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Até o momento, a crise do coronavírus infectou mais de 8,4 milhões de pessoas em todo o mundo e matou 454.000 pessoas, mais de 28.300 no Estado espanhol. Dados oficiais chocantes, apesar das evidências de que estão bem abaixo dos dados reais.

Por: Juan Parodi

Os governos disseram que isso “é uma guerra”, mas nem mesmo os soldados da linha de frente, o pessoal da saúde, receberam as armas mais básicas para combater: os EPIS e as UCIs (Unidades de Cuidados Intensivos). Muitos contágios foram causados e muitas vidas foram perdidas devido à falta de pessoal e meios. E se o drama não foi ainda maior, é por causa da disposição e vontade de todo o pessoal de saúde (médicos, enfermeiros, faxineiros, cuidadoras/es…)

Aqueles que, como os trabalhadores da saúde, organizações sindicais, sociais ou políticas que vêm denunciando políticas de privatização nos últimos anos, denunciando cortes na saúde e que a saúde não é um negócio, mas um direito, têm a obrigação e o direito de apontar o dedo para os culpados de que a pandemia causou mais estragos do que poderia ter feito com um serviço público de saúde a serviço da sociedade e não dos especuladores. Os governos do PP e do PSOE que se revezaram nesses anos, como Junts pel Sí ou PNV na Catalunha e no País Basco, são responsáveis ​​pelas políticas de privatizações e cortes … que matam.

Em todas as comunidades autônomas, há anos há uma tendência de diminuir o número de funcionários, o fechamento de centros, plantas e salas de operações e os cortes na assistência básica. Não surpreende que, com os votos do PSOE, PP, PNV, CiU e CC, tenha sido aprovada a Lei 15/97 sobre “Novas formas de Gestão na Saúde”, que abriu o caminho legal para transformar o setor de saúde pública em um mercado para construtoras e junto com elas os fundos abutres.

Há quem rejeite a “politização” da pandemia porque o vírus não entende de classes sociais ou partidos, mas se o vírus não entende de “luta de classes”, os que governam sim! Por isso, aqui e no mundo, os mortos vêm da classe trabalhadora, dos bairros mais pobres e setores mais vulneráveis, como os idosos.

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A PANDEMIA NÃO ACABOU …

Os números mundiais mostram que a pandemia está longe de terminar e os surtos estão na ordem do dia. Mas o governo PSOE-UP e todos os governos autônomos, por ordem da grande patronal, estão tomando decisões para que seus interesses econômicos prevaleçam sobre a vida das pessoas. Aqueles que falam do “interesse geral” são os mesmos que desmantelaram as indústrias e geraram uma economia de dependência, especialmente o turismo, e agora, em meio a tantas palavras e promessas não cumpridas, não têm outra proposta senão a escolha entre morrer de doença ou morrer de fome.

NEM OS CORTES

Juntaram-se aos aplausos da população a seus trabalhadores da saúde e prometeram até 50.000 novos contratos, mas os reforços chegavam em conta-gotas ou não chegavam e aprovavam protocolos para que os idosos das residências não fossem internados em hospitais. O resultado foi pago com infecções e mortes. Mas: aprendemos alguma coisa? Na “nova normalidade” tudo isso vai acabar e nenhuma pandemia nos pegará sem defesas de saúde? Os Centros de Saúde continuam funcionando parcialmente e alguns estão fechados; os reforços prometidos não chegam ou o fazem em quantidades irrisórias; falta pessoal em uma questão fundamental como a assistência básica; o Hospital Niño Jesús está sendo privatizado; privatizam a única limpeza pública que restava, do Hospital Gregorio Marañón; os MIR (Médicos Internos Residentes) anunciam uma greve em 13 de julho, devido às precárias condições de trabalho e salários que possuem; os trabalhadores dos Centros de Saúde saem às ruas toda segunda-feira pedindo reforços já, material de proteção, contratos e salários dignos.

Na “nova normalidade“, como na velha, as promessas desaparecem e a saúde continua a ser regida pelas leis capitalistas do mercado: a saúde é um negócio e não um direito inalienável e universal, acabando com nossas vidas. Por isso, alguns juram por Hipócrates e outros prometem como hipócritas.

FORA AYUSO!

