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terça-feira, julho 16, 2024

A esquerda não pode votar pelo sionismo

Há uma polêmica entre os partidos da FIT-U (Frente de Esquerda e de Trabalhadores – Unidade) e outros, em relação à votação no segundo turno.

Por: Ricardo García

Alguns, como a Esquerda Socialista (IS) com total clareza, apelam a um “voto crítico” em Massa, para evitar o triunfo do “facho” (fascista) Milei.

Outros, mais vergonhosamente, defendem o enfrentamento a Milei, sem ousar propor o voto em Massa.

Todos eles, de uma ou de outra forma, estão abonando que o conjunto da população – até mesmo os seus próprios militantes – votem no candidato peronista como o “mal menor”.

Ninguém se deve deixar enganar: a única forma concreta de enfrentar eleitoralmente tanto a Milei como Massa é propor o voto em branco, a abstenção ou a anulação do voto. Tudo o resto é apoiar – explícita ou implicitamente – o voto no candidato do partido no poder.

Isso é exatamente o que eles estão fazendo. Ninguém propõe votar contra ambos. Apenas, infelizmente, o nosso partido e muito poucos outros.

Não se pode votar em Massa nem em Milei

Eles usam vários argumentos para justificar sua posição. Nós não os compartilhamos, eles parecem errados em geral.

No entanto, a votação é uma questão tática. Está relacionado com as condições específicas de cada eleição. Ainda que os revolucionários geralmente não votem em políticos capitalistas, há exceções.

Mas desta vez há um aspeto que queremos destacar e que coloca este segundo turno numa outra condição.

Estamos assistindo um genocídio perpetrado pelo Estado Nazi-Sionista de Israel contra o povo palestino na Faixa de Gaza. Toda a esquerda mundial, com as suas diferenças, manifesta-se em apoio aos palestinos. Centenas de milhares estão se mobilizando em todo o mundo, cada vez mais.

Neste momento, localizar-se em todos os terrenos em relação ao massacre palestino é essencial para qualquer corrente que se autodenomina revolucionária.

Tanto Milei quanto Massa foram categóricos: apoiam Israel. E denunciam o povo palestino como “terrorista”. Não há a menor “brecha” entre eles. Além disso, Massa faz parte do governo que, ao contrário de outros países latino-americanos como a Bolívia, o Chile ou a Colômbia, mantém as suas relações diplomáticas com Israel em completa normalidade.

Ambos os candidatos são candidatos de Israel e do sionismo. Votar em qualquer um é votar a favor do sionismo e contra o povo palestino. Não há dúvida.

Portanto, a posição explícita da IS – acompanhada de vergonha por outros – é pró-Israel, antiPalestina.

Isso não pode ser. A Esquerda Socialista (IS) convoca aos seus militantes e trabalhadores para que votem em Massa “tapando o nariz”. Não basta tapar o nariz para votar em Massa.

Também é preciso tapar os olhos para não ver o massacre em Gaza. É preciso tapar os ouvidos para não ouvir os gritos das crianças palestinas diante das bombas. A sensibilidade revolucionária deve ser anestesiada para não sentir vergonha de votar em Massa, que apoia o genocídio. Apelamos a milhares de militantes honestos de todos estes partidos para que votem em branco, não votem ou anulem o voto. E a convencer amigos, vizinhos, familiares e companheiros de trabalho a votarem por Palestina viva. Uma Palestina livre, laica, democrática e não racista.

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