O país centro-americano continua atravessando um processo violento no qual os grupos de gangues exercem terror na população. Apesar dos “planos de segurança” e seu milionário investimento, a violência no país continua como antes, as tréguas entre o governo e estes grupos não evitaram que a classe trabalhadora continuasse morrendo.

Por PCT – El Salvador

Ante a situação em que foi registrado mais de 60 assassinatos no mês de março, a administração de Nayib Bukele, apesar de seus planos terem fracassado, opta por aumentar a repressão com reformas ao código penal e um estado de exceção que envolve detenções injustas de trabalhadores que não têm nenhum vínculo com as gangues.

Como PCT queremos fazer uma análise da situação e a necessidade de nos posicionarmos diante das medidas impostas. É por isso que nossos artigos expõem não apenas um estudo sobre a conjuntura, mas também a necessidade de elevar a voz contra a violência e as políticas repressivas do Estado salvadorenho.

Fazemos uma primeira caracterização sobre as gangues e sua origem social, as medidas legais autoritárias impostas, o fracasso do Plano de Controle Territorial e a hipocrisia do governo que vende discurso de paz e felicidade enquanto faz trégua com as gangues.

As gangues em El Salvador, segundo o marxismo, são o lúmpen proletário do país, e especificamente em nosso caso são um grupo majoritariamente de jovens sem consciência de classe, provenientes de famílias pobres, fáceis de manipular e dirigidos por elites de poder econômico ou político que os utilizam quando convém e com métodos de extrema violência para manter a população sob terror.

Desde que a revolução salvadorenha foi traída, estes grupos tem sido peça chave para conter a liberdade de mobilização e expressão no país. Os fatos bárbaros que se mantém, não são novos, nem são para afetar o atual governo, mas nos vendem a ideia de que quanto mais repressão existir, mais estes grupos serão desarticulados. No entanto os planos de segurança que impõem não tem servido de nada, porque não são para funcionar e acabar com a violência, são para sustentar um Estado repressivo e preparado para qualquer rebelião do povo.

Outro dos planos usados (por baixo da mesa) é a trégua que os governos anteriores e o atual têm mantido, dando privilégios e benefícios aos líderes, enquanto precisam deles e é conveniente ter um intercâmbio de favores. Trégua que a classe trabalhadora acaba pagando com sua vida, os assassinatos diários, os desaparecimentos, roubos ou extorsões.

A violência aumenta e é a desculpa perfeita para um Estado capitalista salvadorenho que sempre torturou, capturou e reprimiu muito o povo trabalhador. Um exemplo disso é que agora a patrulha é feita por militares em tanques comprados de uma empresa israelense, com drones e armas que podem ser usados com controle remoto.

Com base nos recentes e desagradáveis fatos onde os mortos são da classe trabalhadora, o governo de Nayib Bukele junto com seu parlamento servil aprovou um decreto por 30 dias onde suspendem a liberdade de manifestação, expressão, o devido processo no momento de uma detenção e permite (por fora da lei aprovada para a espionagem legal) que os telefonemas sejam interditados, estas garantias são enquadradas nos artigos 7, 12, 13 e 24.

Esta suspensão é possível graças ao artigo 29 da Constituição onde estipula que o regime de exceção pode ser imposto em casos de guerra, rebelião ou desordem pública.

Agora a classe trabalhadora não apenas passa pelo temor de ser vítima da violência por parte das gangues, mas também ser reprimida pelo Estado que nega os direitos mais básicos.

Tradução: Lilian Enck