No dia 17 de junho, o jovem branco Dylann Roof, entrou na mais antiga igreja de negros da cidade Charleston, na Carolina do Sul, e encontrou um grupo de pessoas estudando a bíblia. Friamente, Roof atirou nos fiéis e matou nove pessoas.

Preso, o criminoso confessou que o objetivo do massacre seria iniciar uma guerra racial. Em sua página no Facebook, Roofposa trajando um uniforme com bandeiras da África do Sul da época do regime de segregação do “Apartheid” e a bandeira dos estados Confederados.

Esse foi o mais dramático episódio de racismo nos EUA nos últimos meses. O país está mergulhado em uma onda de crimes raciais que envolve assassinatos de homens negros, muitos deles jovens, por policiais brancos. Em abril deste ano, a cidade vizinha, North Charleston, foi palco dessa violência racial. Um policial branco atirou oito vezes contra o motorista Walter Scott, 50 anos, após este ser detido porque um dos faróis de seu veículo que não funcionava.
 
Dividir para reinar
 
Ao longo da história o estado da Carolina do Sul sempre foi associado a difusão do racismo, que também se manifesta nos baixos padrões de vida dos trabalhadores do estado, especialmente da população negra.
O estado tem uma das maiores taxas de pobreza dos EUA, 18,6 % da população. Também tem uma das piores rendas familiar média do país. Os baixos custos trabalhistas atraíram grandes investimentos empresarias nos últimos anos. Empresas como Hoechst (química), Michelin (pneus), Bosch e Adidas foram para a região junto com montadoras como Volvo, BMW e Honda.

Além dos baixos salários, a maioria foi atraída por incentivos fiscais criados na época da instalação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) com o México e Canadá. Mas algo mais chama a atenção: A Carolina do Sul registra um dos menores índices de sindicalização de todo o país. Neste cenário, a disseminação do ódio racista está claramente a serviço da divisão da classe trabalhadora.

IMPRENSA NÃO FALA EM RACISMO

O assassinato das nove pessoas também expos o racismo da imprensa norte-americana que retratou o massacre como um ato de um louco, e evitou qualificar a ação como racista. O peso dado nos noticiários também foi bem menor se for comparado a outras tragédias, como o atentado a bomba na maratona de Boston.

Na época, os dois jovens autores do atentado foram acusados de terem relações com o terrorismo islâmico. A guerra contra o terrorismo tomou os noticiários por dias. No Brasil, não foi diferente. A grande imprensa, uma cópia malfeita do jornalismo de lá, pouco noticiou o massacre. A revista Veja, por exemplo, deu meia página sobre o assunto.