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domingo, julho 14, 2024

Abaixo o perdão ao ditador Fujimori! Fora Dina Boluarte e o Congresso de corruptos e assassinos!

A libertação do ditador e assassino Alberto Fujimori, imposta pela correlação de forças que domina o Congresso e o governo, constitui um ataque aberto à vitória popular que significou a sua queda, e uma nítida provocação um ano após o início dos protestos no sul.

Por: PST-Peru

Os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, assim como o povo pobre, não devem esquecer que foi sob a sua ditadura que os direitos trabalhistas foram destruídos, começou a reconcentração de terras em favor dos novos latifúndios capitalistas, e também começaram as concessões às empresas de mineração. Despediu centenas de milhares de trabalhadores do Estado, além de propiciar o fechamento de fábricas e demissões massivas em todos os ramos da economia, mergulhando o povo na miséria. Ao mesmo tempo que usou o pretexto da “luta contra o terrorismo” para levar a cabo uma sistemática política de perseguição, assassinato e desaparecimentos forçados no país e estigmatização daqueles que protestaram contra ele.

Foi com os estudantes na vanguarda, entre 1997 e 2000, que trabalhadores e trabalhadoras de todo o país se uniram numa ampla frente que acabou por derrubar o regime que as Forças Armadas construíram, chefiado por Nicolás de Bari Hermoza Ríos, Fujimori e Montesinos após a combativa “Marcha de los Cuatros Suyos”, que feriu mortalmente a ditadura.

No entanto, a queda de Fujimori, de Montesinos e a cúpula das Forças Armadas não destruiu o quadro jurídico dessa ditadura, nem o seu modelo econômico. Tanto os partidos “democráticos” da burguesia (aprismo, PPC, Acción Popular, Perú Posible…), como os de “esquerda” (Partido Comunista, Patria Roja, PS de Javier Diez Canseco, etc.) que correram para pactuar o “retorno à democracia” sob os termos dos empresários.

A subsequente captura de Fujimori no Chile, o seu julgamento e condenação a 25 anos de prisão por crimes de corrupção e violações dos direitos humanos, constituem o corolário desta luta e uma vitória do movimento de massas.

É por isso que a sua libertação é um ataque contra o povo. Contra esta luta democrática, pela justiça e pela recuperação de direitos econômicos e políticos espezinhados. Não deveria surpreender, portanto, que seja o governo assassino de Boluarte que se apresse em executar a sentença de um Tribunal Constitucional nitidamente proferida pelas forças fujimoristas e pelos seus aliados do Congresso. Esses mesmos aliados que a sustentam no governo, apesar do flagrante assassinato de 49 pessoas durante os protestos do início do ano e dos ferimentos causados ​​a centenas de outros manifestantes. É a cereja que coroa de uma aliança reacionária contra os pobres e os trabalhadores e é essencial derrubá-la.

É, portanto, urgente que organizações estudantis, operárias e populares realizem assembleias e aprovem a mais ampla mobilização contra a libertação de Fujimori, pelo seu confinamento imediato numa prisão comum até cumprir a pena. Nesse sentido, as lideranças do movimento operário e popular são as primeiras chamadas a convocar esta mobilização e a encabeçá-la de forma combativa e consequente.

E mais. A luta não pode parar com a nova prisão do ditador Fujimori. A luta do início do ano foi a expressão mais viva da necessidade de terminar de apagar o legado da ditadura Fujimori. Tem sido uma luta para derrubar a Constituição dessa ditadura e tudo o que ela implica: autoritarismo, a corrupção, a entrega do país às grandes empresas mineiras e petrolíferas… enfim, o domínio do país por um punhado das grandes empresas corruptas e do desprezo pelos pobres.

Esta é uma luta que não pode, portanto, ser subordinada ao cálculo eleitoral e não tem ponto de negociação. Só a luta organizada dos trabalhadores, em aliança com o campesinato pobre e com as nacionalidades originárias do país poderá alcançar, além do retorno à prisão do ditador Fujimori, as bandeiras que o interior e o sul do país já levantaram no início do ano (“Fora Boluarte e o Congresso”, “Assembleia Constituinte”) no sentido de abrir caminho a soluções fundamentais para os problemas que nos afligem, de mãos dadas com um governo operário, popular, camponês e das nacionalidades oprimidas do país.

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