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Nestes momentos de quarentena obrigatória e de contato virtual, muitas coisas circulam pelas redes: algumas interessantes, outras mentiras flagrantes e muita crítica aguda aos governantes por sua inaptidão, demagogia e corrupção como continuidade do processo que explodiu em 21 N.

Por: Rosa C.

As cadeias de TV e rádio por sua vez, entre uma ou outra crítica e denúncia, promovem verdadeiras campanhas para restabelecer a imagem de personagens, instituições e do sistema. Generalizou-se a ideia de que as coisas não serão iguais depois desta pandemia. Isso é verdade. Mas as perspectivas evidentemente não são as mesmas para as diferentes classes sociais.

Este artigo tem por objetivo suscitar uma reflexão sobre as mudanças de fundo que a humanidade precisa, as disjuntivas que enfrentará e quem e de que maneira devem ser os protagonistas.

O capitalismo a nu

Quando a pandemia iniciou, a grande preocupação dos governantes e funcionários era impedir a propagação do vírus para que os sistemas de saúde não entrassem em colapso. Passados alguns dias, o sistema entrou em colapso em muitos países e o resto do planeta vai pelo mesmo caminho. Nem sequer os países mais poderosos como o do imperialismo norte-americano puderam evitá-lo. Trump exibe seu poderio militar contra um país devastado, poderio inversamente proporcional à sua miséria científica e moral.

Ficou evidente que, apesar das medidas sanitárias, um sistema baseado no direito privado e não na saúde pública não é capaz de resistir a um resfriado massivo, muito menos a uma pandemia com as características da atual. O sistema de saúde entrou em colapso não porque nenhum sistema seja capaz de suportar uma pandemia, e sim porque desde a década de 90 privatizaram a saúde e os serviços em todo o mundo. Ficou evidente que os mercadores da saúde não se preocupam nem com os insumos, nem com a construção de hospitais, nem com a investigação científica, nem com as condições de trabalho e os riscos do pessoal da saúde, muito menos estão preocupados com a saúde da população.

A única coisa que preocupa todo empresário é que seu investimento produza lucro e a saúde de qualidade para o povo não o produz. Acabaram com a rede pública de hospitais, cortaram ao máximo os salários e benefícios de médicos, enfermeiras e do pessoal da saúde em geral, como fizeram com o conjunto dos trabalhadores. Os receituários médicos  foram transformadas em uma pequena lista de medicamentos baratos, os exames de diagnóstico foram entregues a empresários privados que contam com uma ou outra máquina de última tecnologia e cobram somas fabulosas pelos  serviços de saúde aos trabalhadores, as consultas com especialistas se converteram em um luxo. É evidente que os donos do sistema não se preocupam em salvar pacientes, e sim em faturar por cliente.

Apoiamos o pessoal da saúde que respondeu à campanha demagógica que os coloca como os heróis do momento, dizendo que não precisam de adjetivos grandiosos e sim de biossegurança, recursos, insumos, salários dignos, jornadas humanas e mais pessoal.

Mas também ficou evidente a vulnerabilidade do sistema carcerário. Frente à rebelião dos presos pelas condições sub humanas nas quais estão, às quais se soma o temor de que, por essa razão, um contágio produzirá uma cadeia infernal na qual milhares morrerão, o governo respondeu com uma dura repressão na qual 23 deles foram assassinados. O argumento para justificar este massacre foi de que se tratava de frustrar um plano de fuga. Soluções até o momento, nenhuma, discursos e debates, muitos.

No Equador o “sistema funerário” entrou em colapso. Os empresários do ramo não estavam preparados para tantos mortos e diante do risco de contágio se negaram a responder ao chamado das pessoas para retirarem seus familiares, que o colapso do sistema de saúde deixou para morrerem em suas casas. Hoje caixas de papelão são usadas para enterrar os mortos.

A violência de todo tipo contra as mulheres e as crianças também disparou no mundo. Na Colômbia chegou a um ponto em que os feminicídios se igualaram ao número de mortos pelo coronavírus. As chamadas de socorro triplicaram enquanto as casas de abrigo foram fechadas devido à quarentena.

