A política do governo de António Costa tem sido uma contradição constante entre as condições restritivas impostas aos trabalhadores e as permissões que são dadas em favor do plano económico de submissão do país.

Por: Em Luta

Durante o confinamento, enquanto se fazia um forte ataque às liberdades democráticas com o Estado de Emergência, as grandes empresas de serviços não essenciais nunca pararam, mostrando que sempre foram os lucros capitalistas que orientaram a política do Governo, e não a defesa da vida e da saúde. Hoje estamos em processo de desconfinamento, mas esta política de dupla face continua.

Com o caso da final da Liga dos Campeões e as tristes imagens no Porto, demonstra-se que os interesses econômicos é que determinam se se pode nuns momentos restringir direitos e liberdades e noutros liberalizá-los sem quaisquer critérios sanitários. Mas mostra-se também a subserviência do país aos grandes países imperialistas – como são os ingleses e nós queremos cá o turismo inglês, vale tudo – e um projeto de país periférico que se contenta com viver do turismo e da dependência e submissão que este significa.

O exemplo da TAP e da Groundforce (GF) são uma outra face desta política de submissão. Empresas fortemente atingidas pela pandemia, os trabalhadores foram abandonados à sua sorte na GF por um governo que continua a recusar a nacionalização de um setor estratégico para o país. No caso da TAP nacionalizou, mas aplica uma reestruturação orientada pela Comissão Europeia, com milhares de despedimentos e brutais cortes de salários e direitos.

Neste contexto, o MEL (Movimento Europa e Liberdade), o Chega e o BE (Bloco de Esquerda) realizaram convenções. À direita, sentiu-se a inexistência de alternativas ao PS. A este espaço político resta o Chega, que, cavalgando o racismo e a xenofobia, capitaliza também um discurso mais agressivo, ainda que vazio, contra o Governo. À esquerda, a Convenção do BE demonstrou que parece não haver quem queira disputar uma oposição firme contra António Costa. Em várias moções alternativas, não houve quem apontasse baterias ao balanço da Geringonça, que deixou isolados os trabalhadores frente a uma austeridade que continuou, apesar das retóricas.

Às portas de uma situação de crise económica, é necessário construir um terceiro campo. É necessário criar ferramentas de luta para os trabalhadores, independentes dos patrões e governos e, inclusivamente, das geringonças que poderão estar à espreita. Um terceiro campo que faça oposição séria e sem cálculo eleitoral ao governo do PS e que, ao mesmo tempo, levante barreiras contra a extrema-direita, a xenofobia e o racismo, armas de quem nos quer mais divididos para nos continuar a atacar.

Este campo não pode limitar os seus horizontes ao Parlamento. É preciso lutar por outro mundo, por uma outra lógica, que rompa com a exploração e se organize ao serviço das necessidades da maioria: os trabalhadores e o povo pobre. É preciso lutar pelo socialismo.