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sexta-feira, julho 19, 2024

Biden reafirma o apoio incondicional do imperialismo ianque ao sionismo

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, nesta quarta-feira realizou uma visita relâmpago a Tel Aviv. Sua chegada ocorreu não só no contexto da ofensiva em grande escala do Estado de Israel contra o povo palestino, principalmente em Gaza, mas depois do ataque sionista ao hospital Al Ahli al Arabi, que deixou ao menos 500 vítimas segundo denunciam as autoridades palestinas.

Por: Daniel Sugasti

Houve quem dissesse que, entre as intenções de Biden, estava a de conter a brutalidade da previsível invasão à Faixa e, com isso, evitar uma escalada do conflito em toda a região. Outros diziam que ia para “negociar a paz”. Nada mais longe da realidade.

Biden reiterou, como era esperado, um apoio sem fissuras a Israel e ao governo liderado pelo primeiro ministro Benjamin Netanyahu, considerado de extrema direita inclusive para parâmetros sionistas: “Vamos continuar respaldando Israel enquanto defende seu povo, vamos continuar trabalhando com vocês e com os aliados em toda a região para evitar mais tragédias a civis inocentes. Há 75 anos [em 1948], os fundadores de Israel disseram que esta nação deveria basear-se na liberdade, na justiça e na paz. Liberdade, justiça e paz. Os Estados Unidos estão do seu lado em sua defesa da liberdade para que alcancem a justiça e esta paz, hoje, amanhã e sempre, lhes prometo”.

Sobre o ataque genocida da véspera, crime de guerra inquestionável, Biden não duvidou em respaldar a versão sionista de que a explosão foi causada por um foguete palestino que falhou: “Baseando-me no que vi, parece que foi obra de outra equipe, não de vocês [os israelenses]”.

De fato, o impacto do massacre no hospital em Gaza provocou o cancelamento da cúpula em Amán, da qual participariam os governos da Jordânia, Egito e da Autoridade Palestina da Cisjordânia. Um “protesto” morno e um tanto tardio, por parte dos governos árabes que, fiéis à sua política genuflexa das últimas décadas, estão deixando correr a máquina de guerra israelense. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), antes da explosão em Al Ahli al Arabi, haviam sido documentados em Gaza outros 57 ataques contra centros de saúde com danos a 26 hospitais e outras infraestruturas, com um saldo de 16 trabalhadores mortos.

Por sua vez, Netanyahu agradeceu o respaldo de Biden com a conhecida retórica colonialista de civilização contra barbárie: “Desde o momento em que Israel foi atacado, você traçou com acerto uma linha nítida entre as forças da civilização e as forças da barbárie”, comparando Hamás com os nazis e o Estado Islâmico (ISIS). O inquilino da Casa Branca apoiou a segunda comparação, declarando que Hamas cometeu “atrocidades que fazem o ISIS parecer algo mais racional”.

Esta retórica, além de mostrar um cinismo sem limites vindo dos EUA e Israel, não tem outra intenção que a de estigmatizar a luta do povo palestino, etiquetando toda uma nação com o rótulo de “terrorista”. Isso quando não se trata os palestinos, diretamente, como “animais humanos”, como declarou o ministro de defesa israelense. Assim, preparam o terreno para justificar uma política de extermínio. A história demonstrou, incontáveis vezes, que a desumanização dos oprimidos é requisito para a ação colonialista e genocida.

Neste sentido, a visita de Biden serviu, em termos concretos, para anunciar um pacote de ajuda a Israel “sem precedentes”.

Sobre o drama humanitário de Gaza, que está sob cerco total israelense, os EUA se gabaram de ter conseguido que Israel “não se oponha” à entrada de alimentos e medicamentos a partir do Egito. Uma ajuda muito insuficiente, pois se trata de somente 50 caminhões. Nada foi dito sobre o corte de água potável, eletricidade e, sobretudo, sobre o bombardeio incessante – que inclui bombas de fósforo branco – ou a iminente invasão terrestre de tropas sionistas. O bloqueio, o ataque a civis, hospitais e escolas são considerados crimes de guerra, inclusive pelo direito internacional burguês.

É igualmente insignificante a promessa de Washington do envio de 100 milhões de dólares de ajuda humanitária para Gaza e Cisjordânia. Essa soma é incomparável com os quase 4 bilhões de dólares que Israel recebe anualmente dos EUA.

