No início de outubro, a militância do PT organizou um espaço de discussão para definir a participação política de nosso partido nas próximas eleições municipais.

Por: PT-Costa Rica

Nesse espaço foi definido que a participação do PT seria sem apresentação de candidaturas municipais, decisão que se baseia em vários aspectos centrais da realidade que atualmente vivemos no país.

Acreditamos que, neste momento, a principal tarefa do movimento sindical e popular é defender-se dos ataques que o governo está implementando contra o povo, por isso consideramos que o principal foco dos lutadores e lutadoras do país deve ser defender o direito de greve e a educação pública nas ruas, além de nos mobilizar para aprofundar a unidade e a luta para que sejam os ricos que paguem pela crise.

É claro que os mesmos partidos que estão aplicando as medidas contra o povo são os que vão pedir votos nas eleições municipais. Eles usarão propostas locais para tentar livrar a cara dos seus deputados, ministros e figuras políticas que estão implementando ataques contra as famílias trabalhadoras.

As eleições municipais têm um significado muito menor para as famílias trabalhadoras. É uma forma de iludir a classe trabalhadora, votar a cada quatro anos e tentar canalizar seu descontentamento para as urnas. As eleições não resolvem os problemas fundamentais que o povo está enfrentando no momento, não são elas que vão determinar as soluções para o desemprego, custo de vida, cortes na educação, saúde e moradia, etc.

Na Costa Rica, vivemos em uma democracia dos ricos, onde todas as instituições, o governo, a Assembleia Legislativa, o tribunal Constitucional, assim como os demais organismos e tribunais, a Controladoria Geral da República e também os municípios são instituições que estão direta ou indiretamente, a serviço da defesa dos interesses dos ricos e dos grandes empresários.

Diante disso, participaremos das eleições, não com um registro eleitoral, mas sim discutindo com os setores da classe trabalhadora, camponeses e estudantes, que a principal tarefa é lutar contra o governo e os empresários e seu plano de descontar a crise sobre nós. Os exemplos do povo do Equador e do Chile devem ser vistos como o caminho a seguir para aplicar a democracia nas ruas e a mobilização contra as medidas que o governo impõe para continuar pagando a dívida pública em detrimento dos salários, direitos e necessidades do povo.

No segundo turno das últimas eleições nacionais, chamamos o voto nulo, avisando que qualquer uma das opções atacaria a classe trabalhadora, e a realidade provou que estávamos certos. Hoje, devemos dizer que, seja qual for o resultado dessas eleições municipais, vão continuar os ataques à classe trabalhadora comandados ou com a cumplicidade dos mesmos partidos que concorrem aos cargos para as prefeituras.

Diante dessa realidade nós do Partido dos Trabalhadores, decidimos que, para as eleições municipais de fevereiro do próximo ano (02/02/2020), chamaremos os trabalhadores e trabalhadoras para VOTO NULO, considerando que nenhuma opção política realmente representa os interesses da classe trabalhadora. O voto nulo deve ser usado como uma maneira de mostrar o nosso descontentamento com os partidos políticos que nos atacam a partir da assembleia legislativa e  do governo com todas as medidas para jogar sobre a nossas costas os custos da crise, todos os partidos que pedem votos nos municípios, são a favor da guerra que o governo faz contra o povo. Isso inclui, sem dúvida,  o partido da Frente Ampla, pois continuam sustentando seu apoio incondicional ao presidente Carlos Alvarado dentro do governo.

Tradução: Luana Bonfante