A verdadeira preocupação dos empresários: que sua economia não entre em colapso

Muitos presidentes começando por Trump, Bolsonaro e López Obrador disseram abertamente: a economia não pode parar. Realmente o que os preocupa é que os lucros caiam e a cadeia de exploração seja detida. Agora reconhecem a dinâmica recessiva da economia mundial, mas não como um componente orgânico do sistema capitalista, atribuem à contingencia da pandemia, A solução? Demitir trabalhadores, suspender contratos de trabalho, baixar salários e distribuir esmolas miseráveis aos mais pobres.  São tão cínicos que os meios de difusão apresentaram como exemplo a seguir os 5.000 trabalhadores da Avianca que “aceitaram” suspender seus contratos para evitar a quebra de seus “pobres” donos. Evidentemente muitos trabalhadores acreditam que se os ricos não lhes derem trabalho, não poderão sobreviver. Mais adiante explicaremos a verdade que se esconde detrás desta ilusão.

Arturo Calle, foi apresentado pela TV como exemplo de caridade cristã porque ofereceu manter o salário de seus trabalhadores durante a quarentena apesar do fechamento de sua fábrica e lojas de roupas. Diante do anúncio de sua prorrogação até finais de abril, inclusive mais além, optou por converter-se em porta-voz de um setor de empresários para pedir ao governo isenção de impostos, ou postergação de seu pagamento e um plano de “alívios”, enquanto faz de conta que não vê a medida do governo de dar um “alívio” de 40 dólares ( $160.000 pesos) para três milhões de famílias pobres. Que cinismo! Isso é uma esmola! Apresentam-no como grande ajuda porque pensam que para “os mortos de fome” isso é o suficiente.

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Há indignação nacional diante da denúncia de sérios indícios de que a partir do próprio governo uma cadeia de roubo destes recursos é amparada, enquanto que para os ricos as isenções de impostos do Plano Nacional de Desenvolvimento que este governo lhes concedeu não são suficientes pois eles estão acostumados a viver muito bem. Pagar o salário dos trabalhadores não é nenhum favor, é simplesmente um direito e uma obrigação para compensar as décadas de exploração de sua mão de obra. Sem falar do voraz setor financeiro para o qual toda crise é uma oportunidade para encher seus cofres. O governo de Duque já lhes ofereceu uma grande quantidade para blindá-los e de fato estão entre os serviços básicos, e assim continuam funcionando como se nada tivesse acontecido. Está nítido que o que mais importa aos capitalistas é o capital e não a saúde das pessoas.

Um tumor cancerígeno no coração do capitalismo

Dizem que nas crises surgem o melhor e o pior da condição humana. Certo. Os capitalistas estão mostrando sua verdadeira essência e os horrores de seu sistema apodrecido. O pior do que saiu à luz como um fantasma, é a enorme e trágica desigualdade social. As estatísticas frias do DANE, da ONU, da OIT, encheram-se de nomes e sobrenomes de homens, mulheres e crianças que desafiando as medidas sanitárias da quarentena voltaram às ruas porque não tem onde pernoitar ou porque se não trabalharem, no que for, não tem o que dar de comer aos seus filhos a cada dia. Ou porque, apesar de terem um trabalho por horas por dia ou por semanas, se não trabalharem não comem. Ou porque os empresários os obrigam a irem trabalhar, mesmo que não sejam de serviços ou ramos produtivos essenciais, porque do contrário estão demitidos.

Segundo dados da OIT, mais da metade da população mundial vivia de um salário, em 2015. Em 2018 a população ativa no setor informal subiu 60%. Na Colômbia para o último trimestre de 2019 a informalidade chegou a 46,7% equivalente a 5,62 milhões contra 6,41 milhões de trabalhadores formais. Nestes últimos incluem-se trabalhadores com contratos temporários, por semanas, por horas e por dias, por prestação de serviços, isto é os trabalhadores precarizados e terceirizados que são hoje a maioria desses mais de 6 milhões. Se os dados estiverem corretos, significa que suas famílias dependem destes 12 milhões de trabalhadores, e se calcularmos três pessoas por família teremos a cifra de 36 milhões dos 49 milhões da população total. A imensa maioria depende de um salário diário ou mensal que se não chega não come, somemos os 13% de desempregados com que 2020 começou e os aposentados que ainda sustentam suas famílias. A Colômbia é o segundo país mais desigual da América Latina e o sétimo no mundo.

