1879 – No vilarejo ucraniano de Yanovka, em uma família de camponeses médios, nasce Lev Davidovitch Bronstein.

1896 – Ainda estudante, “Leiba” tem seu primeiro contato com o marxismo.

1897 – Após uma curta experiência no populismo russo, o jovem Bronstein adere ao marxismo e funda a União Operária do Sul da Rússia.

1898 – Primeira prisão com dois anos de condenação. Casa-se com Aleksandra Sokolovskaya.

1900 – Condenado ao exílio na Sibéria junto com a mulher e duas filhas. Aprofunda seus estudos do marxismo.

1902 – A convite do Lenin e com a ajuda de Aleksandra, foge da Sibéria e se junta à redação do Iskra em Londres. “A pena“, como então é chamado, devido a seus dotes literários, assume o pseudônimo de Trotsky.

1903 – Rompe com Lenin durante o II Congresso do POSDR em Londres na questão da concepção de partido, que dividiu bolcheviques de mencheviques. Permanece independente dentro do POSDR.

1905 – Com o início da primeira revolução, retorna à Rússia e é eleito presidente do Soviet de São Petersburgo. Em outubro a revolução é derrotada e todos os membros do soviet são presos.

1906 – Na cadeia, escreve a famosa brochura “Balanço e Perspectivas“, a primeira formulação da Teoria da Revolução Permanente, elaborada em base à experiência da revolução derrotada de 1905.

1907 – Nova condenação ao exílio. Desta vez Trotsky sequer chega ao destino. Foge ainda no caminho para a Sibéria e ruma à Europa.

1910 – Trabalha como correspondente na Guerra dos Bálcãs. Primeiro contato com a arte militar.

1914 – Estoura a 1ª Guerra Mundial. Imediatamente, assume uma posição internacionalista, essencialmente igual à de Lenin.

1917

27 de Fevereiro – Revolução na Rússia. A notícia da queda do Czar o encontra nos EUA, de onde parte imediatamente para a Rússia.

04 de Maio – Chega a Petrogrado e se opõe radicalmente ao governo provisório. Defende a continuidade da revolução e a passagem de todo o poder aos soviets. Esta posição o aproxima de Lenin, que havia convencido os bolcheviques – Teses de Abril – da necessidade da revolução socialista.

Julho – Com a derrota das jornadas de 03 e 04 de julho, é preso junto com vários líderes bolcheviques, acusado de traição de Estado. Seu grupo se une aos bolcheviques e é eleito ao seu Comitê Central.

Agosto – Mesmo preso, mantem-se em plena atividade, dirigindo desde a prisão a resistência à tentativa de golpe de Kornilov.

Setembro – É solto da prisão. Os bolcheviques conquistam a maioria no soviet de Petrogrado e Trotsky é eleito seu novo presidente.

Outubro – Revolução na Rússia leva o proletariado ao poder. Sob a presidência de Trotsky e com a justificativa de defesa da capital contra as tropas alemãs, o Comitê Militar Revolucionário do Soviet de Petrogrado ocupa os principais prédios da capital e derruba o Governo Provisório. O poder é entregue ao II Congresso Pan-Russo dos Soviets.

Novembro e Dezembro – À frente do Comissariado do Povo para Assuntos Estrangeiros, lidera a delegação bolchevique que negociará a paz em separado com a Alemanha. A primeira rodada de negociações fracassa, levando a uma nova ofensiva alemã contra as tropas russas. Com incontáveis perdas econômicas e territoriais para Rússia soviética, a paz é finalmente concluída.

1918 – É nomeado Comissário de Guerra e Presidente do Supremo Conselho de Guerra. Desde então até 1921 dirigirá todo o trabalho político, organizativo e militar que conduzirá os bolcheviques à vitória na guerra civil. Derrotará 14 exércitos estrangeiros e construirá um exército proletário de 5 milhões de homens e mulheres.

1919 – Derrota da primeira revolução alemã. Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht são mortos. As revoluções finlandesa e húngara também são derrotadas. Clima de incerteza na Rússia soviética. Apesar das importantes derrotas sofridas pelo proletariado, o ascenso revolucionário se mantém. Funda, junto com Lenin, a III Internacional, ou Internacional Comunista, o partido mundial da revolução proletária.

