Carta aberta aos companheiros do Comitê Nacional de Greve, Bloco para a Greve por tempo indeterminado, Centrais Sindicais Operárias, organizações sindicais, sociais, comunitárias e políticas de esquerda.

Recebam uma cordial e combativa saudação do Partido Socialista dos Trabalhadores.

A já grave situação de pobreza e desigualdade, os assassinatos seletivos, as medidas neoliberais e antioperárias deste governo e de seus antecessores, que motivaram a explosão social em 21 de novembro, vêm se agravando como resultado da pandemia e das medidas tomadas pelo governo que são direcionadas ao resgate de bancos e grandes empresas, enquanto milhares de trabalhadores e pobres enfrentam a fome e a possibilidade de contágio.

Dezenas de decretos, os mais regressivos, foram promulgados, as aposentadorias foram atacadas, beneficiando as AFPs e os bancos, presentes para o setor financeiro e para os pobres e pequenas empresas, o que é oferecido são créditos, ou seja, maiores dívidas e não ajuda concreta.

Atrasos na ajuda e subsídios aos mais vulneráveis; demissões e cortes salariais, precariedade e falta de biossegurança no setor da saúde desencadearam uma verdadeira onda de panelaços, twitaços, manifestações em todo o país, cada vez mais e mais bairros e cidades estão cobertos de panos vermelhos como símbolo da fome, mas também como um símbolo de luta. Esses protestos foram recebidos com repressão violenta e uma campanha que chama aqueles que são forçados a sair como irresponsáveis.

Ficar em casa é impossível para quem não tem teto, é uma condenação da fome para milhões de pessoas, diante da indolência e falsas promessas de ajuda dos governos nacionais e locais. Trata-se de um discurso hipócrita, uma vez que, ao promulga o #quedateencasa (fique em casa), eles tornam a quarentena mais flexível a cada dia para mais setores, sem nenhuma garantia de saúde e vida, como os operários da construção civil e fábricas.

Está avançando a implementação da “quarentena inteligente”, que nada mais é do que o salve-se quem puder, forçando os assalariados a saírem para garantir o lucro dos empregadores, mantendo os informais e os desempregados sem renda. Nos países onde essa medida foi implementada, o contágio e as mortes aumentaram. Para isso, eles usam um achatamento forçado da curva, com dados irreais, portanto não exigem testes massivos, e os relatados são de duas semanas atrás.

Mas a luta não para. Nos bairros populares soam os panelaços e camisas e toalhas de vermelhas são penduradas em suas portas e janelas como bandeiras de luta contra a fome, enquanto a população é forçada a sair às ruas para protestar. Assim, a bandeira vermelha, símbolo histórico da revolução e o socialismo hoje reforça seu significado, sendo o símbolo da luta contra a fome.

Precisamos organizar urgentemente uma campanha unificada pelo não pagamento da dívida externa e, com esses recursos, um verdadeiro plano de emergência social que nos permita sustentar uma quarentena real, colocando a vida antes dos negócios. Por isso, propomos um primeiro de maio de luta, não podemos ir às ruas, mas podemos levantar nossas vozes de diferentes maneiras, propomos algumas ações unitárias:

8h: A Internacional cantada em todas as janelas

19h: grande panelaço por quarentena sem fome, plano de emergência pago com os recursos da dívida externa.

Estamos convocando, neste dia 1º de maio, a agitar a bandeira vermelha nas janelas e varandas, exigindo medidas sérias contra a pandemia, bem como um plano de emergência que garanta comida, serviços e moradia para todos, financiado com os recursos que seriam para pagar a dívida externa.

Twitaço unitário #NãoPagarADívida # RentaBásicaJá #QuarentenaSemfome # 1deMaiodeLuta, para profissionais de saúde # BiossegurançaeFormalização.

Está na hora da classe trabalhadora mundial retomar a luta contra o capitalismo e insistir na unidade para lutar, que os ricos paguem pela crise.

Viva o primeiro de maio internacionalista e proletário!

Tradução: Lena Souza