As organizações abaixo assinadas manifestam incondicional apoio à luta que os trabalhadores e jovens colombianos vêm travando contra o governo assassino de Iván Duque.

É inaceitável que, ao justo protesto contra medidas antipopulares, iniciada em 28 de abril de 2021, conhecida como Paralisação Nacional, tenha se dado tratamento de guerra, movimentando, nas palavras do próprio Duque, a maior capacidade operacional das forças armadas. O resultado desta política é o trágico saldo de mais de 3.400 pessoas vítimas de violência policial, mais de 1.500 detenções arbitrárias, pelo menos 47 mutilações de ao menos um olho, 27 pessoas casos de violência sexual, e o assassinato de mais de 75 pessoas nas mãos da força pública. Atualmente 89 pessoas permanecem desaparecidas, detidas por organismos de segurança do Estado, muitas das quais reportadas como desaparecidas hoje aparecem, vivas porém torturadas, ou mortas nos rios ou em fossas comuns com sinais de tortura e, inclusive, há casos aberrantes de esquartejamento que pretendem ser exemplares.

Vários destes crimes foram cometidos, depois de o Comitê Nacional de Paralisação anunciar sua decisão de suspender as ações de mobilização, sem ter conseguido assinar nem sequer um protocolo de garantias para o protesto social e a defesa dos Direitos Humanos. Esta decisão, deixou em maior vulnerabilidade aqueles que continuam lutando. A suspensão das mobilizações centralizadas incentivou o Governo a avançar em uma onda de repressão e morte, que inclui o desmantelamento a sangue e fogo dos bloqueios que persistem, mas também a perseguição dos lutadores por fora de ações de mobilização que são detidos em suas casas, ou quando perambulam pela cidade, com fins de judicialização, desaparecimento e assassinato. Esta política está sustentada em um novo decreto, que viola em todos os sentidos a própria constituição nacional e as obrigações internacionais do Estado colombiano em questão de direitos humanos no qual se converte em ilegal qualquer tipo de bloqueio de rua ou rodovia, proibindo o protesto social na prática.

Todas estas atrocidades são feitas por um governo que se diz democrático, mas que em nada se diferencia dos crimes cometidos pelas piores ditaduras e, mais ainda quando os supostos organismos de controle do Estado como o Ministério Público, a Procuradoria ou Defensoria do Povo estão nas mãos de funcionários ligados ao Centro Democrático o partido do governo, levando assim que as investigações sejam feitas pelos próprios agressores, que possivelmente serão arquivadas. Ainda mais quando se demonstrou em inumeráveis vídeos que os paramilitares ou esquadrões da morte agem na Colômbia protegidos por estes organismos de segurança estatal. Civis – paramilitares – são observados disparando junto aos policiais uniformizados em mais de um vídeo. Igualmente, é importante lembrar que o terrorismo de Estado e o paramilitarismo na Colômbia não são novos, pelo contrário, são historicamente parte integral do regime político autoritário semiditatorial disfarçado de democracia.

Por isso fazemos um chamado a:

  1. Exigir o rompimento das relações diplomáticas com o governo assassino de Iván Duque
  2. Exigir punição dos altos funcionários do Estado que ordenaram o massacre do povo como o próprio presidente, seu ministro de Defesa Molano e a alta cúpula militar e da polícia.
  3. Exigir o desmantelamento da ESMAD, corpo policial especializado em repressão e culpado de grande parte dos crimes aqui denunciados.
  4. Chamar a comunidade internacional a boicotar os produtos produzidos pelas empresas e organizações empresariais colombianas e estrangeiras que patrocinaram este massacre como o Grupo Éxito, Coca-Cola, Fedegán, Grupo Santodomingo-Valorem (Cinecolombia, Caracol e RCN televisión).

Mas também chamamos ao 28 de julho para realizar atividades a nível mundial condenando o governo assassino de Iván Duque, frente às embaixadas, consulados ou escritórios do governo colombiano.

Tradução: Lilian Enck