1920 – Vislumbrando já a vitória do Exército Vermelho na guerra civil e preocupado com a reconstrução econômica do país propõe, em um artigo no Pravda, medidas extraordinárias que um ano mais tarde serão formuladas mais claramente por Lenin e adotadas pelos sovietes sob o nome de NEP (Nova Política Econômica).

1921 – Vitória definitiva na guerra civil. Mantem-se formalmente à frente do Comissariado de Guerra. Fome na Rússia.

1922 – Fundada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Apesar dos receios de Lenin, Stalin é eleito Secretario Geral do partido. Primeiros sinais de burocratização. “Questão georgiana”: a mando de Stalin, Ordjonikidze agride fisicamente os dirigentes do partido georgiano para “convencê-los” a aderir à União Soviética. Lenin adoece, mas permanece parcialmente ativo e propõe a Trotsky um bloco para luta conjunta dentro do partido contra Stalin e a burocratização.

1923 – Ruptura pessoal entre Lenin e Stalin. Lenin deixa a cena política definitivamente. Acelera-se o processo de burocratização do Estado Operário. Trotsky sai à luta e publica “As lições de Outubro“, onde faz um duro balanço da atuação de alguns velhos líderes bolcheviques durante a insurreição de 1917. Por sua vez, Stalin publica seu artigo “O socialismo em um só país“, cujo nome diz tudo. Segunda revolução alemã. Trotsky propõe ao Politbureau que este o envie secretamente à Alemanha para dirigir a insurreição. O Politbureau recusa. A revolução é derrotada. A desmoralização se abate sobre toda a classe operária russa.

1924 – Lenin morre. Em seu testamento, alerta o partido contra o perigo de confiar o poder a Stalin. Enganado por Stalin sobre a data do enterro, Trotsky, que estava viajando, não comparece ao funeral. Stalin aparece como “mestre de cerimônias”, fala em nome do partido e aumenta seu prestígio. Trotsky é afastado do Comissariado de Guerra.

1925 – Aproveitando-se do refluxo da revolução mundial, Stalin faz um bloco para defender as posições a favor do “socialismo num só país”. O triunvirato Stalin-Kamenev-Zinoviev derrota as posições de Trotsky em todas as instâncias do partido e o afasta de uma série de cargos de responsabilidade.

1926 – Assume tarefas técnicas de menor importância e se abstém de polêmicas políticas públicas. Dedica-se ao estudo da economia. Percebe os perigos econômicos que ameaçam o Estado soviético e passa a defender a industrialização acelerada como única forma de manter a aliança operário-camponesa e, portanto, a estabilidade da ditadura proletária. Ao final do ano, explode novamente a luta fracional, desta vez unindo Trotsky, Zinoviev e Kamenev, a chamada “Oposição Unificada”, contra Stalin e Bukharin, que defendiam que os camponeses ricos – os kulaks – e os NEPmen tivessem ampla liberdade de iniciativa empresarial, bandeira que ficou conhecida pela consigna “Enriquecei-vos”.

1927 – Com o centro nas questões da revolução chinesa e da luta contra o kulak dentro da URSS, a luta fracional assume proporções dramáticas e irreversíveis. A Oposição Unificada decide levar seus próprios slogans para a manifestação de comemoração dos 10 anos da Revolução de Outubro. Como retaliação, são todos expulsos do Politbureau, depois do Comitê Central e por fim do partido. Zinoviev e Kamenev recuam e apelam pela reintegração, no que são atendidos. Trotsky mantem-se firme em suas posições e permanece expulso. Na China, com os operários desarmados, sem soviets e com o partido comunista dissolvido dentro do Kuomintang, por política de Stalin-Bukharin, a revolução é derrotada.

1928 – Deportação para Alma-Ata, na Ásia Central. Stalin inicia a luta contra Bukharin.

1929 – Expulsão da União Soviética e cassação de sua cidadania. Exílio na Turquia. Stalin, após liquidar qualquer oposição, assume tardiamente as propostas econômicas imediatas de Trotsky: coletiviza as terras e faz a industrialização acelerada do país, utilizando, no entanto, métodos burocráticos e, por isso, causando imensas e desnecessárias perdas.

