PSTU em campanha por uma Frente Classista e Socialista

No Brasil, o PSTU está fazendo uma campanha pela formação de uma Frente de Esquerda Classista e Socialista como alternativa para os trabalhadores frente ao PT e aos partidos burgueses para as próximas eleições. Já foram feitas várias discussões e enviadas duas cartas ao PSOL, partido encabeçado por ex-militantes do PT, mostrando a importância de que integre a Frente. Leia aqui as duas cartas:


Carta aberta ao PSOL (13/4/2006)
 
Como todos sabem, o PSTU aprovou em sua Conferência Nacional, realizada recentemente, a proposta de constituição de uma Frente de Esquerda, Classista e Socialista. Esta frente envolveria, além do próprio PSTU, o PSOL, o PCB e também movimentos sociais que são expressão da luta dos trabalhadores deste País. A atual crise política só comprova, mais uma vez, esta necessidade. A falsa polarização entre PT e PSDB-PFL esconde uma profunda identidade entre eles na manutenção do neoliberalismo e da corrupção.


Ao aprovarmos esta proposta, entendemos que Heloísa Helena poderia encabeçar a frente numa candidatura à Presidência da República. Para isso, seria necessário que essa não fosse uma candidatura apenas do PSOL, e sim desta frente partidária e dos movimentos sociais, expressando os processos de luta e de organização dos trabalhadores e da juventude no País. Propusemos que fosse discutido um programa antiimperialista e anticapitalista, e que a frente tivesse um caráter classista, sem a presença de partidos burgueses, como o PDT.


No entanto, ao iniciarmos a discussão sobre os passos para formar essa frente com uma comissão designada pela direção do PSOL, fomos surpreendidos de forma negativa com vários acontecimentos nos últimos dias: o anúncio dos atos de lançamento das candidaturas do PSOL no Rio de Janeiro, depois em São Paulo e no Rio Grande do Sul, sem que houvesse sequer um contato anterior conosco.


Perante o anúncio da realização do ato do Rio, levamos à comissão PSTU-PSOL nosso questionamento e houve acordo que teria sido um erro. Porém, logo depois foram marcados atos em São Paulo e no Rio Grande do Sul.


Como podem ser lançados candidatos que deveriam ser de uma frente, sem qualquer discussão conosco, sem procurar integrar a base e os ativistas que compõem ou querem compor a frente? É preciso discutir com todos, ter amplitude para integrar as forças dispostas a participar da frente. É necessário primeiro discutir o programa da frente, e depois as candidaturas que vão defendê-lo. Não atuar assim indica uma postura hegemonista por parte do PSOL. Este partido busca fazer com que suas posições sejam as únicas a prevalecer e quer simplesmente a adesão dos demais partidos e dos ativistas independentes às suas candidaturas.


Obviamente, em nossa opinião, não há como constituir uma frente de esquerda nestas condições. Não haverá a simples adesão do PSTU a nenhuma candidatura. Uma frente pressupõe a discussão em comum entre os partidos, movimentos e ativistas que a compõem, do programa que vai adotar, do caráter da campanha que vamos fazer, e também sobre quem serão os candidatos.


A discussão sobre o programa da frente tem muita importância. Nele se destaca uma postura clara contra o governo e a oposição burguesa (resumida na palavra de ordem “Nem Lula, Nem Alckmin”), contra esse regime e contra o imperialismo. Existe uma grande desconfiança dos trabalhadores e jovens nessa democracia dos ricos que está aí, corrupta e completamente submetida aos interesses do grande capital.


É muito importante que a frente surja como algo novo, que não busque apenas o voto do povo, como fazem o PT e os partidos burgueses. O voto é muito importante, mas a Frente Eleitoral deve estar a serviço das lutas diretas dos trabalhadores da cidade e do campo. Da mesma forma, é muito importante que a frente expresse um programa de ruptura com o capitalismo imperialista e não de administração da crise com reformas parciais no sistema. Por este motivo, defendemos o não pagamento da dívida externa e interna às grandes empresas como carro chefe de um programa de ruptura com o imperialismo.


O PSTU acredita que a melhor candidatura à Presidência é a da companheira Heloísa Helena. Mas é necessário que a frente, no próprio perfil de suas candidaturas, expresse um conteúdo classista, ou seja, que defenda o ponto de vista dos trabalhadores. Isso não é uma questão qualquer. Hoje, mais do que nunca, é preciso dizer em alto e bom som que a libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores. Somente um governo dos trabalhadores e para os trabalhadores será capaz de levar adiante um programa de ruptura com o imperialismo e atender às necessidades do nosso povo.


Pelo lançamento das primeiras candidaturas é possível verificar que o PSOL tende a apresentar parlamentares ou intelectuais como candidatos ao governo e ao Senado. Nós defendemos candidaturas de lideranças de lutas dos trabalhadores, para afirmar este perfil classista. Por este motivo, é necessário ter uma candidatura à vice-presidência que seja uma liderança das lutas dos trabalhadores brasileiros. Pela implantação social e política que temos no País, o PSTU pode apresentar essa candidatura e por isso a reivindicamos. Da mesma forma, queremos discutir as candidaturas nos estados.


Mas, o PSOL está apostando que o candidato à vice-presidência seja também filiado ao próprio PSOL. Além disso, está lançando suas candidaturas nos estados em atos, sem qualquer discussão com os outros partidos da possível frente. Isto é a transformação da proposta de frente, na realidade, em um “apoio” às candidaturas do PSOL.


