COMPARTILHAR

O presidente genocida Bolsonaro baixou uma Medida Provisória nesta quinta-feira, 14, tirando qualquer responsabilidade dos “agentes públicos” por “erros” cometidos durante a pandemia do novo coronavírus.

Por: Diego Cruz

A MP 966, apelidada de Medida Provisória do “E daí?”, na prática, garante total impunidade aos governantes, incluindo aí, óbvio, o próprio Bolsonaro, pelas atrocidades cometidas durante a pandemia que, no dia de sua publicação, já contava com mais de 13 mil mortos notificados no país.

O objetivo da MP é o de blindar o governo, ministros e, principalmente, o presidente, por qualquer irregularidade ou crime, utilizando como argumento “o contexto de incerteza acerca das medidas mais adequadas para enfrentamento da pandemia da covid-19 e das suas consequências, inclusive as econômicas“. Ou seja, visa impedir, por exemplo, que os contratos feitos sem licitação por conta da emergência da pandemia desdobrem-se em alguma punição caso seja constatado algum crime. Uma espécie de “vale-corrupção”.

A principal intenção desta medida escandalosa, porém, é a de livrar a cara de Bolsonaro. A MP mostra que a política genocida levada a cabo por ele não é resultado de ignorância, ou não só pelo menos. Bolsonaro sabe que sua ofensiva contra as parcas e insuficientes medidas de isolamento social resulta em um número crescente de mortes, que vem tornando o Brasil o epicentro mundial da pandemia.

A edição desta MP ocorre no mesmo dia em que Bolsonaro se reuniu com grandes empresários para conclamá-los a uma “guerra” contra os governadores pela reabertura da economia. “Têm que chamar o governador e jogar pesado, jogar pesado porque a questão é séria, é guerra“, disse, referindo-se ao governador de São Paulo, João Dória (PSDB). Governador que, diga-se de passagem, implementa uma política extremamente frouxa na região que é a mais afetada pela pandemia no país, negando-se, por exemplo, a decretar bloqueio total contrariando a orientação de um número cada vez maior de especialistas.

Leia também:  Peru| Por nossas vidas e direitos, antes que seus lucros

Nesta mesma reunião com pesos pesados da burguesia nacional, Bolsonaro ainda fez uma ameaça não tão velada. “Os problemas vão começar a acontecer, de caos, saque a supermercados, desobediência civil, Não adianta querer convocar as Forças Armadas porque não existe gente para tanta GLO“, advertiu.

Neste mesmo dia, Bolsonaro também disse que iria pressionar o atual ministro da Saúde, o fantoche Nelson Teich, a prescrever o que vem sendo sua obsessão, o medicamento cloroquina, nos casos ainda iniciais de COVID-19. Isso a despeito de cada vez mais estudos, no Brasil e no mundo, demonstrarem não só a ineficácia do medicamento, mas mostrando que, em grande parte dos casos, ele piora o estado dos pacientes.

Fora Bolsonaro e Mourão

Cada dia que este governo passa no poder significa um número maior de mortos pela COVID-19. A fim de proteger os lucros e os interesses dos grandes empresários e banqueiros, ele minimiza e despreza a pandemia e as suas vítimas, adota um discurso de incentivo para que as pessoas furem a quarentena, sabota as parcas medidas de distanciamento social e atrasa de todas as formas possíveis o auxílio-emergencial de R$ 600.

No início da semana, baixou um decreto surpreendente incluindo academias, barbearias e salões de beleza como “serviços essenciais”. Com isso, quer quebrar a quarentena e ainda impedir o acesso dos profissionais desses setores aos R$ 600, jogando a opinião pública contra as medidas de distanciamento social.

Essa política não tem outro nome que genocídio. E Bolsonaro tanto sabe que já quer se precaver editando essa MP, absolutamente inconstitucional, para que a pilha de corpos da pandemia não caia em suas costas.