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O Estado é um órgão de dominação de classe, e mesmo os que tentam se apresentar como mais democráticos são, como escreveu Lenin, uma “crosta” para disfarçar esta ditadura burguesa sobre o proletariado. Para isso se utilizam do conjunto de suas instituições para a contenção da revolta social, principalmente através da coerção e da repressão. Uma destas instituições é o sistema carcerário.

Por: Américo Gomes

Por isso os Estados Unidos, mantem a prisão Guantánamo, sem nenhum direito para os que aí estão seus presos, e conserva atrás das grades vários lutadores sociais, como o ex-Pantera Negra Abu Jamal. Na França, durante a manifestação dos Coletes Amarelos, o Estado se utilizou deste método de repressão, realizando mais de 10.000 prisões para tentar acabar com o movimento. Desses, 3.000 foram condenados em processos judiciais, e 1.000 deles estão cumprindo penas em regime fechado.

No Chile, Piñera pretende sufocar a primeira linha dentro da prisão

Há mais ou menos uma semana ocorreu um incêndio na “Cárcel Concesionada Santiago Uno”, onde está uma grande parte dos presos da Revolução Chilena.  Durante este incêndio se escutavam os gritos: “Os pacos (policiais) nos estão matando aqui dentro”.

No Chile ocorre um caso escandaloso: 2600 jovens, cujo único ‘crime’ foi defender os/as manifestantes e garantir o direito de fazer manifestações, contra as  violentas agressões da repressão policial do governo Piñera, muitos/as pertencentes a “Primeira Linha”,  estão detidos/as nas prisões comuns sem prazo para serem libertados/as, como no Modulo 14, aguardando julgamento.

Se encontram em péssimas condições carcerárias, sem nenhuma condição de higiene ou sanitária, que os proteja de quaisquer infecções, menos ainda da pandemia do coronavirus.

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Estes/as jovens, que já estão recebendo o mais feroz castigo do Estado sem nenhum deles/as ter sido condenado, agora estão correndo risco de morte. Seus protestos dentro dos presídios têm sito aplacados pelas Forças Especiais dos Carabineiros “Antimotins”.

A Defensoría Popular interpôs um “Amparo de Garantia”, que fez com que a juíza de turno chamasse uma fiscalização do Estado para uma visita ao Módulo 14, mas nenhuma medida foi tomada. Por isso as entidades de direitos humanos junto com as organizações de defesa dos presos  (Coordinadora 18 de outubro pela liberdade dos presos políticos”, a OFAPP – Organización de Familiares y Amigos de los Presos Politicos e o “Comité Oscar Romero -Sicsal Chile), estão pedindo que se mantenha a campanha exigindo a liberdade imediata destes/as presos/as, agora através de e-mails.

A repressão à Revolução já causou quase 40 mortos; mais 400 pessoas perderam os olhos; dezenas de pessoas foram abusadas sexualmente por agentes do Estado, muitas em instalações oficiais. Agora os/as lutadores/as da “linha de frente” estão expostos/as aos perigos da infecção generalizada dentro do sistema penitenciário.

Pinera em uma atitude criminosa está se aproveitando da catástrofe mundial para sufocar o processo revolucionário chileno e literalmente eliminar a juventude que faz parte da primeira linha.

No vídeo abaixo fala Bertilda Lara, mãe de Ignácio Lara, preso político do governo Piñera.

Palestinos temem por suas vidas nas prisões israelenses

A violenta repressão que o Estado de Israel sempre implantou nos territórios palestinos ocupados, ganhou aspectos sinistros nos últimos dias na Cisjordânia ocupada, devido ao aumento contínuo dos casos de Coronavírus. A situação ainda é mais alarmante nas cadeias israelenses onde estão milhares de presos e presas palestinas e onde já foram identificados presos com o vírus nas cadeias de Belém. Também há suspeitas de contaminação em Ramleh e em centros de detenção em Jerusalém, onde todos os presos foram colocados em quarentena.

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O Serviço Penitenciário de Israel (IPS) anunciou seus planos de evacuar a penitenciaria que fica próximo da fronteira com o Egito para utilizá-la para os presos que forem colocados em quarentena e com isso afastá-los de seus de familiares palestinos. Colocar presos contaminados em isolamento em outros presídios, nesse caso perto do Egito, consiste simplesmente em: “meter presos em celas de isolamento em outro presidio”, não é proteção nenhuma.

As prisões israelenses são tristemente famosas por serem velhas, sujas, superlotadas, que carecem de artigos básicos de higiene, como desinfetante e sabão. Além disso, com entre seis a dez presos amontoados em cada cela e refeitórios que juntam até 120 presos.

LIBERDADE IMEDIATA PARA TODOS OS PRESOS POLÍTICOS!

O que estes Estados estão fazendo com estes ativistas sociais é criminoso. É o mesmo que estão fazendo as ditaduras e governos autoritários: se aproveitando desta pandemia para eliminar seus inimigos.

Por isso uma tarefa fundamental dos movimentos sociais, em todo planeta, é exigir, neste momento de crise a “LIBERDADE IMEDIATA PARA TODOS OS PRESOS POLÍTICOS”. Seja por participarem em manifestações, assim como por conflitos com os aparatos de repressão. Seja por serem acusados de rebelião ou criminalizados por participarem das lutas sociais.

Esses governos que não tomaram medidas efetivas para evitar o contágio na população em geral, agora aproveitam a crise do coronavirus para matar nossos jovens lutadores e ativistas presos, no Chile, em Israel, no Irã ou na China. A não liberdade destes presos pode significar a condenação destes/as ativistas à pena de morte pela infecção.