A campanha eleitoral está chegando ao fim e o momento da definição está próximo: em quem votar. Muitos ainda estão indecisos e com contradições. “Votar em Cristina K para derrotar o ajuste de Mauricio Macri?” é uma pergunta que circula. Aqui, queremos dar as razões pelas quais, se você quer realmente se opor a Cambiemos e seu plano de ajuste e repressão, deve votar nas chapas da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT) em todo o país.

Por: PSTU – Argentina

O plano do atual Governo ataca sem tréguas as condições de vida dos trabalhadores e da maioria da população, a serviço do lucro das multinacionais e dos países imperialistas, e após as eleições recrudescerá. Já nos impuseram aumentos das tarifas de todos os serviços e preparam uma nova leva para os próximos meses; promovem a reforma trabalhista por setores para destruir nossos direitos e, para fazê-lo, atacam as organizações sindicais, aproveitando de seu desprestígio por causa dos dirigentes vendidos e corruptos; como parte disso, a reforma educacional vem a destruir a educação pública e os direitos dos estudantes e professores, assim como as reformas no sistema de saúde pública; fuzileiros norte-americanos treinam em nossa Patagônia. Para aplicar este pacote de terror, Macri não hesita em usar a repressão, a tal ponto que há mais de 70 dias nos perguntamos: onde está Santiago Maldonado1?

O Governo pede o seu voto para “aprofundar a mudança”, mas essa é a maneira gentil de dizer que o pede para aprofundar esse plano que nos mergulha na miséria.

Cristina é a alternativa contra o ajuste?

Cristina Kirchner e a Unidade Cidadã pedem o seu voto dizendo que, para frear esse plano, eles são a única alternativa e que propõem um modelo completamente diferente. No entanto, se verificarmos os fatos e não apenas as palavras, veremos que isso não é assim.

Nos quase dois anos do governo Macri, o seu plano foi enfrentado por imensas mobilizações. Onde estava a líder da oposição quando os trabalhadores e o povo enfrentávamos o ajuste nas ruas? No primeiro ano, manteve-se ausente da cena política enquanto o Governo atacava incessantemente e depois apareceu com um único objetivo: pedir-nos o voto, para “enfrentar o ajuste a partir do Congresso”.

Se isto fosse verdadeiro, seria absolutamente insuficiente (porque não é de dentro do Congresso que poderemos derrotar o ajuste), mas é válido na lógica desta suposta democracia. No entanto, se vemos a atuação das forças que compõem hoje a Unidade Cidadã no Congresso, veremos que houve muito pouco enfrentamento ao plano de Macri, já que, neste ano e meio, votaram várias leis juntos, por exemplo, a do Orçamento.

Por outro lado, Cristina e o espaço político que ela dirige tentam se mostrar como representantes dos interesses dos trabalhadores e trazem, em suas chapas, como candidatos ou adeptos vários importantes dirigentes sindicais como Yasky, Palazzo, Pablo Moyano, Caló2, etc. Deixemos de lado, por um momento, o que aconteceu aos trabalhadores durante seu governo e nos atenhamos ao governo de Macri. O que estes dirigentes fizeram para derrotar o Plano Macri? Muitas declarações e poucos fatos. Sem ir muito longe, Palazzo foi parte da Confederal [órgão de decisão da CGT, NdT] que incentivou o diálogo com o Governo, sem fazer grandes escândalos. E o que Yasky faz na CTA enquanto querem nos destruir com a Reforma da Educação? O que fazem as dirigentes do #NiUnaMenos enquanto a violência machista continua aumentando?

Qual é o oposto de Macri?

Nós do PSTU não queremos mentir para você, dizendo que o voto mudará sua vida, porque não é verdade. Só a luta pode conseguir isso. Mas não dá tudo no mesmo, por isso queremos pedir o seu voto para Frente de Esquerda, cujas chapas integramos, porque é a maneira de demonstrar, neste dia 22 de outubro, que somos muitos os que queremos uma saída realmente oposta ao plano proposto por Macri.

A FIT é hoje a única coligação que oferece uma saída na perspectiva dos interesses e das necessidades dos trabalhadores e do povo, que parte de medidas a serviço de resolver as necessidades urgentes da maioria da população, e não dos interesses de tal ou qual setor empresarial e seus amos imperialistas.

Todas as outras chapas, com palavras mais ou menos bonitas, defendem os interesses patronais, que sempre são opostos aos dos trabalhadores. Você votaria em seu patrão para delegado no seu trabalho? Claro que não. E por que votar nele, então, para liderar o país?

A FIT é a única chapa, nestas eleições, que propõe a independência de classe, de modo que nós, do PSTU, mesmo não concordando em algumas questões com os partidos majoritários da FIT e debatendo-as a fundo, lutaremos para cada voto nesta proposta.

Se você ainda não se somou à campanha, te convidamos a vir conosco e a fiscalizar juntos no dia da eleição, porque cada voto que ganhamos para a FIT é um voto que arrancamos daqueles que há anos nos exploram e oprimem.

Tradução: Rosangela Botelho

Notas:

1 Ativista dos direitos humanos desaparecido desde 1º de agosto, quando participava de um protesto em apoio à causa dos indígenas mapuches no sul do país (NdT);

Hugo Yasky (CTA Kirchnerista); Sergio Palazzo (líder dos Bancários); Pablo Moyano (líder dos Caminhoneiros); Antonio Caló (líder da UOM – União Operária Metalúrgica) (NdT);