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O mês começou com o breque dos aplicativos. Reconhecendo-se como trabalhadores, os entregadores dos apps foram à greve lutar contra as grandes empresas do setor. Os metroviários de São Paulo também prometem greve contra corte de salário e retirada de direitos. E dia 10 de julho é dia nacional de luta contra o governo Bolsonaro.

Pianinho até quando?

Na última semana de junho, Bolsonaro, após tantas ameaças de golpe, baixou o tom. É que acharam o Queiroz na casa de seu advogado. Nas cordas, seu governo ficou pianinho, prometendo ao STF e à maioria da classe dominante ser um governo tutelado ou controlado.

Ninguém sabe quanto tempo dura a hipocrisia. Mas a maioria da classe dominante, que não está a favor de um golpe hoje e, assim como o Congresso Nacional e o STF, quer que esse governo continue passando a boiada nos direitos. Então pressionam por um Bolsonaro controlado. Portanto, se depender só das brigas entre os de cima, todos os escândalos desse governo podem acabar em pizza.

Mentiras e mais mentiras

Na crise, a primeira coisa a sumir é a verdade. Começa pelos números da pandemia. O governo falsifica os dados de forma declarada, mas os outros (governadores, prefeitos, imprensa) também mentem. A subnotificação é enorme. Mesmo assim, querem que achemos normal 60 mil mortes! No ritmo de mais de 1,4 mil mortes por dia, passaremos dos 100 mil mortos em um mês.

A pandemia está completamente descontrolada. Estão nos mandando para o matadouro ao obrigar todos a trabalhar para que os capitalistas lucrem. Ainda culpam o povo “que não fica em casa”.

A brutalidade do desemprego

O desemprego explodiu no último período e é bem maior que os 12,9% do IBGE. A população ocupada despencou 7,8 milhões, e 2,5 milhões deixaram de ter carteira assinada. Menos da metade das pessoas em idade para trabalhar está no mercado de trabalho.

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O governo poderia ter evitado essa tragédia decretando estabilidade no emprego e proibindo demissões, ajudando o pequeno negócio ao mesmo tempo. Mas fez o contrário: deu sinal verde para a redução de salários e as demissões. E nada ainda para o pequeno negócio, só medidas que favorecem bancos, grandes empresas e cúpulas militares.

A sacanagem do governo com os R$ 600

Como se não bastasse os R$ 600, absolutamente insuficientes e que não chegam a todos que precisam, a humilhação continua. Depois das filas e aglomerações na Caixa Econômica Federal e de milhões que têm direito não receberem (e alguns milhares de corruptos amigos do governo fraudarem o auxílio), os que estão recebendo não recebem numa data fixa ou correta. Muitos que tiveram os R$ 600 depositados na conta pelo aplicativo só poderão mexer no dinheiro em 26 de julho.

Agora, novamente a oposição parlamentar canta vitória dizendo que vai estender os R$ 600 por mais dois meses, sendo que tem aí uma nova pegadinha do governo, que quer pagar em parcelas de R$ 300, que é para quanto ele quer diminuir o auxílio. Porém não demora quando se trata de aumentar em R$ 1.600 os salários de R$ 50 mil da cúpula das Forças Armadas.

10 de julho: fora Bolsonaro e Mourão

É tarefa de todo ativista construir um forte dia 10 de julho, com mobilização de norte a sul do país, com assembleias nos locais de trabalho, atraso de entrada e paralisação onde for possível (leia na página 7). É dia de todo mundo sair com adesivo ou fita preta e pendurar pano preto na janela. Vamos colocar a imaginação para funcionar e organizar também nossos protestos nas ocupações, na periferia, e terminar o dia com um megapanelaço.

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Unidade para lutar e alternativa socialista

Toda unidade de ação deve ser feita para lutar, derrotar e botar para fora esse governo. Da mesma maneira, seria muito progressiva uma frente única para lutar em defesa dos nossos direitos contra os ataques da patronal, dos capitalistas, dos governos, do Congresso etc.

Contudo, não há nada de progressivo, e é mesmo reacionário, fazer frentes com a burguesia para manter a ordem e entregar direitos. É esse o sentido do ato “Direitos Já”, que reuniu da deputada do PSOL-MES, Fernanda Melchionna, a Fernando Haddad e nomes expressivos do PT, além de FHC, PSDB etc. Apresentando-se em “defesa da democracia” é na verdade parte da política da burguesia para controlar Bolsonaro e um esforço de unidade nacional para jogar todo o peso da crise nas costas da classe trabalhadora e entregar o país.

São igualmente reacionárias outras propostas de frente amplas eleitorais de colaboração de classes, com um projeto de retomar o programa que o PT pôs em prática nos 14 que ficou no poder e nem sequer o saneamento básico conseguiu garantir à população.

A classe trabalhadora precisa construir uma alternativa socialista e revolucionária em direção a um governo socialista dos trabalhadores, que governe em conselhos populares; que rompa com o capitalismo para garantir pleno emprego, vida digna para todas e todos, botando um fim em toda exploração e em toda opressão contra negras e negros, indígenas, mulheres, LGBTs, imigrantes etc.