Segundo a OXFAM, 82% do dinheiro gerado no mundo em 2017 foi para o 1% mais rico da população global e apenas em 2018, 42 pessoas tinham tanto dinheiro quanto a metade mais pobre. Simplesmente inaceitável. Isto é uma injustiça colossal.

Não é preciso ser adivinho para saber quem vai pagar o desastre da combinação da pandemia com a recessão da economia mundial. E é muito simples porque a concentração da riqueza está na proporção de 1 para 99. Não é verdade que a pandemia ataca igualmente a todos. Evidentemente no terreno biológico qualquer um pode contrair o vírus, mas não qualquer um pode se salvar. No Noticiário da noite de Caracol (TV) entrevistaram o ex ministro de defesa do Governo de Samper, Fernando Botero, que vive nos Estados Unidos e se recuperou do vírus.

Ele expressou seu agradecimento porque teve um atendimento oportuno e eficiente. Não podemos dizer o mesmo dos trabalhadores e aposentados que morreram, sabemos por canais diretos, que seus atendimentos não foram adequados e, por isso, quando os levam à UTI, se é que os levam, o vírus já provocou um mal irreversível. A burguesia além do atendimento imediato, tem centros especiais, gozam de boa saúde e resistência porque estão bem alimentados e vivem em ambientes excelentes do ponto de vista sanitário, por isso tem mais chance de sobreviver que os trabalhadores e os pobres.

Extirpar o tumor ou o câncer que nos mata

É muito difícil prognosticar com exatidão a dinâmica dos acontecimentos, mas podemos ver algumas das variantes mais prováveis.  Este exercício não deve ser assunto de especialistas, e sim parte do dia a dia dos trabalhadores e suas organizações.

Em vários países a pandemia saiu do controle e se contam os mortos aos milhares, o mais saudável do ponto de vista da saúde pública é reforçar as medidas de isolamento social pois a realidade sobre o contágio parece ser muito pior do que os governantes disseram. No momento de escrever este artigo são 94.457 mortos no mundo. A taxa de mortalidade estimada há menos de um mês 3,4 subiu para 6,08 no total. O mais seguro é que, por todas as condições objetivas que descrevemos, o colapso do sistema de saúde continuará sendo pago pelos trabalhadores e pelos pobres. Esta não é a terceira guerra mundial, mas esta combinação de recessão da economia com a pandemia pode levar essa desigualdade social a aumentar a níveis incríveis e os mortos a centenas de milhares, porque os capitalistas defenderão seus privilégios acima de tudo.

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De fato, a quarentena obrigatória está sendo usada para dar poderes extraordinários ao poder executivo e aumentar medidas bastante repressivas, como toques de recolher, e militarização de cidades e rodovias. Muitos governos como o de Duque, Bolsonaro, Piñera, etc, vinham recorrendo à resposta repressiva violenta contra as mobilizações anteriores à pandemia, recorrendo inclusive, como na Colômbia e no Chile à organizações paramilitares para ameaçar e assassinar dirigentes sociais. No nosso país isto acontece há mais de 20 anos.

De maneira recorrente os governos criminalizam o protesto social e golpeiam de maneira silenciosa e sorrateira a resistência operária nas fábricas e locais de trabalho. Isto é, já vinha por parte da burguesia um endurecimento cada vez maior dos regimes políticos como uma resposta cada vez mais dura ao crescente protesto social. O isolamento social necessário serve como uma luva, para tentar desmontar os processos de ascenso das lutas. Como Donald Trump que aproveitou a pandemia e a dor de seu povo, que hoje é o mais altamente contaminado, para deslocar o aparato militar ameaçando a Venezuela e a toda a América Latina, coisa que não podia fazer antes.

Mas o aumento das penalidades que já estamos vivendo por parte dos trabalhadores e os pobres, atiça a necessidade de organizar-se e lutar, pois está em jogo nossa sobrevivência e a do planeta. Viemos de um processo de lutas praticamente em todos os continentes contra esta profunda desigualdade social e contra a privatização dos sistemas de saúde. É muito provável que devido à pandemia, o isolamento se converta só em uma parada no caminho e uma vez que voltemos às ruas tenhamos que retomar a luta com mais força e mais decisão porque além do mais seus efeitos serão devastadores.

