A polarização fez com que os candidatos “meio-termos”, como Massa, perdessem votos; porém, a FIT, que esteve no extremo oposto a Macri e à esquerda de Cristina, pôde aumentar seu fluxo de votos. Para a FIT foram os votos da Frente formada pelo Novo MAS e MST, mas também uma porção de votos kirchneristas, desiludidos pelo papel deste setor nos sindicatos e diante do aparecimento do corpo de Santiago.

Por: PSTU – Argentina

A FIT obteve um milhão e duzentos mil votos no país inteiro. Isto significa um crescimento importante em relação às eleições primárias (PASO). Nicolás del Caño e Romina del Pla, com 5,33% na Província de Buenos Aires, se elegeram ao Congresso Nacional junto com Nathalia González Seligra, que já ocupa uma cadeira. Guillermo Kane foi eleito deputado pela terceira seção eleitoral. A FIT conseguiu duas vagas na legislatura de Buenos Aires, onde ingressaram Miriam Bregman e Gabriel Solano.

Em Jujuy, o operário Alejandro Vilca obteve mais de 18% dos votos, entrando na legislatura provincial, junto com mais três deputados e cinco vereadores entre o interior e a capital.

Na capital de Neuquén, Patricia Jure foi eleita ao Conselho Deliberativo. Em Salta, Cláudio del Pla, entrou como deputado provincial, além de mais dois vereadores.

Uma polêmica necessária

Nós do PSTU comemoramos estes resultados porque fomos parte deste enorme esforço de militância, que significou lutar contra todas as variantes patronais. Ao contrário de Cambiemos, 1País ou UC, a FIT não é bancada por empresas e se apoia sobre a militância de todos aqueles que apoiam as candidaturas.

Acreditamos que é um passo importante ter avançado nos postos parlamentares, mas, como expressamos em polêmicas anteriores, estes postos apenas servirão às lutas e para enfrentar Macri e seu congresso cheio de corruptos se o PO (Partido Operário), IS (Esquerda Socialista) e PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas) corrigirem suas políticas. A campanha dos principais de partidos da FIT esteve centrada em pedir votos, prometendo que, com mais deputados no Congresso, os problemas dos trabalhadores seriam resolvidos. Nas palavras de Nicolás del Caño: “Nós queremos conquistar mais postos para a FIT no Congresso para impor uma saída favorável às demandas e às necessidades do povo trabalhador.” Acreditamos que isto está equivocado, como expressamos na polêmica do jornal anterior.

Os parlamentares da FIT têm a obrigação de denunciar o Congresso e os conselhos deliberativos como um antro de corruptos. O Parlamento é um tentáculo a mais do Estado burguês, não é uma organização de trabalhadores e nenhuma coisa boa pode sair de lá. Nosso dever aí é denunciá-lo como o que é e apresentar projetos de lei contrários aos de todos os partidos patronais.

Diante da confiança dos trabalhadores e do povo no Congresso, o PO, IS e PTS têm a obrigação de explicar que isso é um engano e, por meio dessa explicação e das denúncias permanentes, ir desarmando essa confiança, enquanto a confiança nas lutas e na organização independente dos trabalhadores se fortalece. Não podem voltar a votar novamente em uma lei do Pro (Partido Progressista), como fizeram com a 2X1 (polêmica decisão da Suprema Corte, que favorece a ex-repressores).

E diante da necessidade de construir uma alternativa nas lutas para derrotar Macri, a FIT deve abandonar sua posição sectária perante milhares de honestos lutadores kirchneristas e peronistas. Por trás deste sectarismo nas lutas, se esconde o oportunismo eleitoral. Não querem mobilizar com os trabalhadores nucleados na CGT, como fizeram no dia 7 de março, mas podem votar com o PRO e o kirchnerismo no Congresso.

Não é suficiente tentar unir o ativismo que segue os partidos de esquerda – algo que nem sequer conseguiram –, mas é necessário enfrentar a construção de uma frente única operária com todas essas organizações operárias, sejam peronistas, kirchneristas, etc., que estejam dispostas a se organizarem para enfrentar o governo de Macri. Necessitamos da mais ampla unidade de todos que querem enfrentar as medidas antipopulares de e repressivas do governo. Sobre este terreno é que se forjará a construção de uma verdadeira alternativa revolucionária, que lute por um governo dos trabalhadores e do povo.

Tradução: Nea Vieira