As manifestações da noite de ontem [29/07] na Ciudad del Este põe a nu a intolerância da classe trabalhadora à negligência do Governo, à sua política de fome e demais medidas de recortes neoliberal.

Por: PT-Paraguai

A situação crítica de Alto Paraná e Ciudad de Este em particular, produto do alto nível de contágio de modo algum pode ser descarregada como  “irresponsabilidade das pessoas” como afirmam as autoridades. Pelo contrario,  o governo é o único responsável ao não ter adotado medidas para superar os efeitos da pandemia em uma zona delicada do país que, por suas características – centralização de sua atividade no comércio de fronteira, exposição a massivos contágios por sua proximidade ao país com a maior taxa de infecções – claramente necessitava de um plano de contenção mais rigoroso para amortecer efetivamente o impacto da crise.

O drama socioeconômico se aprofunda a nível mundial, nosso país, com certeza, não está isento da degradação da vida da classe trabalhadora. As políticas de resgate dos governos destinados aos grandes capitalistas e ao sistema financeiro não fizeram mais do que intensificar um quadro cujos sintomas preveem uma generalização e aprofundamento dos levantes apesar de carecer de uma direção.

A reação das massas não espera orientações diante da fome e da miséria; são suas necessidades materiais que as impulsionam, a raiva e o desespero rompem todas as barreiras e abre caminho para novos processos na luta de classes.

O governo respondeu com repressão para tentar disciplinar as massas enraivecidas, o que merece todo o repúdio das organizações sociais e políticas da classe trabalhadora. Após a repressão adota a decisão de acelerar o desembolso de seu programa de assistência «Pytyvo» como mitigador do desespero e da reação enérgica das massas.

A nova etapa que vivemos com esta pandemia colocou em brasas uma situação de crise aguda aberta muito antes.

O desafio dos setores de vanguarda está em exigir as medidas sanitárias para cuidar de nossas vidas combinadas com as econômicas para sustentar uma existência digna diante da crise. Para isso é necessário fazer avançar as mobilizações até uma verdadeira independência de classe com um programa que coloque em perspectiva a transformação radical deste modelo socioeconômico que padecemos.

A burguesia procura salvaguardar seus interesses, a classe trabalhadora deve colocar os seus com a veemência necessária para fazer retroceder as políticas que destroem nossas vidas e colocarmos em perspectiva a organização de uma sociedade diferente, dirigida em função dos interesses das grandes maiorias.

Tradução: Lilian Enck