O certo é que as contradições de classe vão se tensionar ao máximo, a isso denominamos polarização, que não é outra coisa que as classes sociais antagônicas enfrentadas em uma luta cada vez mais profunda na qual se coloca na ordem do dia quem ganha: se os trabalhadores e seus aliados ou a burguesia e os seus. Ou como afirma Marx no Manifesto Comunista: “…luta que sempre terminou com a transformação revolucionária de toda a sociedade ou o colapso das classes em disputa”.

Estas palavras de Trotsky, o revolucionário russo que juntamente com Lenin e o partido bolchevique levaram ao poder a classe operária em 1917, estão cheias de atualidade e pertinência:

“A sociedade humana é o resultado histórico da luta pela existência e da segurança da manutenção das gerações. O caráter da sociedade está determinado pelo caráter de sua economia; o caráter de sua economia está determinado pelos seus meios de produção. A cada grande época de desenvolvimento das forças produtivas corresponde um regime social definido. Até agora cada regime social assegurou enormes vantagens à classe dominante”.

Do que foi dito fica evidente que os regimes sociais não são eternos. Nascem historicamente e se convertem em obstáculos ao progresso subsequente. “Tudo o que nasce é digno de perecer” (Palestra pronunciada por León Trotsky em 27 de novembro de 1932 em Copenhague).

Esta é a reflexão que a humanidade tem que fazer hoje. O sistema, o regime capitalista converteu-se em um obstáculo absoluto para o progresso da humanidade, só uma ínfima minoria se beneficia da riqueza social produzida pela sociedade. Estamos diante da disjuntiva de acabar com a cadeia histórica de regimes que só beneficiam as classes dominantes e construir uma sociedade justa e equitativa na qual, como dizia Rosa Luxemburgo, sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres. Ou, do contrário, esta minoria que detém o poder e a força das armas nos conduzirá à barbárie, porque estas fabulosas fortunas foram  acumuladas e continuarão sendo à custa de acabar com as florestas, com os recursos naturais, de continuar contaminando o ar e as águas. Cada dia que passa mais milhões de trabalhadores explorados e oprimidos são levados à miséria. Esta classe burguesa e imperialista não está capacitada moralmente para reger os destinos do planeta.

É preciso ter medo do capitalismo, não do socialismo

O conceito de socialismo foi estigmatizado pelos defensores do capitalismo. Foi deformado pelo estalinismo e pelos partidos comunistas, que acabaram restaurando o capitalismo nos países onde os trabalhadores expropriaram os meios de produção e começaram a construir o socialismo. E agora, mais recentemente, desacreditado pelos setores do nacionalismo burguês ou setores reformistas da classe média, cuja proposta de socialismo do século XXI é na realidade capitalismo enfeitado de reforminhas insignificantes e subsídios miseráveis, fazendo-se chamar de socialistas.. A verdade é que não há hoje no mundo nenhum país socialista ainda que alguns finjam que são.

O sistema dominante no mundo é o capitalismo, dentro do qual, com certeza, há contradições entre as diferentes alas burguesas, porque há alguns que produzem a mais valia (o valor excedente), que são os setores produtivos, e há outros como o comercial que ficam com uma fatia do valor obtido no processo de produção de mercadorias ou, pior ainda, o capital especulativo.

Há diferenças também entre países. Os que mais desenvolveram as forças produtivas são os países imperialistas que conseguiram em fins do século XIX e começo do XX fundir nas mesmas mãos o capital industrial e o bancário dando origem ao que conhecemos como capital financeiro. As contradições se dão essencialmente pela forma como a riqueza mundial é distribuída. Nessa disputa os capitalistas levaram a humanidade a duas guerras mundiais.

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Na segunda morreram entre 70 e 83 milhões e na primeira de 10 a 31 milhões entre civis e militares (Wikipedia). A destruição e a morte provocaram epidemias que causaram a morte de outros tantos milhares. De maneira que esta é a verdadeira essência do capitalismo. O fascismo, o regime político mais extremo da era imperialista, cobrou em seu ascenso ao poder, a vida de milhares de trabalhadores na Itália, Alemanha, Espanha e outros países da Europa. Os capitalistas não temem em matar, seu aparato repressivo é treinado para isso com o argumento de “defesa da pátria”.

