Centenas de ativistas trabalhadores e estudantes do Paquistão e da Caxemira participaram da passeata realizada pela RYWA (Aliança Revolucionária dos Trabalhadores e da Juventude) e pela JKNSF (Federação Nacional dos Estudantes de Jammu e Caxemira) entre a Rua Murree até o clube Rawalpindi Press.

Por: Aliança Revolucionária dos Trabalhadores e da Juventude (RYWA)

Todos os manifestantes cantavam palavras de ordem: Abaixo as políticas do FMI e do Banco Mundial; Abaixo o Ministério e a Comissão da Privatização; Não à privatização; Pela nacionalização sob controle operário; Não aos cortes na educação, saúde e alimentação; Fim da criminalização dos movimentos sociais; “Inqlab, inqlab, inqlab Socialista” (Revolução, revolução, revolução socialista!); Lute pelo socialismo; e muitas outras contra o FMI, o imperialismo e pela luta da classe trabalhadora e pelo socialismo. Após a chegada ao local, o camarada Mudassir subiu ao palco para saudar todos os companheiros que participaram da passeata e da Conferência.

O tema da Conferência foi Barbárie capitalista ou Socialismo. Os oradores foram os camaradas Agha Sittar (RYWA); Atif, Tamoor (JKNSF); Sabir Ali Haider, Usman (NSF – Federação Nacional dos Estudantes do Paquistão); Adil (organizador da ala operária do JKNAP – Partido Nacional Awami de Jammu e Caxemira); Qazi Naeem (Frente do Trabalho do Paquistão); Waleed (JKPNP – Partido Nacional do Povo de Jammu e Caxemira); Mazhar (JKLF – Frente de Libertação de Jammu e Caxemira); Tariq Aziz (SLF).

Em seus discursos contra a barbárie capitalista, os oradores condenaram fortemente as políticas do FMI impostas à classe trabalhadora pelo governo atual, que agora discute o tema da privatização. Segundo o governo de Nawaz, há duas opções abertas para tirar o país da crise econômica: uma é impor mais impostos sobre a população e a outra é a venda de setores públicos para empresas privadas. Isso é vergonhoso para a classe dirigente, que mostra que seu Estado é apenas um fantoche que trabalha para as empresas privadas e seus poderes supremos. A crise mundial é uma crise capitalista de esmagamento dos trabalhadores em nome de ações como “guerra contra o terrorismo”, etc., que divide o movimento de massas devido à falta de liderança revolucionária. Todos os líderes trabalhistas, a socialdemocracia e a chamada “esquerda” comprometeram-se e submeteram-se ao imperialismo, nacional e internacionalmente.

No final da Conferência, o camarada Sajid resumiu o debate para se concentrar na questão da direção revolucionária, que pode ser construída a partir da juventude, dos trabalhadores e camponeses que têm desafiado a burguesia e o sistema similar ao feudalismo no Paquistão. Em todos os lugares, existe uma inquietação e mobilizações da classe trabalhadora, que são usurpadas pela liderança oportunista degenerada , como foi feito na luta da Companhia Aérea Internacional do Paquistão (PIA) em que, por um lado, o governo utilizou a liderança da Associação de Pilotos de Empresas Aéreas (PALPA) para derrotar a greve e, por outro, ameaçou os trabalhadores e as lideranças regionais de aplicar a Lei de Serviços Essenciais de 1952, que inclui demissões e prisões de até um ano dos trabalhadores que não voltarem ao trabalho. Isso fez com que os líderes do Comitê de Ação Conjunta [comitê intersindical contra a privatização] capitulassem e seu presidente, Sohail Baloch, anunciasse o fim da greve de 8 dias.

Isso aconteceu porque a greve não se espalhou para outros setores públicos devido à falta de direção revolucionária em todos os setores desta sociedade podre, que é insuportável para a nossa classe. É por isso que, para os revolucionários, a construção dessa direção operária revolucionária é da maior importância para nossa classe. Apenas o socialismo pode gerar uma sociedade próspera para a existência da humanidade. Viva o socialismo, viva o internacionalismo!

No final, as resoluções foram aprovadas por todos os membros da Conferência.

Resoluções:

  1. Direitos básicos a todos os cidadãos em bases iguais, sem qualquer discriminação de casta ou religiosa.
  2. Direitos sociais, políticos, econômicos e religiosos a todos.
  3. Contra todo sectarismo religioso, terrorismo e racismo.
  4. Toda pessoa tem direito à liberdade de expressão.
  5. Pelo direito de eleger representantes e de revogação de mandatos.
  6. Abaixo o Ministério e a Comissão de Privatização.
  7. Igualdade de direitos e de oportunidades às mulheres em relação aos homens, devemos lutar contra a divisão entre homens e mulheres trabalhadoras.
  8. Pelo direitos das minorias e de representação institucional no Estado, como os muçulmanos.
  9. Fim da ocupação militar da Caxemira pelo Paquistão e pela Índia. Os orçamentos de defesa devem ser gastos em necessidades básicas das massas (como educação, saúde, alimentação, habitação, cultura).
  10. Pela soberania e direito de autodeterminação da Caxemira.
  11. Incentivo a indústrias familiares para criar empregos para os jovens.
  12. Todos os recursos do Baluchistão devem ser utilizados pelas massas desta província.
  13. Fim dos privilégios de casta, salários iguais para todos.
  14. Bolsas de estudo concedidas pelo Estado a todas as crianças e jovens até os 18 anos. Garantia de emprego ao completar a maioridade.
  15. Burocracia estatal simplificada e sem restrições fora dos escritórios.
  16. Autogestão de todos os setores públicos.
  17. Lutar contra o capitalismo, por um Estado operário com solidariedade internacional.
  18. Nós todos estamos convencidos de que o capitalismo não pode dar qualquer paz para a humanidade, apenas desemprego, pobreza, exploração e guerras. É por isso que nós lutamos pelo socialismo.
  19. Nossa luta é por um partido revolucionário da classe operária que irá desencorajar todas as tendências socialdemocratas e a chamada esquerda ‘revolucionária’, etc.
  20. Nós entendemos que o capitalismo é um câncer do mundo que não pode gerar qualquer prosperidade ou desenvolvimento. Apenas os trabalhadores, a juventude e os camponeses organizados em um partido revolucionário podem curar esse mal.

Tradução: Marcos Margarido.