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quinta-feira, julho 25, 2024

Crise do sionismo aumenta e cresce apoio à resistência armada na Palestina ocupada

Enquanto Israel caminha a passos largos para ocupar o posto merecido de Estado pária, o povo palestino enfrenta sofrimento atroz, mas segue firme e confiante. Esses são os relatos que chegam desde a Palestina ocupada. Um retrato disso é o aumento do apoio à resistência armada.

Por: Soraya Misleh

Ao derramamento de sangue imposto ao povo palestino de Gaza à Cisjordânia e Cidade Velha de Jerusalém, a resposta de quem não tem nada a perder é refletida em pesquisa do Centro Palestino para Pesquisa Política e Pesquisa entre 26 de maio e 1º de junho: 54% dos entrevistados na Cisjordânia e na Faixa de Gaza defendem esse caminho para acabar com a ocupação sionista. A pesquisa reflete também um otimismo quanto à queda do criminoso Netanyahu, mas a maioria não tem ilusões quanto a negociações com um novo governo sionista.

Há um declínio na crença de que a perspectiva de “dois estados” seria a solução e um repúdio crescente à gerente da ocupação sionista, a Autoridade Palestina: “Pouco mais da metade acredita que o Hamas é o mais merecedor de representar e liderar o povo palestino hoje, enquanto apenas 16% acreditam que o Fatah, sob a liderança de Abbas [Mahmoud Abbas], é o mais merecedor.” Noventa e quatro por cento dos habitantes da Cisjordânia e 83% de Gaza exigem a demissão do presidente Mahmoud Abbas.

Uma das razões é explicada numa reportagem do Middle East Eye: o “profissionalismo” da inteligência e forças policiais da AP, como parte da cooperação de segurança com Israel, para reprimir a resistência na Cisjordânia, mesmo em meio ao genocídio e ao aprofundamento da limpeza étnica.

A pesquisa se deu em meio a mais e mais crimes contra a humanidade, numa coleção arrepiante de massacres que compõem o genocídio em Gaza e diante do aumento do derramamento de sangue na Cisjordânia, que enfrenta limpeza étnica avançada. Até 19 de junho, sem contar os milhares de desaparecidos sob os escombros, somavam-se mais de 37 mil palestinos assassinados em Gaza e mais de 85 mil feridos, sendo 70% mulheres e crianças. Na Cisjordânia e Cidade Velha de Jerusalém, desde o início de outubro de 2023 já são mais de 520 mortos, entre os quais mais de 130 crianças. Israel vem sendo incluído dia a dia nas listas sujas da Organização das Nações Unidas (ONU): entre os maiores violadores mundiais de crianças, entre as forças de ocupação mais criminosas e por aí vai.

Para além das denúncias, a busca pela “solução final” por parte de Israel se enfrenta com um povo cuja perspectiva histórica é a libertação. “Muitos ocupantes passaram por aqui, nenhum conseguiu ficar. E nenhum imperialismo dura para sempre.” Esta é uma frase comum entre os palestinos, ensinada de geração a geração.

A resistência heroica e histórica segue viva e não se curva. “Se um de nós for eliminado, dez outros devem vir em seu lugar. Essa é a marca genuína de nossa luta, e nem a censura nem a simples cumplicidade covarde hão de apagá-la”, já revelara o intelectual palestino Edward Said (1935-2003). A máxima do revolucionário palestino marxista Ghasan Kanafani segue atual: “Com sangue nós escrevemos para a Palestina.”

Isolamento e crise

A máscara cai. A cara horrenda do Estado sionista está exposta, e o isolamento internacional se aprofunda. Ao Brasil segue colocada a exigência de que Lula rompa imediatamente relações econômicas, militares e diplomáticas com o Estado genocida de Israel.

Em meio a esse processo em que a solidariedade internacional não dá trégua, os EUA enfrentam sua própria crise. Na iminência de eleições presidenciais neste ano, o imperialismo estadunidense tenta desesperadamente encobrir a face do monstro que alimenta. Para tentar salvar o projeto colonial, pode jogar para os leões Netanyahu – em meio às fricções internas, que incluem a dissolução pelo criminoso primeiro-ministro do “gabinete de guerra” após o líder sionista Benny Gantz ter saído dessa coalizão. Mobilizações gigantescas dentro de Israel pedem a cabeça de Netanyahu, não por preocupação com as vidas palestinas, mas porque entendem que o projeto sionista está ameaçado. Netanyahu corre o risco de perder seu posto e ser preso, e responde ameaçando guerra total contra o Líbano. Assim, cava sua própria cova a cada dia.

Os EUA buscam um acordo de cessar fogo que preserve seu enclave militar e está entre as possibilidades um plano de que o pós-Gaza venha a colocar a estreita faixa nas mãos da impopular e malvista pelos palestinos Autoridade Palestina. Para tanto, cogita-se sua “revitalização” e “reforma”. E, até que a AP possa assumir a faixa, a instalação de forças de manutenção da paz das Nações Unidas em Gaza – como propôs em maio a Liga Árabe, com a presença de Abbas, no mesmo encontro em que condenou “veementemente” o bloqueio e ataques a navios comerciais pelos Houthis, do Iemên, no Mar Vermelho e Golfo de Aden.

As tais forças internacionais de paz são rejeitadas pela resistência, que entende que também colocariam um alvo em suas costas. O pior dos mundos na luta pela libertação e pós o urgente cessar fogo seria os EUA colocarem sobre a mesa um novo acordo de Oslo, que nada representou para o povo palestino a não ser mais 30 anos de paz dos cemitérios e avanço na colonização e limpeza étnica sionistas, enquanto se criava uma nova classe capitalista dependente da ocupação.

Há que se observar a movimentação junto aos históricos inimigos da causa palestina, identificados por Kanafani: além do imperialismo/sionismo, os regimes árabes e a elite reacionária árabe-palestina.

O melhor dos mundos é o aprofundamento da derrota política de Israel, sinalizando uma vitória da resistência. Fato é que a impossibilidade de eliminá-la vem sendo escrita a cada dia. Uma certeza o povo palestino carrega: não perdoará, não esquecerá, não será apagado do mapa. E jamais vai se dobrar. Rumo à Palestina livre, do rio ao mar.

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