Um casal de trabalhadores bolivianos e seus quatro filhos morreram incinerados. Não foi em casa, mas sim em uma das tantas oficinas clandestinas de costura que existem em Buenos Aires. Oficinas onde trabalham e vivem amontoados milhares de operário bolivianos com seus filhos e sem as mínimas condições de higiene e saúde.


Isto não é novo. Mais de uma vez soube-se da existência desta moderna escravidão, onde bolivianos que foram trazidos enganados, trabalham 20 horas por dia de segunda a segunda, recebendo salários miseráveis e um prato de comida que devem repartir com seus filhos. Muitas vezes apareceram casos como este, mas rapidamente foram escondidos. Os donos pagam uma multa, fecham ou mudam a oficina de lugar e os operários que fizeram a denúncia ficam sem trabalho e, como são ilegais, são obrigados a abandonar o país.


A cumplicidade do governo


Não pode haver dúvidas da cumplicidade da Polícia Federal, de funcionários municipais, funcionários da imigração, do Ministério do Interior e do próprio Cônsul boliviano, que deixou chegar a esta situação, pela qual, obviamente, deve ter recebido uma parte dos lucros extraordinários extraídos destes trabalhadores. Outros que repartem estes super lucros são os donos das marcas que pagam muito menos pela confecção de suas roupas pelo fato de serem realizadas pelo trabalho escravo.


Tampouco se pode entender como o sindicato das costureiras nunca se inteirou que grande parte do trabalho nestas oficinas era realizado nestas infames condições. Até hoje não escutamos uma palavra destes dirigentes nem dos dirigentes da CGT. Estariam eles também ganhando com isso?
Desde a Alameda (a assembléia do Parque Avellaneda), e desde a UCT (União dos Trabalhadores Costureiros) única ferramenta a qual podem recorrer estes trabalhadores bolivianos, tem-se denunciado uma e outra vez esta realidade. Precisou ocorrer esta tragédia para que fossem escutados.


Unidade e mobilização para acabar com esta situação


Frente a esta cruel realidade, os trabalhadores tem suportado um terrível dilema: aceitam a escravidão ou ficam sem nenhum tipo de sustento e sem documentação que lhes permita permanecer no país.


Não podemos deixar que, novamente,  tudo siga igual, uma vez esfriado o caso e esquecido pela imprensa. Temos que exigir que o sindicato dos costureiros e a CGT assumam suas responsabilidades.


É necessária uma grande mobilização dos trabalhadores bolivianos, argentinos e de todas as nacionalidades para obrigar o que governo Kirchner e o prefeito Telerman garantam a documentação gratuitamente e os alojamentos necessários até que todos estes companheiros possam regularizar sua situação trabalhista. Os responsáveis pelo trabalho escravo devem ser punidos, mas as oficinas não podem ser fechadas. Os governos Nacional e Municipal devem garantir sua expropriação, sem indenização, para colocá-las em funcionamento com todas as condições de segurança, sob o controle dos trabalhadores.


Seria importante que os trabalhadores bolivianos, que tem grande confiança em Evo Morales, exijam que ele pressione seu amigo Kirchner para fazê-lo.


Matéria de Lucha Socialista (jornal da Frente Operária Socialista da Argentina)