Nos últimos dias se iniciaram uma grande quantidade de bloqueios e protestos no país contra a proposta de negociação com o FMI apresentada pelo governo. Nós do Partido dos Trabalhadores manifestamos nossa solidariedade e respaldo aos setores populares que se mobilizam em rechaço à cobrança de mais impostos da classe trabalhadora.

Por: PT-Costa Rica

Em diferentes lugares do país, centenas de homens e mulheres, trabalhadores do setor público e privado, desempregados, trabalhadores informais, camponeses, pequenos e médios proprietários saíram para se manifestar contra o aprofundamento da crise econômica que vive o país e a política deste governo de descarregá-la sobre eles. Não se luta só contra a proposta de mais impostos para negociar com o FMI, mas também contra a deterioração contínua das condições de vida do povo, que já não aguenta mais.

Diante desta situação e da pressão dos grandes empresários para desbloquear as rodovias para o bom funcionamento de suas empresas, o governo decidiu reprimir os protestos, é por isto que condenamos a atitude repressiva do governo que mais uma vez diante das demonstrações de descontentamento popular desencadeia uma repressão generalizada.

O Partido dos Trabalhadores rechaça a intenção do governo de cobrar mais impostos à classe trabalhadora, e exigimos que haja impostos para os grandes capitalistas como as empresas de zonas francas ou as grandes empresas que evadem os impostos.

Nenhuma das medidas que o governo quer impor solucionará o problema fiscal que o país tem, já que este é produto do alto nível de endividamento. O governo não tem dinheiro para pagar subsídios para os desempregados, para atender a pandemia, nem para investir em obra pública e gerar emprego. Entretanto, tem dinheiro para pagar a dívida pontualmente aos credores nacionais e internacionais, pagando somas enormes em juros.

Vimos insistindo há vários anos que não existe saída para a crise fiscal mantendo o pagamento da dívida, cada dia que passa isto se faz mais evidente. Por isto vimos apresentando a necessidade de suspender o pagamento da dívida tanto interna como externa aos seus credores privados. Esta suspensão deve vir acompanhada de uma auditoria realizada pelas próprias organizações do povo, para comprovar o caráter usurário e corrupto da mesma. Esta é a única forma de eliminar o déficit fiscal e de ter recursos para investir nas necessidades do povo.

O Fundo Monetário Internacional não nos salvará da crise, este é um organismo imperialista, cujo único fim é garantir os interesses das grandes transnacionais e empresas estrangeiras. As medidas que apresentará são muito piores que as do governo, e certamente serão mais privatizações, mais demissões no setor público, e piores condições para os trabalhadores do setor privado. É por isto que as mobilizações que estamos vendo são extremamente progressivas.

Mas esta luta, para derrotar o governo, os grandes empresários e o FMI, requer a mais ampla unidade da classe trabalhadora. É por isto que devemos combater todas as tentativas de dividir a classe trabalhadora.

Os grandes empresários querem nos fazer acreditar que a culpa da crise é dos trabalhadores do setor público. Fazem isto por um lado para dividir a classe entre trabalhadores públicos e privados, e assim debilitar nossa força. Mas o fazem também para distrair a atenção de sua responsabilidade na crise por não pagarem impostos.

Outro setores querem nos fazer acreditar que a crise é um “castigo divino”, pelos avanços que houve nos direitos das mulheres com o aborto terapêutico ou com os direitos da população lgbt com o casamento igualitário. Estas ideias só servem para dividir-nos entre homens e mulheres, heterossexuais e lgbts.

Da mesma forma, não faltam os que afirmam que a crise é produto dos imigrantes, espalhando ideias falsas sobre como supostamente se deixariam o orçamento para ajudas ou fariam a CCSS entrar em colapso.

Todas estas ideias só servem para nos dividir, por isso é necessário que compreendamos que o verdadeiro inimigo são os capitalistas, os grandes empresários, que todos os dias nos exploram, se tornam milionários com nosso trabalho e depois não pagam impostos gerando esta crise fiscal. Se quisermos derrotar os grandes empresários e o governo precisamos unificar o conjunto da classe, e isto significa tomar as reivindicações do conjunto dos setores.

A tarefa atual é fortalecer os bloqueios, toda a classe trabalhadora unida, do setor público e privado, homens e mulheres, costarriquenhos e nicaraguenses, heterossexuais e lgbts, para juntos derrotarmos os impostos do governo ao povo, rechaçar o empréstimo com o FMI, e que os grandes empresários paguem a crise.

As direções sindicais tem uma importante responsabilidade em garantir o fortalecimento da luta. Em primeiro lugar, colocando-se decididamente em apoio à mesma, em segundo lugar, chamando e organizando a partir dos sindicatos a solidariedade com os bloqueios e o apoio dos mesmos, ao invés de dar desculpas e ficar à margem como vem fazendo até agora. É preciso discutir a necessidade de preparar uma luta que derrote a lei antigreve, e enquanto isso organizar atividades em horários em que os trabalhadores possam participar.

A Frente Ampla tem uma enorme responsabilidade nesta situação. Não basta posicionar-se contra a proposta do FMI e condenar a repressão. Em primeiro lugar, tem que apoiar de forma aberta os bloqueios, e mais importante ainda, tem que romper com o governo. A FA foi co-governo do PAC de forma implícita com Luis Guillermo Solís, e agora de forma explícita com Carlos Alvarado, já que é parte do gabinete. Todos os ataques que o governo fez contra a classe trabalhadora, cada manifestante detido e espancado, tem atrás de si uma cota de responsabilidade da Frente Amplio.

Não mais repressão

Derrotemos os planos do governo nas ruas

Fora o FMI

Não mais impostos para a classe trabalhadora.

Suspensão do pagamento e auditoria da dívida pública.

Que a crise seja paga pelos grandes empresários.

Tradução: Lilian Enck