O Brasil caminha rápido para 100 mil mortes por COVID-19 segundo os dados oficiais levantados pela imprensa junto às secretarias de saúde dos estados. Com esses dados, o Brasil – que tem 3% da população mundial – detêm 15% dos casos mundiais de COVID-19 e 13% das mortes causadas pelo vírus no planeta. O Brasil é campeão de mortes diárias por um milhão de habitantes, com mil óbitos em média por dia.

Por: PSTU Brasil

Todo mundo sabe que esses números são pra lá de subestimados. Não há testes nem diagnósticos suficientes. Uma contabilização correta desses casos ocultados pela subnotificação colocaria o Brasil como o líder em número de contágios, ultrapassando os Estados Unidos. Mesmo assim, os governos tocam adiante a reabertura das atividades.

Pobres e negros, as maiores vítimas

No início de julho, uma pesquisa mostrou que a presença do novo coronavírus em São Paulo atinge cerca de 16% da população nos bairros mais pobres da cidade. O número é mais que o dobro do observado nos distritos mais ricos da cidade, que registraram 6,5% de pessoas que já tiveram contato com o vírus. A mesma pesquisa mostrou que houve uma incidência maior de contágio na população negra do que na branca – 19,7% contra 7,9%. A pesquisa é do Grupo Fleury em parceria com a ONG Instituto Semeia e o Ibope Inteligência.

No Rio de Janeiro, um levantamento da prefeitura mostrou um cenário semelhante. Na Cidade de Deus, 28% da população foi infectada. Em Rio das Pedras e na Rocinha, cerca de 25% contraíram o vírus. Esses dados são uma pequena demonstração de como a pandemia atinge a população pobre e negra das periferias e favelas.

É importante lembrar que esses dados ainda não alcançam toda a dimensão das consequências da reabertura determinada pelos governos nos estados. Os efeitos da reabertura só vão ficar mais evidentes nas próximas semanas. Mesmo assim os governos já falam em reabrir as escolas, como se tudo estivesse bem!

ASSASSINOS

O genocídio de Bolsonaro tem governadores como cúmplices

Não demorou muito para todos perceberem que os governadores apenas fizeram jogo de cena no começo da pandemia. Todos eles estão implementando rapidamente a reabertura e medidas de flexibilização da quarentena. Se Bolsonaro aplica uma política genocida no país, os governadores mostram que são cúmplices pela imensa mortandade das vítimas do vírus, especialmente aqueles da dita oposição que também reabrem o comércio e pensam em retomada das aulas. Um deles é Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, que implementa a reabertura no estado, naturaliza as mortes e, como se não bastasse, convidou Bolsonaro para um pacto.

A verdade é que não há oposição alguma. Há assassinos que naturalizam as quase 100 mil vítimas fatais do vírus e governam para manter os lucros dos grandes capitalistas. Aproveitam para atacar direitos dos trabalhadores e não garantem uma quarentena para valer, sustentada na garantia de renda, direitos e emprego.

SP: “Um Boeing por dia”

O estado de São Paulo, epicentro da pandemia no país, é exemplar. A taxa de mortalidade, embora estabilizada, está num patamar elevado, com uma média de 300 óbitos por dia. “O que corresponde a um Boeing 747. Estamos tendo a explosão de um Boeing 747 por dia e pode ser que isso se prolongue até o ano que vem”, explica o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, em debate virtual realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp).

Mesmo assim, em São Paulo, o governo João Doria (PSDB) indicou que as aulas poderiam voltar a partir de 8 de setembro se 100% das regiões estiverem na fase amarela do plano de retomada por 14 dias. Atualmente, três regiões ainda estão na fase vermelha, a mais restritiva de todas.

Para garantir isso, Doria mudou as regras para transição de fases do plano estadual para facilitar reabertura de atividades. Antes, para que uma região mudasse da fase laranja para a amarela, era necessário que o local tivesse uma taxa máxima de ocupação de leitos de UTI de 70%. Agora o percentual pode ser de até 75%. Da fase amarela para a verde, só era possível se a região tivesse até 60% dos leitos de UTI ocupados por conta da COVID-19. Com a mudança, o percentual passou para valores entre 70% e 75%.

Na capital paulista, a prefeitura quer que os pais assinem um termo de responsabilidade sobre o fato de os alunos voltarem ou não às aulas. Trata-se de um verdadeiro absurdo que visa intimar os pais e responsabilizá-los pelo que acontecer após o retorno das aulas.

No Rio de Janeiro, os empresários e os donos de escolas lançaram um vídeo criminoso pedindo o retorno das aulas. No vídeo, os donos de escola dizem que “os meses se passaram” e que “aprendemos a conviver com o vírus”. Também criticam a necessidade de isolamento social estabelecida pelos cientistas e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como medida eficaz para conter a pandemia: “Estudos só confundiram. Trancar todos em casa não é ciência. Confinar é desconhecer, ignorar, subtrair vida, é fragilizar, debilitar, mexer com o emocional. As crianças precisam voltar a se relacionar, brincar, refazer laços e amizades, rever seus amigos.”

