonas industriais, no setor de serviços, bancos e comércio. É necessário fechar todas as empresas, fazendo assembleias e preparando a defesa dos locais de trabalho.

É urgente que cada Comitê de Luta dos Bairros prepare reuniões ou assembleias e que discutam e aprovem democraticamente as ações necessárias para se somar à Paralisação Nacional Insurrecional. Da organização local é preciso avançar para a organização regional e nacional. Por isso, em todos os lugares, temos que organizar uma assembleia municipal dos Comitês de Luta dos Bairros e preparar um encontro nacional desses comitês. Em todas as assembleias de bairro, municipal e nacional, deve haver a participação das organizações da classe trabalhadora, como os sindicatos e os partidos revolucionários, assim como as organizações camponesas, negras, indígenas, feministas, LGTBI, estudantis, etc. Suas assembleias devem construir as diretrizes políticas e estratégicas da Paralisação Nacional Insurrecional e definir os objetivos de suas ações para paralisar as principais estradas, pontes, pedágios e a defesa de seus bairros e locais de trabalho.

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Tudo isso só será possível se o movimento de massas mantiver sua independência da direção oportunista da Alianza, que deseja usá-las para pressionar JOH e, assim, negociar em melhores condições as cotas de poder que tanto desejam. Nasralla e Mel Zelaya defendem que é possível tirar JOH contando mais cinco mil atas ou contando as de outros estados. Agora, eles dizem que é possível revisando todas as atas, conferindo os computadores do TSE, fazendo um segundo turno ou repetindo as eleições presidenciais. Sua traição não pode ser mais descarada! Aqueles que estão nas barricadas em todos os bairros, estradas ou pontes já disseram muito claramente: FORA JOH! A concretização dessa palavra de ordem só pode se dar mediante uma Paralisação Nacional Insurrecional organizada pelos Comitês de Luta dos Bairros, que derrube este governo e que garanta o julgamento e a punição de JOH, dos juízes do TSE e de todos os funcionários corruptos do Partido Nacional.

  • Fora JOH, já!
  • Julgamento e punição para JOH e sua quadrilha
  • Paralisação Nacional Insurrecional para derrubar JOH
  • Por assembleias de trabalhadores que preparem a greve geral
  • Por sindicatos de policiais e soldados
  • Não às sanções aos policiais e soldados por não acatar as ordens de reprimir o povo
  • Que os policiais e soldados elejam democraticamente seus comandantes
  • Fim dos tribunais militares
  • Por uma assembleia nacional de representantes dos Comitês de Luta dos Bairros, dos sindicatos, das organizações populares e de policiais e soldados que apoiam o povo.

Partido Socialista de los Trabajadores. Liga Internacional dos Trabalhadores- Quarta Internacional

Tradução: Lena Souza