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Política genocida de Bolsonaro põe Brasil no centro da pandemia

Enquanto fechávamos esta edição, o país ultrapassava os 500 mil casos confirmados de COVID-19 e quase 30 mil mortes, com uma curva ascendente de contaminação e óbitos.

Por: PSTU Brasil

Considerando a subnotificação, já são milhões de contaminados e um número de mortes que é no mínimo o dobro do anunciado. Quando você estiver lendo, estes números já serão bem maiores, reafirmando o Brasil como epicentro da pandemia.

Esse é o resultado direto da política genocida do governo Bolsonaro. Desde o início da pandemia, o governo tratou de esconder, minimizar e mentir sobre a real dimensão dessa crise. Elegeu a cloroquina como solução mágica para a COVID-19, contrariando todas as pesquisas, nacionais e internacionais, sobre a eficácia do medicamento, que traz sérios efeitos colaterais. O objetivo é mandar um recado à população: pode sair às ruas que, caso fique doente, tem remédio.

Ele próprio tenta ser um modelo, desrespeitando propositalmente qualquer medida de distanciamento social e provocando aglomerações. É uma política de causar confusão na cabeça da população a fim sabotar as medidas de quarentena insuficientes adotadas nos estados.

Para proteger os lucros dos banqueiros e dos grandes empresários, Bolsonaro transforma o Brasil numa grande vala a céu aberto, usando o povo, sobretudo os mais pobres, como bucha de canhão. Segundo projeção da Universidade de Washington, até o dia 4 de agosto, teremos 125 mil mortes, com o pico de contaminação e mortes ocorrendo em meados de julho. Esse estudo é baseado numa série de variáveis, como capacidade hospitalar e medidas de distanciamento social. Considerando que, justo no momento mais crítico, os estados estão afrouxando as regras já frouxas, esse índice tende a subir.

NÚMEROS FAKES
Subnotificação é política para esconder mortes

Apesar de o Brasil figurar no segundo lugar no mundo em total de contaminados, com mais de 500 mil casos confirmados, é um dos países que faz menos testes. Até o momento, foram realizados 930 mil testes, colocando o país no 16º lugar no ranking de testagem, atrás de países como Peru (1 milhão) e Venezuela (975 mil).

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Um levantamento da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) em 90 cidades mostra que a subnotificação pode esconder até sete vezes o número real de casos. Ou seja, desde muito antes de fecharmos esta edição, já superávamos em muito os 1,8 milhão de casos dos EUA, assumindo o primeiro lugar no mundo em contaminação.

Já um levantamento da Folha de S.Paulo com os próprios dados divulgados pelo governo mostra que as mortes por COVID-19 são, no mínimo, 140% superiores ao número divulgado. Contando os mortos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) que escapam da notificação de coronavírus, mas que excedem a média histórica para o período, teríamos pelo menos 72 mil mortos, ao contrário do número oficial de 30 mil até agora.

A negação na realização de testes e a subnotificação de mortes é intencional e tem o objetivo de varrer a pandemia para debaixo do tapete.

DAVA PARA EVITAR
Brasil tem 55 vezes mais mortes que Argentina

Enquanto registrávamos quase 30 mil óbitos, a Argentina tinha apenas 539. Isso mostra que a grande maioria das mortes por COVID-19 aqui eram perfeitamente evitáveis. A Argentina é um país bem mais pobre, mas fez o básico do básico no trato da pandemia: lockdown com proibição das demissões. As mortes por milhão ajudam a resolver a distorção da diferença populacional entre os países: enquanto temos 138 mortes por milhão, lá são 12.

PARA JÁ
Quarentena geral com renda e emprego para salvar vidas!

Diante da política genocida de Bolsonaro, os governadores e prefeitos anunciam um “liberou geral” e, muitas vezes, culpam de forma hipócrita a população por não respeitar a quarentena. O problema é que essa “quarentena” decretada por eles foi desde sempre insuficiente. Não garantiu a mínima condição para que grande parte dos trabalhadores, principalmente desempregados, informais e donos de pequenos comércios, possa ficar em casa, nem sequer os R$ 600, que o Governo Federal dificulta ao máximo (leia mais na página 7). Pois bem, agora, em plena curva ascendente da pandemia, estão flexibilizando tudo, sendo cúmplices de Bolsonaro no genocídio descontrolado.

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É preciso decretar quarentena geral já, garantindo à população emprego, proibição das demissões, salário emergencial de dois mínimos, pagamento já dos R$ 600 de quem ainda aguarda na fila, que Bolsonaro faz de tudo para atrasar ou não pagar. É preciso ainda que o Estado assuma os salários dos funcionários das pequenas empresas com até 20 funcionários, garantindo crédito e isenção de impostos ao setor, que concentra a grande maioria dos empregos no país e está à míngua, enquanto as grandes empresas têm todo o tipo de ajuda.

EM MEIO AO AUMENTO DE CASOS
Governadores e prefeitos correm para abrir economia

No início da crise do novo coronavírus no Brasil, prefeitos e principalmente governadores tentaram se diferenciar da política abertamente genocida de Bolsonaro e passaram a adotar medidas parciais de quarentena. Seguiam um cálculo eleitoral, já que a maior parte da população (a mais pobre principalmente) é a favor de medidas de isolamento social. Decretaram um isolamento parcial por pressão de uma parte da burguesia. O comércio foi fechado, mas as indústrias não essenciais, por exemplo, continuaram funcionando a todo vapor, transformando as fábricas em focos de contaminação.

Agora, com o agravamento da pandemia e o país com uma curva de mortes quase na vertical, as máscaras dos governadores vão caindo, e eles mostram a quais interesses realmente servem. Lembra da Itália quando morriam 700 ou 800 pessoas por dia? Se naquele momento alguém falasse que seria preciso abrir shoppings, comércio etc., certamente seria classificado como louco assassino. Pois é justamente isso que os governadores estão fazendo agora que o Brasil registra mais de mil mortes diárias.

Pressionados pelo governo Bolsonaro e pelos grandes empresários, eles anunciam a abertura da economia e o relaxamento da já relaxada quarentena. Isso coloca o país no pior dos mundos: se tivéssemos realizado uma quarentena de verdade, com os governos garantindo condições para que a população permanecesse em casa e deixando em funcionamento só os serviços essenciais, provavelmente estaríamos vendo o número de contágios e mortes caindo.

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O que se viu foi o oposto. Apenas adiaram o colapso dos serviços públicos de saúde, o que deve ocorrer com certeza com a rodada de abertura dos governadores. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), está à frente deste movimento. Apenas uma semana depois de enrolar sobre um possível anúncio de lockdown, ele simplesmente anunciou a “quarentena inteligente”, um nome bonito para seu “liberou geral”. Para se ter uma ideia, dos seis requisitos da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a flexibilização da quarentena, São Paulo só cumpre dois e de forma parcial. O principal deles, o controle da transmissão da doença, está longe de alcançar.

Se antes os governadores tentavam passar uma suposta imagem de responsabilidade, agora escancaram sua verdadeira política de se lixar para o povo e mandar todos para a morte.