1930 – Trotsky prevê o perigo que ameaça a Alemanha e a classe operária do mundo inteiro, caso Hitler chegue ao poder. Passa a defender a política de frente única entre o Partido Socialista e o Partido Comunista para barrar a ascensão do nazismo. O Partido Comunista alemão, sob a orientação de Stalin, recusa unidade com os socialistas, classificando-os de “ala esquerda do fascismo” ou “social-fascistas”.

1931 – Queda da monarquia espanhola e proclamação da república. Abre-se um poderoso ascenso operário e camponês. Na Alemanha o Partido Comunista se alia aos nazistas para derrubar o governo socialista da Prússia, no episódio conhecido como “Plebiscito Vermelho” (o mesmo plebiscito foi chamado pelos nazistas de “Plebiscito Negro”).

1933 – Exílio na França. Graças à política ultra-esquerdista do PC alemão, Hitler chega ao poder. Trotsky passa a defender a ruptura com a Comintern e a construção de uma nova Internacional.

1935 – Exílio na Noruega. Guinada à direita da Comintern. A direção stalinista utiliza os eventos alemães para defender a construção de governos de coalizão de classes com a burguesia democrática como única forma de derrotar o fascismo. Surgem assim as “Frentes Populares”. Trotsky condena a nova política e segue defendendo a Frente Única Operária em oposição às frentes com a burguesia.

1936 – Começam os processos de Moscou que condenam, por meio de acusações falsas, os mais importantes dirigentes do partido ao exílio e fuzilamento. Na Espanha, o ascenso do movimento de massas desemboca num governo de Frente Popular. A direita reage quase imediatamente e organiza um golpe contra o governo, dando início à Guerra Civil Espanhola. A política do PC espanhol é derrotar o fascismo em união com a burguesia, sem modificar as relações sociais do país. Trotsky, ao contrário, defende que a vitória contra o fascismo só é possível sob a condição de que se exproprie a burguesia urbana e rural e se entregue o poder à classe operária.

1937 – Exílio no México. Zinoviev e Kamenev são condenados nos processos de Moscou e fuzilados. Na Espanha, o governo de Frente Popular inicia uma ofensiva para desarmar os operários e devolver as terras expropriadas aos latifundiários, como forma de manter a unidade com a burguesia. Trotskistas e anarquistas são mortos pela Frente Popular. Começa a “guerra civil dentro da guerra civil”.

1938 – Congresso de Fundação da IV Internacional em Paris. Por razões de segurança, Trotsky não participa, mas escreve as bases programáticas da nova organização, o Programa de Transição. Último Processo de Moscou. Bukharin é condenado e fuzilado. O último filho vivo de Trotsky, Leon Sedov, é assassinado pelo estalinismo em Paris.

1939 – Vitória definitiva de Franco na Espanha. Pacto Molotov-Ribbentropp de não-agressão entre Alemanha e URSS. O pacto incluía uma cláusula secreta de partilha da Polônia. Em setembro, Hitler e Stalin invadem a Polônia, o primeiro pelo oeste e o segundo pelo leste, e estabelecem uma nova fronteira entre Alemanha e URSS. Tem início a II Guerra Mundial.

1940

Janeiro – Trotsky inicia uma intensa luta política contra setores da IV Internacional que abandonavam a caracterização da URSS como Estado Operário, em função de seu regime totalitário, do poder da burocracia e de suas relações com o nazismo. Trotsky afirma que apesar da evidente degeneração, a URSS seguia sendo um Estado Operário, uma vez que permaneciam vivas as relações de propriedade oriundas da Revolução de Outubro.

24 de Maio – Primeiro atentado contra Trotsky: sua casa é metralhada.

20 de Agosto – Segundo atentado: Trotsky é golpeado na cabeça com uma picareta por Ramon Mercader, agente stalinista.

21 de Agosto, 19h25min – Aos 60 anos de idade, Trotsky morre em decorrência do ataque sofrido no dia anterior.