Para o governo de Nayib Bukele a assinatura dos acordos de paz “foi uma farsa”, para outros setores o fim do conflito armado pela via pacífica. Mas, e para aqueles que continuam esperando justiça pelos crimes de lesa humanidade que continuam sendo uma questão dolorosa para o povo salvadorenho?

Por: PCT – El Salvador

Embora na propaganda milionária, o presidente fale de dignificar as vítimas e não celebrar o pacto entre a Aliança Republicana Nacionalista (ARENA) e a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), a realidade continua sendo a mesma, continuar protegendo os assassinos do povo com uma política intencionada e contínua de impunidade.

Negar-se a abrir os arquivos do massacre de El Mozote[1] é uma forma não apenas de negar a justiça mas também de encobrir e ser cúmplice dos atores intelectuais e materiais destes fatos atrozes.

Agora não basta querer e poder sepultar dados e fatos sobre os crimes cometidos por dirigentes de partidos burgueses ou instituições repressivas como as Forças Armadas, também e como ato simbólico anula a comemoração dos acordos de paz mas não o faz por respeito à memória histórica.

Pelo contrário, com todas essas ações, Nayib Bukele busca apagar do mapa o papel genocida que o Estado salvadorenho e suas instituições desempenharam. Vergonhosamente coloca no mesmo nível a luta da classe trabalhadora organizada durante o período dos anos 80, com agentes imperialistas repressivos e entidades estatais como a Guarda Nacional, as Forças Armadas ou grupos paramilitares como os esquadrões da morte comandado pelo falecido Roberto D’Aubuisson fundador do partido ARENA.

É importante ressaltar e sobretudo não esquecer que a classe trabalhadora salvadorenha se organizou para libertar-se da miséria provocada por governos autoritários, capitalistas que fizeram desaparecer, censuravam, ameaçavam e assassinavam todo aquele camponês, estudante, mulher que estivesse contra o governo. A simples comparação é uma zombaria nefasta para a memória de nosso povo.

Depois de 30 anos continuamos sob mandatos governamentais corruptos e exploradores, porque a assinatura dos Acordos de Paz foram a consolidação de uma direção traidora da FMLN, que pactuou com a burguesia salvadorenha para evitar que a classe trabalhadora tomasse o poder e desta forma poder ser mais um partido do regime como o é hoje em dia, uma instituição a serviço dos opressores.

Dois governos da FMLN serviram para mostrar que não fariam justiça pelas vítimas e seus familiares, que comemorar o 16 de janeiro era suficiente, enquanto os assassinos continuam em liberdade sem serem julgados pelos crimes que cometeram com centenas de crianças, mulheres e homens.

A revolução salvadorenha é mais que uma comemoração

 O PCT sustenta que o fato histórico da revolução salvadorenha deve ser reivindicado não para perdoar e esquecer, muito menos para deslegitimar os acontecimentos, mas como aprendizagem para não cometer os erros de acreditar em caudilhos ou organizações burocratas traidoras.

O dever que nos segue é construir democraticamente e livre de qualquer tipo de opressão, uma alternativa que lute contra mandatos autoritários capitalistas que submergem a classe trabalhadora na barbárie sistemática, o passar dos anos nos mostra que a luta continua vigente e o programa de luta deve ser armado com todos os setores populares da população pela emancipação de nossa classe e de nosso planeta.

JULGAMENTO E PUNIÇÃO PARA OS ASSASSINOS DO POVO!

CHEGA DE CUMPLICIDADE DO GOVERNO COM OS CRIMES DE LESA HUMANIDADE!

[1] O Massacre de El Mozote aconteceu na aldeia de El Mozote, no departamento de Morazán, em El Salvador, em 11 de dezembro de 1981, quando o exército salvadorenho matou mais de 800 civis durante a Guerra Civil de El salvador (ndt.)

Tradução: Lilian Enck