Aliados históricos

Nada disso é surpreendente. O Estado sionista de Israel age como um gendarme dos interesses imperialistas na região. De fato, junto com a Arábia Saudita e o Egito, é um dos pilares da política intervencionista dos EUA no mundo árabe. Daí o apoio “sólido como uma rocha e inquebrantável” a Tel Aviv por parte da Casa Branca.

Desde 7 de outubro, quando o Hamas humilhou a pretensas defesas impenetráveis de Israel, os EUA reforçaram esse apoio com o envio de dois de seus porta-aviões mais avançados, o USS Gerald R Ford e o USS Eisenhower, ao Mediterrâneo; a implantação de esquadrões de aviões caças F-15, F-16 e aviões de ataque A-10 na região; além do envio de equipamento adicional e munições. Com essa movimentação militar, completamente desproporcional às forças militares do povo palestino, Biden, além de garantir que Israel “tenha o que precisar para defender-se”, enviou uma mensagem de dissuasão ante a eventual tentação de intervir por parte do Hezbolá e do Irã.

No plano histórico, a aliança dos Estados Unidos com o sionismo se solidifica a cada ano com a entrega de bilhões de dólares em ajuda militar. Desde a Segunda Guerra Mundial, Israel tem sido o maior receptor de ajuda externa estadunidense. De acordo com dados dos departamentos de Defesa e Estado, desde 1951 até 2022 a ajuda militar estadunidense a Israel, ajustada a inflação, ronda os 225,2 bilhões de dólares. Em 2022, Washington concedeu 3.3 bilhões de dólares em ajuda a Israel, dos quais 99,7% foram destinados às forças armadas sionistas[1]. Cada míssil do famoso Domo de Ferro custa não menos do que 62.000 dólares. Segundo fontes israelenses, manter esse sistema de defesa custou 50 milhões de dólares em 2021.

É esta ligação umbilical com o imperialismo que explica o enorme poder bélico de Israel. Segundo o Global Fire Power (GFP), Israel ocupa a posição 18 entre as principais potências militares do mundo. Em 2022 investiu 23.4 bilhões de dólares em seu aparato militar, aproximadamente 4,5% de seu PIB[2]. Isto lhe permite contar com um contingente de 646.000 soldados, 601 aviões (entre eles, 315 dos caças mais modernos do mundo); 2.200 tanques; 67 navios de guerra e submarinos; além de cerca 90 ogivas nucleares, segundo estimativa do Instituto de Investigação para a Paz de Estocolmo. Vale lembrar que Israel é um dos poucos Estados do mundo que não assinou o Tratado de Não Proliferação de Armas Atômicas (TNP).

Biden não foi negociar a paz nem aliviar o sofrimento do povo palestino, agora sob cerco total. A sua visita foi uma aprovação das atrocidades cometidas pelos sionistas. Por esta e outras razões, a defesa da causa palestina tem uma forte componente anti-imperialista.

O povo palestino leva adiante uma guerra justa. Uma guerra contra uma ocupação colonialista de um Estado teocrático e genocida, criado e fortalecido pelas principais potências imperialistas, que há mais de 75 anos promove uma limpeza étnica contra a nação ocupada.

Por isso, as e os revolucionários, junto com todas as forças democráticas e defensoras dos direitos humanos e à autodeterminação nacional, devemos lutar lado a lado com os palestinos até a destruição do Estado de Israel e a instauração de uma Palestina única, laica, democrática e não racista em todo seu território histórico.

Até 19 de outubro, segundo a saúde de Gaza, 3.785 pessoas morreram na Faixa pelos ataques israelenses. É provável que esse número seja superior e aumente drasticamente com a invasão terrestre, que se sabe iminente.

A situação explosiva no Oriente Médio provoca uma justa revolta em todo o mundo, com manifestações de apoio à causa palestina, inclusive por parte de setores de judeus não sionistas, em numerosas cidades. No Oriente Médio, a visita de Biden a Netanyahu foi respondida com um “dia de fúria”, com milhares de manifestantes na Palestina, Jordânia, Líbano, Marrocos, Turquia e Tunísia. É o momento de promover ações de protesto, propaganda política e todo tipo de solidariedade com a causa palestina.


[1] Ver: https://www.bbc.com/mundo/articles/c2x85zgpmzlo#:~:text=Seg%C3%BAn%20datos%20de%20los%20departamentos,sido%20de%20US%24225.200%20millones.

[2] Ver: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/israel-investe-us-234-bilhoes-em-aparato-militar-o-equivalente-a-45-do-pib-do-pais-em-2022/

Tradução: Lílian Enck

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