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PARA QUE “FICAR EM CASA” NÃO SEJAM PALAVRAS VAZIAS!

Desde 30 de março, o governo repete diariamente em suas coletivas de imprensa “Fique em casa” … Mas, de fato, o capitalismo mexicano continua enviando diariamente as/os operários/as “Diretamente para o matadouro”. Essa dura realidade, que ocorre em muitos países, exibe a hipocrisia do governo da AMLO e começa a ser rejeitada pela parte mais explorada da classe operária mexicana, a das grandes concentrações industriais de maquiladoras na fronteira norte.

Por: CST – México

No final de março, os/as operários/as de várias fábricas da empresa americana Foxconn da Ciudad Juárez, estado de Chihuahua, rebelaram-se e suspenderam seu trabalho, exigindo o cumprimento da Emergência Nacional de Saúde decretada pelo governo federal. Nesta semana, operários de seis outras empresas maquiladoras da mesma cidade disseram Basta! Na Regal Beloit, TPI Composites, Grupo Norma, Electrocomponentes, Syncreon e Honeywell, o trabalho foi suspenso para exigir que os empregadores fechassem suas instalações.

Vários trabalhadores/as contraíram o coronavírus e os demais correm o risco de contágio e até de morte. Todas essas fábricas, produtoras de componentes eletrônicos e autopeças e montadoras de eletrodomésticos não são consideradas indústrias essenciais na declaração de emergência nacional e, portanto, não podem obrigar os trabalhadores a comparecer nem pode demiti-los por abandono do trabalho. As empresas também não garantem medidas sanitárias que impedem o contágio.

A advogada Susana Prieto Terrazas, assessora jurídica dos operários, denunciou ao jornal La Jornada, 17/04: “Que os trabalhadores parem, que parem por suas vidas, não há advogado que possa ir contra uma paralisação do trabalho que deveria ter acontecido. desde 24 de março por decreto federal”.

Os/as operários/as paralisados, fora das maquiladoras reclamaram que trabalham sem luvas ou máscaras faciais, além do fato de a empresa obrigar os funcionários com hipertensão e diabetes a trabalhar. Protestam do lado de fora dos prédios industriais, pois temem um surto da doença, como aconteceu na maquiladora Lear Río Bravo, onde 13 operários morreram e as autoridades aceitaram que houve um surto de coronavírus. Também houve protestos na TPI Composites.

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Mas a maquiladora continua as operações com funcionários/as que concordam em trabalhar. Os policiais municipais de Ciudad Juárez vêm à noite para intimidar os não-conformistas. No Syncreon, a direção da empresa oculta as informações, mas os trabalhadores relataram que dois de seus colegas morreram de Covid-19 e seis outros foram diagnosticados com a doença.

Por outro lado, empresas como a Foxconn, que, diante da primeira rebelião, suspenderam a produção e enviaram os operários para suas casas, retomaram a produção a partir de 13 de abril. Convocaram para a volta ao trabalho com uma oferta de pagar o dobro do salário básico e o dobro do bônus da cesta básica.

Para os/as operários/as que não aceitaram se reincorporar no meio da emergência devido ao covid-19, a empresa concorda em pagar-lhes o salário mínimo, descontando o valor a mais por presenteísmo e não paga o bônus da cesta básica. Essas manobras ilegais constituem um crime. Mas eles não são sancionados ou denunciados por nenhum dos níveis de governo. As empresas ianques fazem o que querem no território mexicano.

“Direto para o matadouro”

O advogado Prieto Terrazas relatou que um trabalhador do depósito da maquiladora Regal Beloit morreu de Covid -19 e o risco de contágio é alto. “As maquiladoras são verdadeiros sarcófagos. Os trabalhadores vão direto para o matadouro. Nenhum nível de governo intervém porque os ricos e os burocratas estão resguardados, e são os pobres que estão morrendo. O prefeito de Ciudad Juárez deu ordem para fechar restaurantes com capacidade para menos de 50 pessoas, mas não deu ordem para fechar maquiladoras. Também falta a autoridade do governador e do presidente, e a situação se estende a outras cidades fronteiriças como Matamoros e Reynosa”, afirma Tamaulipas.

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Tradução: Lena Souza