FORA MÃOS PRIVADAS DAS RESIDÊNCIAS

Por sua gestão das Residências, que se converteram em uma armadilha para os mais de 8.100 idosos que perderam a vida nas Residências de Madri. Porque os deixaram morrer. Por ser a representante mais clara do Partido das Privatizações. Porque toda vez que abre a boca “o preço do pão sobe”. Ayuso e seu governo devem ser expulsos.

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Para impedir que esse drama e assassinato se reproduzam diante de qualquer surto de pandemia; pela dignidade dos idosos que não merecem ser tratados como lixo velho. Pelo pessoal das residências que se esforçaram sem meios e com o custo de sua saúde e o risco de suas vidas. Porque não aceitamos esse sistema capitalista que faz de tudo uma mercadoria, um negócio para o interesse de poucos.

Temos que exigir do governo PSOE-UP que todas as Residências de Idosos passem a ser públicas e de gestão pública, dotadas de meios e de pessoal.

A saúde, como a moradia, tornou-se o objetivo preferido de construtoras, multinacionais e dos chamados Fundos Abutres. 65% dos hospitais em todo o país são privados ou subsidiados e 40% deles são financiados com dinheiro público. Nem em plena pandemia deixaram de ganhar dinheiro. Os particulares pedem ao Estado que cubra 75% de seu faturamento devido à crise do COVID-19, quando assumiram apenas 19% dos pacientes atendidos na crise e apenas 10% dos internados em UTI. Como as grandes patronais, aquelas que são contra “intervenção estatal” correram em busca do Estado para financiar ERTEs (Expedientes de Regulação Temporal de Emprego) para 28.000 trabalhadores.

Sabemos que o PP é o representante das privatizações e do desmantelamento da saúde pública, eles foram os melhores alunos de Thatcher e Reagan, e hoje, juntamente com a VOX, têm Trump ou Bolsonaro como referências. Mas no país modelo do capitalismo mundial, os Estados Unidos, os pobres, a comunidade negra e latina morrem por falta de assistência médica. Já são mais de 2,2 milhões de pessoas infectadas e 120.000 pessoas falecidas.

Esse é o modelo do PP e VOX: quem não tem dinheiro que morra.

Mas o atual governo do PSOE-UP não afirmou uma política diametralmente oposta à direita, mesmo quando, sob o Estado de Alarme, tinha a centralização das competências de saúde.

A luta contra a pandemia e seus surtos nos obriga a exigir deste governo:

  • Nem um euro público para o setor privado.
  • Recuperação de todos os hospitais e serviços privatizados. Revogação da lei 15/97.
  • Recrutamento de pessoal, estável e com salários dignos.
  • Potencializar a assistência básica com reforços da equipe e mais meios.
  • Equipamento de proteção (de qualidade e suficiente) para todo o pessoal de saúde.
  • Garantia de testes massivos para a população (ainda que não sejam jogadores de futebol).
  • Garantias econômicas e sociais para um verdadeiro confinamento, se houver surto.
  • Regularização já! para que nenhum trabalhador/a imigrante fique de fora do direito à Saúde Pública e Universal, por sua vida e pela de todos.
  • Redução do Orçamento de Defesa e da família real para aumentar o da saúde pública
  • Não ao pagamento da dívida que banqueiros e especuladores contraíram.
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Unir-se para lutar e vencer

A manifestação de 20J convocada pelo CAS; as concentrações de segunda-feira diante dos Centros de Saúde, por iniciativa dos Sanitarios Necesarios, e a atual falta de convocatórias da Marea Blanca, mostram um cenário de divisão que não ajuda a massificar a mobilização em apoio às justas demandas do pessoal de saúde, nem em defesa da saúde pública. Sem dúvida, a principal responsabilidade por essa divisão é daqueles que incentivam a desmobilização a pedido dos partidos do governo de coalizão e dos líderes do CCOO e da UGT.

Mas também não contribuem aqueles que, em nome de “não politizar”, esquecem que são decisões dos governos e de seus partidos que nos levaram a essa situação infeliz.

A vontade dos moradores dos bairros se manifesta em defesa da saúde pública e de seu pessoal da saúde. Para essa luta não há ninguém, nem sindicatos, nem AAVV, nem grupos sociais, nem partidos políticos dispostos a apoiar as demandas dos trabalhadores e da saúde pública, governe quem governe.

Tradução: Tae Amaru