Acreditamos que as nossas propostas de programa e candidaturas devem ser discutidas. Além disso, é fundamental estabelecer espaços amplos de discussão sobre todos estes temas, de modo que os movimentos sociais e os ativistas das lutas possam também participar da discussão. A campanha da frente que queremos construir deve se transformar num grande movimento que empolgue a classe trabalhadora e a juventude na luta contra Lula e contra a oposição burguesa.


Existe um sentimento em defesa da frente e da unidade por parte dos ativistas que estão nas lutas e já romperam com o PT. Existe uma grande necessidade política de fazer essa frente acontecer. Mas para isso é necessário uma cultura distinta, também frentista. Esperamos que se reverta esse método e que consigamos avançar para a construção de nossa unidade.


Saudações Socialistas,


Direção Nacional do PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado


 


Proposta apresentada pelo PSTU á direção do P-SOL (18-03-2006)
 
Abaixo as propostas para iniciar as discussões sobre a constituição de uma Frente de Esquerda, Classista e Socialista para as eleições de 2006


1- Apresentamos neste texto algumas idéias para avançarmos na discussão e concretização de uma Frente de Esquerda, Classista e Socialista para as eleições de 2006. A imposição do calendário eleitoral como saída negociada para a crise do ano passado está se materializando em uma falsa polarização entre PT x PSDB-PFL, dois blocos burgueses que na verdade defendem a mesma política econômica neoliberal, a mesma corrupção. Isso obriga os socialistas a buscarem a composição de uma alternativa dos trabalhadores, distinta dos dois blocos burgueses dominantes.


2- Esta Frente de Esquerda também precisa se diferenciar de todas as falsas “alternativas de oposição” como o PDT. Este partido, mesmo na oposição ao governo Lula, também representa setores da burguesia. Tanto no Sul como no Norte-Nordeste, estão no PDT grupos de latifundiários perseguidores dos sem-terra. O PDT participa em várias cidades importantes do País de governos do PSDB, a exemplo de São Paulo. E está na direção da Força Sindical, tão ou mais pelega que a CUT.


Uma Frente de Esquerda real é uma frente de trabalhadores e não uma frente com a burguesia. O caminho das frentes eleitorais com partidos burgueses foi uma parte fundamental da trajetória lamentável do PT. Por isso reafirmamos a necessidade de uma Frente de Esquerda, Classista e Socialista, com o PSTU, o PSOL, o PCB e outras forças de esquerda, assim como fazemos um chamado para que o MST e outros movimentos sociais rompam com o governo e se juntem a essa frente.


3- Esta Frente não é necessária apenas para as eleições. Consideramos muito importante que se efetive na luta direta dos trabalhadores em dois sentidos principais. O primeiro é o do apoio às lutas, tanto as mobilizações salariais, como as lutas estudantis e populares, as ocupações de terras. O segundo é o apoio à formação de uma alternativa à CUT, a CONLUTAS. É necessário construir uma nova direção para as lutas diretas dos trabalhadores, diante da transformação da CUT em um braço do governo no movimento de massas.


4- A concretização da Frente em termos eleitorais, a nosso ver, deve estar apoiada em três elementos: o programa, a independência dos partidos burgueses e o respeito entre os partidos componentes da frente.


a) Programa:
– Por uma alternativa dos trabalhadores, contra os dois blocos burgueses dominantes (governo e oposição PSDB-PFL). Nem Lula, nem Alckmin!
– Oposição clara ao governo.
– Contra a democracia dos ricos!


– Não pagamento das dívidas externa e interna às grandes empresas!
– Pela retirada imediata das tropas brasileiras do Haiti!
– Abaixo as reformas neoliberais! Revogação da reforma da previdência! Não à reforma sindical e trabalhista! Abaixo a reforma universitária!


– Prisão e confisco dos bens de todos os corruptos e corruptores!
– Reforma agrária ampla e radical sob controle dos sem-terra!
– Todo apoio às lutas dos trabalhadores! Todo apoio às greves! Solidariedade às ocupações dos sem-terra!
– Todo apoio às lutas dos trabalhadores de todo o mundo! Pela retirada das tropas imperialistas do Iraque! Todo apoio à resistência iraquiana!


b) Independência política e organizativa da burguesia e seus partidos:
Nenhuma aliança com partidos burgueses de “oposição” como o PDT. Nenhum financiamento da burguesia.


c) Respeito às forças que compõem a frente por seu peso social:
É necessário respeitar a força real dos partidos e organizações que compõem ou podem compor esta frente, de acordo com seu peso social. Não nos guiamos, em uma frente de esquerda, unicamente pelo peso eleitoral, mas pela implantação nos movimentos sociais, nos sindicatos e oposições sindicais, entidades estudantis e populares.


É natural que a candidatura à presidência da República seja da companheira Heloísa Helena, do PSOL. No entanto, no marco de uma frente constituída pelo P-SOL, PSTU e PCB, reivindicamos para o PSTU o direito de indicação da vice-presidência e uma parte do tempo de TV nacional. Em nossa opinião devem ser realizadas discussões acerca dessa composição nos estados quanto às candidaturas majoritárias e proporcionais, sempre levando em conta o critério do peso social.


5- Consideramos muito importante a concretização desta frente por um acordo entre o PSOL e o PSTU, assim como do PCB e as outras organizações de esquerda dos trabalhadores que se dispuserem. Também é muito importante a adesão de setores independentes e ativistas. Para isso defendemos a realização de um encontro nacional aberto dessa frente com o objetivo de unificar todos esses setores, podendo ser útil inclusive para dirimir possíveis diferenças.


6- Por fim, propomos que essa reunião acerte um calendário de reuniões para levar à frente todos os acordos referentes à composição da Frente de Esquerda, Classista e Socialista.


Saudações Socialistas,


Direção Nacional do PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado