dom set 25, 2022
domingo, setembro 25, 2022

Peru| A classe operária precisa voltar às ruas

A tarefa mais importante e urgente dos trabalhadores no momento atual é voltar à luta para recuperar protagonismo frente à crise nacional.

Por: PST Peru

Nunca suportamos uma ofensiva da burguesia em todos os terrenos como atualmente, desde a imprensa que controla de forma monopolista, a fábrica onde aumentam os abusos e demissões até o campo que se afunda na pobreza extrema. Tudo, como parte de um plano geral que, após a liquidação do governo de Castillo, visa infligir uma derrota ao conjunto da classe trabalhadora para dar lugar ao reajuste neoliberal que tanto os capitalistas almejam para gerar mais lucros.

Esta situação é responsabilidade unicamente do governo e das direções de “esquerda” que o respaldam, e da central. O governo de Castillo (junto com seus sócios políticos Peru Livre e Juntos pelo Peru) é o principal responsável por ter liquidado a vontade popular ao abandonar suas promessas eleitorais para disciplinar-se à continuidade do modelo econômico neoliberal e à Constituição fujimorista, e por sua incompetência e corrupção. As direções de “esquerda” e a central, por sua vez, também são responsáveis porque desde o início do governo de Castillo não defenderam os interesses dos trabalhadores para tornarem-se vozes do oficialismo.

Ambos, Castillo e essa “esquerda”, defenderam a não mobilização, sob o pretexto dos ataques da direita. Este pretexto se mostrou falso. Levou a apoiar o governo com todas suas traições e abominações desmobilizando os trabalhadores, deixando o caminho livre para a direita crescer e todo o concerto opositor, e para que a patronal se encorajasse. A verdadeira opção era – e é hoje – os trabalhadores ou a burguesia, nossas reivindicações ou seus lucros, e, em função dela sair à luta para exigir o cumprimento das promessas e a solução das demandas. Se esse caminho tivesse sido seguido, hoje quem estaria encurralado não seriam os trabalhadores e o povo pobre e sim a patronal. E o desmoronamento do governo por sua própria responsabilidade não teria dado lugar à reação direitista que vemos atualmente, mas a uma nova e verdadeira alternativa a partir do seio da própria classe operária.

A situação atual se resume em um paradoxo: a classe trabalhadora e os mais pobres com seu voto impuseram o governo de Castillo para que atendesse as necessidades urgentes que a pandemia deixou, mudando o modelo econômico. Mas Castillo traiu suas promessas, continuou com o mesmo e fez com que os negócios continuassem florescendo às expensas das maiorias, como por exemplo, os efeitos da crise internacional e os aumentos de preços pagos pelos trabalhadores e pelos mais pobres. Assim, sob o governo autodenominado do “povo” os ricos se tornam mais ricos e os pobres mais pobres.

Esta situação se mantém ainda hoje, quando Castillo luta pela sua sobrevivência e toda a elite política discute abertamente a forma de acabar com seu mandato. Nestas condições manter a desmobilização para continuar apoiando Castillo não é apenas tolo, mas também suicida, porque traz mais desmoralização e confusão nas bases operárias e as deixa indefesas diante do ataque patronal.

Por isso precisamos voltar à luta junto ao povo pobre. Frente ao fracasso do governo de Castillo e da reação patronal temos que nos apropriar de nossos destinos para abrir um novo caminho.

A luta de cada setor pelas suas reivindicações parciais como as listas de reivindicações, foram e são importantes, mas não freiam os ataques. Pelo contrário: ao limitar-se o enfrentamento com o patrão em um contexto onde sua política é parte de uma ofensiva mais geral, depara-se com um muro onde muitas vezes as soluções não são alcançadas e as lutas se prolongam até o desgaste das forças, como a longa greve do sindicato Costeño. A luta parcial é um desafogo e o que precisamos é derrotar a ofensiva patronal com a mobilização unida dos trabalhadores e do povo pobre.

Desencadear a luta unida significa que devemos pôr em marcha um Plano de Luta e preparar uma Paralisação Nacional, e para isso organizar as forças operárias em torno de assembleias de bases e comitês de luta. Significa também definir nitidamente as bandeiras em torno das quais colocaremos as bases em pé de luta: aumento geral de acordo com o custo de vida, emprego em massa, plano de assistência ao campo, Assembleia Constituinte.

Porém, como fazer tudo isto se todas as direções, especialmente a CGTP, desistiram de defender os interesses operários e populares para encostar no arruinado governo de Castillo? É difícil. Sem deixar de destacar, nem por um só minuto, o papel nefasto que desempenharam e desempenham, devemos exigir, especialmente da central, que assuma sua responsabilidade, colocando-se à frente dessas tarefas.

Sob o impulso desta orientação, devemos colocar de pé uma nova direção, com os elementos mais conscientes que estão à frente das lutas e que estejam dispostos a passar da luta local à luta nacional, começando por unir as lutas em todos os espaços possíveis.

Um exemplo concreto são as greves da Química Suiza, as lutas enfrentadas por diversas bases como Celima e Molitalia, cujas especificações não têm solução, a luta do Sitomun contra a discriminação trabalhista, a dos trabalhadores de Casino despedidos de forma abusiva, a de Cogorno em luta contra o fechamento da empresa. Todas elas precisam ser coordenadas e centralizadas para que ganhem, e fazê-lo no marco preparatório de uma Paralisação Operária em Lima que pare as fábricas e leve milhares de trabalhadores às ruas. Uma resposta assim pode ser um bom começo para produzir uma reviravolta no estado de imobilidade e confusão que assolam os trabalhadores.

As lutas históricas da classe operária foram travadas em torno de paralisações e greves, como foi a Paralisação Nacional de 19 de julho de 1977. Temos que retomar este caminho. É verdade que a situação atual é muito complicada e que estamos imensamente atrasados. Mas a dimensão das tarefas não é proposta por nós, mas pela realidade. O PST é consciente da pequenez de suas forças, mas compromete todas suas energias nestas tarefas, com plena convicção de que são as autênticas necessidades da classe operária e da confiança do passo que os melhores lutadores operários darão.

Tradução: Lilian Enck

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