É GENOCÍDIO

Volta pode causar 17 mil mortes de crianças até o fim do ano

Uma pesquisa da FGV projetou que, caso aconteça uma reabertura precipitada das escolas no Brasil, o país pode saltar de 300 mortes de criança abaixo de 5 anos para 17 mil até o final do ano.

“As aulas absolutamente não podem voltar em setembro. Nós temos hoje no Brasil 500 mil crianças portadoras do vírus zanzando por aí. Se você reabrir agora em agosto, mesmo usando máscara, mesmo botando distância de dois metros. No primeiro dia de aula nós vamos ter 1.700 novas infecções, com 38 óbitos. Isso vai dobrar depois de 10 dias e quadruplicar depois de 15 dias. Então, abrir as escolas agora é genocídio”, disse o matemático Eduardo Massad no debate virtual realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp).

Na verdade, o potencial letal da abertura é muito maior. Pesquisas mostram que os mais afetados pelo vírus serão os funcionários das escolas, os professores e os pais dos alunos.

É por esse motivo que a grande maioria dos pais de alunos está contra o retorno das aulas. Os profissionais da educação em todo o país estão ameaçando fazer greve caso os governos decretem a sentença de morte de milhares de crianças, trabalhadores e pais. Uma greve que seria apoiada pela maioria da população e pode servir de exemplo para muitos outros setores da classe trabalhadora que estão cansados de seguirem para o abate todos os dias.

HAIA

Trabalhadores da saúde denunciam Bolsonaro por genocídio em Tribunal Internacional

Jair Bolsonaro foi denunciado por crimes contra a humanidade e genocídio no Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia. A iniciativa foi liderada por uma coalizão que representa mais de um milhão de trabalhadores da saúde no Brasil e apoiado por entidades internacionais.

“No entendimento da coalizão, há indícios de que Bolsonaro tenha cometido crime contra a humanidade durante sua gestão frente à pandemia ao adotar ações negligentes e irresponsáveis, que contribuíram para as mais de 80 mil mortes pela doença no país”, destaca o documento da coalizão.

“A omissão do governo brasileiro caracteriza crime contra a humanidade – genocídio”, diz o texto. “É urgente a abertura de procedimento investigatório junto a esse Tribunal Penal Internacional, para evitar que, dos 210 milhões de brasileiros, uma parcela sofra as consequências desastrosas dos atos irresponsáveis do senhor presidente da República”, aponta.

CAPITALISMO É ASSIM

Durante pandemia, 42 bilionários brasileiros aumentam sua fortuna em US$ 34 bilhões

Enquanto os governos naturalizam as mais de mil mortes diárias causadas pela COVID-19, dados da Oxfam, ONG que atua na redução da desigualdade e da pobreza, mostram que o patrimônio de 42 bilionários brasileiros cresceu US$ 34 bilhões – algo em torno de R$ 177 bilhões – durante a pandemia do novo coronavírus. No total, o seleto grupo dos mais ricos do Brasil acumula uma fortuna de US$ 157,1 bilhões segundo a ONG – cerca de R$ 820 bilhões.

O mesmo cenário é observado quando se analisa o desempenho das fortunas dos 73 bilionários da América Latina e do Caribe. Eles aumentaram as suas fortunas em US$ 48,2 bilhões entre março e julho deste ano.

O capitalismo vai mostrando a sua face bárbara na pandemia. Enquanto a maioria da população se arrisca a ser contaminada para não perder o emprego ou para comprar o alimento da sua família no dia seguinte, os bilionários não têm por que se preocupar e ficam mais ricos com a desgraça alheia. É a serviço dessa gente que está Bolsonaro, sua corja de militares e milicianos e os governadores dos estados que impõem a reabertura e a flexibilização da quarentena.

RESPOSTA À GLOBO

“É justo os mais ricos, os bilionários desse país, ficarem mais ricos na pandemia? Tá errado”

Em São Paulo, a greve dos metroviários foi suspensa, após arrancar recuo do governador João Doria e da direção da empresa. Isso ocorreu graças a uma forte luta e à adesão massiva à paralisação.

Em entrevista ao SP1, programa jornalístico da Rede Globo na capital paulista, Altino Prazeres, coordenador do sindicato e militante do PSTU, foi questionado pelo apresentador Rodrigo Bocardi: “Como o sindicato enxerga uma greve, em meio à pandemia, de um serviço essencial que transporta milhões de pessoas que tiveram redução de seu salário, que estão em busca de emprego? Vocês acham razoável uma paralisação no meio de uma pandemia?”

Altino respondeu à altura: “É justo os mais ricos, os bilionários desse país, ficarem mais ricos na pandemia? Tá errado. A luta dos metroviários foi para resistir, para que a gente mantenha o nosso nível de vida. A pergunta é: por que os bilionários ficam mais ricos e os trabalhadores têm que pagar o custo desta crise que eles mesmos criaram?”

A resposta de Altino viralizou nas redes sociais e virou um dos assuntos mais comentados no Twitter. Ele recebeu o apoio de pessoas do país inteiro e de figuras públicas como Gregório Duvivier.