Diante do crescente isolamento político de Israel e da pressão popular contra os ataques ao povo palestino, voltou à baila a negociação em torno da solução dos “Dois Estados”. Mas num momento em que não há clima algum para a paz: tal qual o escorpião da fábula, incapaz de contrariar sua natureza, Israel tem dado sucessivas demonstrações de sua disposição em persistir na política expansionista e genocida.

Para o imperialismo, Israel vem se convertendo em um aliado, embora imprescindível, cada vez mais incômodo. Fracassou em sua tentativa de destruir o Hezbollah com a invasão ao Líbano em 2008. E agora, enfrenta uma campanha mundial de boicote contra o bloqueio a Gaza, que ganhou força após o criminoso ataque à Frota da Liberdade. Esse autêntico ato de pirataria foi condenado até por aliados, como a Turquia e o Egito.

A crise política do Estado sionista soma-se, assim, ao rol de pesadelos que devem tirar o sono do presidente norte-americano Barack Obama. Para ele, o acordo de paz seria uma vitória diplomática importante para reverter seus declinantes índices de popularidade e conter a ascensão conservadora nos EUA (além de finalmente justificar o Nobel da Paz concedido “a priori”). E, sobretudo, aplacaria as crescentes mobilizações de massa contra Israel.

O escorpião continua ferroando

Mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se recusou a prorrogar a moratória de instalação de novos assentamentos israelenses na Cisjordânia. Iniciada em novembro do ano passado, a pedido dos EUA para dar início ao processo de negociação, a moratória terminou agora em setembro. Além disso, prosseguem o bloqueio econômico a Gaza e a repressão, não só aos palestinos, mas a qualquer crítico do sionismo.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP), por sua vez, embora esteja sempre disposta a dizer “yes, mister Obama”, não terá condições políticas de fechar um acordo de paz em meio à contínua construção de colônias judaicas no que deveria ser o seu território.

E as organizações que não capitularam à solução de Dois Estados, como o Hamas, além do Hezbollah, no Líbano, mantêm a resistência. Mobilizações estouram em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém contra a política genocida de Israel. Segue a luta dos povos árabes contra o Estado sionista, reforçada cada vez mais pela solidariedade da classe trabalhadora internacional, num movimento de massa que já não pode ser ignorado pelos governos burgueses.

Falsa solução

O projeto de “Dois Estados” foi aceito pela antiga OLP de Yasser Arafat, com o acordo de paz de Oslo, em 1993. Assim, Arafat abdicava da luta contra o Estado sionista em favor da constituição da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Isso significou aceitar a permanência no Oriente Médio de um aparato contra-revolucionário a serviço do imperialismo, sempre disposto ao genocídio contra os povos árabes para saciar sua avidez expansionista. E a própria ANP se converteu em agente dos EUA na região.

A resistência ao imperialismo ficou a cargo do Hamas e do Hezbollah. Embora com suas limitações políticas (como a adaptação às pressões de governos burgueses, como da Síria e do Irã), assumiram o papel progressista de lutar pela independência nacional dos povos árabes na Palestina. Por isso, independentemente de nossas diferenças com essas organizações, a resistência a Israel deve contar com todo o apoio da classe trabalhadora.

Para a LIT-QI, entretanto, nem a solução dos Dois Estados, nem a substituição de um Estado sionista por um Estado muçulmano poriam fim à violência e à exploração imperialista. A única alternativa é a destruição do Estado de Israel e constituição de um Estado palestino laico e democrático, com a evolução das lutas rumo à construção de uma Federação de Repúblicas Socialistas do Oriente Médio.