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Desde que o problema do coronavírus se tornou conhecido, ficou evidente a lentidão, embora alguns possam chamá-la de incompetência, do governo para tomar medidas que pudessem impedir um maior contágio da população colombiana. Mas o comportamento de Duque não difere muito da atitude da maioria dos diferentes governos burgueses do mundo, para os quais a coisa mais importante é a economia dos capitalistas, chegando ao cinismo de dizer que esta é uma simples “gripezinha”, como disse Bolsonaro. Ou o governo López Obrador no México que não tomou medidas sérias contra a pandemia e pediu aos mexicanos que se abraçassem, ou a atitude de Trump nos EUA que disse abertamente que não havia que dar muita bola para esta doença porque o mais importante para os EUA não era parar o país. Foi somente quando o número de pessoas infectadas e mortas pelo covid-19 começou a aumentar de maneira esmagadora que vieram com lágrimas de crocodilo, anunciando medidas um tanto “drásticas” para tentar controlar a pandemia, não sem deixar de chorar pelos lucros perdidos.

Por: Secato

O governo de Duque sempre a serviço dos empresários

De acordo com dados do próprio governo, cerca de 50% dos infectados até o final de março de 2020, eram pessoas que vieram do exterior e entraram pelos aeroportos colombianos. Foram os prefeitos das grandes cidades como Bogotá, Medellín, Cali e Cartagena, que tomaram iniciativas, declarando toques de recolher para evitar a propagação. Diante disso, a Ministra de Governo desautorizou os prefeitos e, por pressão, o presidente teve que anunciar o confinamento nacional até o dia 13 de abril e fechamento dos aeroportos três dias depois.

Mas todas as medidas tomadas foram insuficientes e não levaram em consideração as dimensões do que pode acontecer. Porque a prefeita de Bogotá deveria ter anunciado imediatamente o fechamento do sistema de transporte Transmilenio, o principal foco de contaminação que pode existir em Bogotá e o governo deveria ter decretado o fechamento de todas as empresas, entidades financeiras e públicas que não são essenciais, para combater a pandemia e evitar o contágio da população. Dizem para as pessoas que elas não podem sair de casa, enquanto mais de 50% dos colombianos vivem graças aos “bicos” e a maioria dos operários, de empresas que não são fundamentais para combater a pandemia, são obrigados a trabalhar, como as fábricas de cimento, metalúrgicas, etc.

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Todas as medidas que Duque e os prefeitos tomaram, só beneficiam aos grandes empresários e banqueiros. Hoje se destinaram bilhões de pesos para combater a pandemia, que pelo sistema usurpador criado pela lei 100, não chega aos que estão na primeira linha. Destinaram 7 bilhões de pesos¹ , não para os hospitais, e sim para as EPS², pois os trabalhadores da saúde, em inúmeras clínicas e hospitais importantes do país, estão com salários atrasados há vários meses e os insumos para médicos e enfermeiras como capas e máscaras não existem.

 Para a burguesia tudo é negócio

Existe um setor da burguesia que lucra com essa situação, desde aqueles que monopolizam produtos básicos até os que usam essas crises para comprar barato a preço de banana, “eles não dão ponto sem nó” porque a única coisa em que pensam é na taxa de lucro. A burguesia, como classe social, não está interessada em saber se o planeta está sendo destruído ou se as pessoas morrem, além do que, alguns até ficam felizes porque a maioria dos mortos tem mais de 60 anos, já são aposentados e com isso evitarão gastos “desnecessários” de certa forma, eles são os melhores expoentes do capitalismo selvagem. Eles não se importam se tudo der errado, desde que aumentem seus lucros.

Para outro setor da burguesia, que é tão desumano quanto o anterior, ao qual esta crise possivelmente está atingindo, culpou o capitalismo selvagem e está pedindo um rosto humano à exploração capitalista, como se isso fosse possível. Porque tudo em que pensam são suas propriedades e os lucros que desaparecem.

 Somente a classe trabalhadora pode deter esta barbárie

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Apesar das milhares de hipóteses que pairam hoje sobre o COVID-19, a única coisa que essa situação em que os trabalhadores do mundo vivem deixa evidente é a verdadeira face do capitalismo, serviu para tirar a máscara do capitalismo como um sistema social que traria bem-estar para a maioria da população. Hoje está nítido que todas as medidas adotadas pelos governos estão a serviço dos capitalistas.

Essa situação seria muito fácil de controlar, se ao invés dos lucros dos empresários, se pensasse na saúde da população. Com medidas como: interromper a produção de empresas que não são essenciais nesta crise ou colocá-las para produzir os insumos necessários para que a população pudesse ficar em casa com suprimentos para um mês inteiro, realizando tarefas de desinfecção e buscando casos para dar-lhes o devido tratamento e não como lixo contagioso como são tratados hoje.

Não pagar a dívida externa é a saída.

Mas muitos trabalhadores se perguntam de onde podemos obter os recursos para garantir a luta contra essa pandemia. Em agosto de 2019, a Colômbia devia US$ 135 bilhões, o equivalente a 42% do PIB. Destes, o setor público devia US$ 72,601 bilhões e apenas de juros. No orçamento para este ano de 2020 está previsto pagar, $ 5,6 trilhões de pesos¹ em capital e $ 8,5 trilhões de pesos¹ em juros.

Se essa crise atinge a todos nós, os primeiros que deveria alcançar são aqueles que viveram apenas da especulação e da riqueza resultantes do trabalho de milhões de trabalhadores assalariados. São esses parasitas que devem pagar pela crise e não dos trabalhadores que tudo que fizemos foi produzir riqueza social ao custo de nossa saúde e juventude. Está na hora de essa escória do capitalismo, os agiotas do capital financeiro, pagar pela crise. Não se trata de implorar para que renegociem ou perdoem a dívida, que já foi paga há muitos anos e, que em vez de cair, aumenta a cada dia, porque é nisso que esses abutres de rapina estão interessados.

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Cabe às organizações de trabalhadores começar a exigir NÃO pagamento. Única medida para evitar essa catástrofe.

¹ 1 dólar equivale a 4009 pesos colombianos e a 5,30 reais brasileiros no dia 19/04/2020 https://financeone.com.br/moedas/conversor-de-moedas/

² EPS, Entidade Promotora de Saúde, são empresas privadas responsáveis pela prestação de atendimento médico do Sistema de Saúde da Colômbia, mantidas por taxas pagas pelos usuários, pelas empresas e por subsídios públicos. https://www.eltiempo.com/archivo/documento/MAM-273119

Tradução: Vitor Jambo