Para não ir tão longe vejamos a história recente da Colômbia e as guerras e invasões impulsionadas pelos “democráticos” Estados Unidos e seus aliados. Isto é o que tem que ter medo e o que os trabalhadores têm que derrotar .

Na revolução socialista russa de 1917 pelo contrário, durante a insurreição de outubro do proletariado, camponeses e soldados, o derramamento de sangue foi mínimo, porque eram a imensa maioria do povo organizado e em armas. Os mortos vieram depois quando 14 exércitos aliados atacaram o nascente estado soviético para derrotar a revolução e veio a guerra civil, o enfrentamento entre a revolução triunfante e a contrarrevolução.

Na minha modesta opinião a Rússia capitalista de hoje, a China e Cuba, também capitalistas, lidaram melhor com a pandemia porque herdaram do período socialista e da revolução, sistemas de saúde construídos sobre princípios diferentes e ainda não os destruíram totalmente.

Muitos trabalhadores não acreditam que a classe operária seja capaz de construir uma sociedade totalmente oposta à atual. Não concebem que não haja um patrão que lhes dê trabalho ou creem que eles, os empresários, são os que geram a riqueza. Isto não é assim. Os que geram a riqueza são os operários industriais, o proletariado agrícola que produz alimentos. Os trabalhadores que fizeram greves provaram quem é que realmente produz. Sua força de trabalho é a que transforma as matérias primas em mercadorias e nesse processo de transformação agregam valor.

O capitalista lhes paga um salário que não equivale nunca ao valor de venda das mercadorias que produziu. Sua fábrica e suas matérias primas sem o trabalho dos operários não servem para nada. De tal maneira que rouba do trabalhador parte de seu trabalho. Isso é o que produz o lucro e aumenta o capital. Por isso a classe operária é chamada para dirigir a mudança, para organizar as classes oprimidas e exploradas para fazer a revolução. Não precisamos de parasitas que vivam à custa de nosso trabalho. Coloquemos sob nosso controle os meios de produção e planifiquemos a economia de acordo com as necessidades da população, sobre esta base construamos a alimentação, a saúde, a educação, a moradia, os cuidados dos filhos, o cuidado do planeta e a racionalização do uso dos recursos naturais. Usemos a ciência e a tecnologia para enfrentar e eliminar doenças e pandemias, restauremos o equilíbrio natural do planeta. Estas são as bases de uma sociedade socialista, isto não pode produzir temor e sim esperança.

Precisamos de um partido próprio, um partido independente.

Na juventude trabalhadora há muita desconfiança com os partidos, e tem sentido, porque os que conhecem ou são defensores da burguesia e seu sistema e, se não o são, o que propõem são medidas pífias que rapidamente ficam sem base. Tem desconfiança também porque os que se dizem de esquerda, impõem uma disciplina cega aos dirigentes.

É necessário entender, que nenhuma mudança social profunda foi conquistada na história sem uma clara direção e esse tem sido o papel dos partidos revolucionários como o bolchevique. Embora a luta possa explodir de maneira espontânea, sua continuidade precisa de uma direção e um plano com objetivos. Esta necessidade é a que exige a construção de um partido, mas um partido próprio de trabalhadores, independente de capitalistas e dos setores da pequena burguesia que só propõem reformas. Um partido que consiga organizar os setores mais explorados e oprimidos sob suas bandeiras, que consiga ademais arrastar atrás de si os setores mais baixos da pequena burguesia e das classes médias.

Nos momentos decisivos da luta esta é a luta central. A classe média e a pequena burguesia é muito volúvel, hoje pode estar com a classe operária, se esta lhe dá segurança, mas amanhã pode ir com a burguesia. Temos que saber que estas classes são decisivas, porque se não são ganhas pela revolução serão a base fundamental dos movimentos fascistas, que se chegarem ao poder destruirão todo vislumbre de democracia ao mesmo tempo em que atacarão a classe operária e suas organizações sejam estas revolucionárias ou reformistas. Nenhuma classe privilegiada renuncia aos seus privilégios por bem. Preparemo-nos para a luta e a revolução. O socialismo é uma necessidade!

Tradução: Lilian Enck