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sexta-feira, agosto 12, 2022

Ucrânia: Somente a ação independente da classe operária levará a guerra de libertação nacional à vitória

A luta de libertação nacional do povo ucraniano contra a invasão de Putin exige medidas de libertação social da classe operária contra os saqueadores capitalistas.

Por: Grupo de Trabalhadores Ucranianos

Nós, trabalhadores ucranianos, estamos lutando há três meses contra a ocupação genocida do regime de Putin. Tendo sofrido uma derrota perto de Kiev e Kharkov, o invasor procura proteger os territórios ocupados de Donbass e do Sul como uma plataforma para a destruição de toda a Ucrânia. Após 80 anos, as consignas “Morte aos ocupantes fascistas!” e “Todos para o front, todos pela vitória!” tornou-se mais uma vez uma questão de vida ou morte para nós, ucranianos, preservar nossa liberdade e independência.

Todas as nossas forças devem estar subordinadas à tarefa de derrotar os invasores e libertar o país. A guerra se arrasta. Está se tornando cada vez mais uma guerra não apenas na linha de frente, mas também na retaguarda. Isso significa que toda a economia do país deve ser colocada a serviço da derrota do inimigo. No entanto, hoje está a serviço dos lucros dos capitalistas. Como consequência disso, entre outras coisas, há a tremenda crise de combustível, as fraudes com ajuda humanitária, a especulação dos capitalistas com os refugiados. Tudo isso mina material e moralmente a resistência interna. A tarefa de derrotar os invasores e a libertação nacional requer medidas no interesse dos trabalhadores e dos setores explorados, que devem assumir essas tarefas e o poder em nossas próprias mãos.

Como combater a crise energética? Centralizar o setor de combustíveis nas mãos do Estado, sob controle dos trabalhadores

O exército russo bombardeou a única grande refinaria de petróleo do país em Kremenchug e muitas instalações de armazenamento de combustível. O lacaio de Putin, o ditador Lukashenko, parou de fornecer gasolina à Ucrânia. O combustível da Europa é objetivamente mais caro, o que é agravado pela depreciação da hryvnia, moeda ucraniana. O retorno dos refugiados proprietários de automóveis aumentou a demanda por gasolina. Tudo isso junto deu origem a uma grave crise de combustível na Ucrânia. Hoje afetou principalmente o setor “civil”, mas também tenderá a se estender ao aspecto da defesa armada.

É necessária uma forte ação governamental para resolver esta crise. É necessário salientar declaradamente que a Ucrânia está totalmente abastecida com matérias-primas de hidrocarbonetos, que devemos controlar sem hesitação. Enquanto há uma guerra em solo ucraniano, milhões de toneladas de petróleo e bilhões de metros cúbicos de gás fluem sob nossa terra através de oleodutos da Rússia para a Alemanha para as mãos da burguesia alemã. Para isso, Putin recebe milhões de euros para continuar o genocídio na Ucrânia. Para manter esse comércio vivo, o governo alemão tornou-se um cínico defensor da sabotagem ao fornecimento de armas para a Ucrânia.

É necessário um plano para usar esses oleodutos para atender às necessidades de defesa. E, além disso, a criação de um sistema de mini-refinarias e unidades de destilação simples, como os chechenos fizeram com sucesso em 1994 na guerra vitoriosa contra o exército russo. E a introdução do racionamento de gasolina e restrições aos veículos automotores particulares para garantir combustível para a guerra e o uso do transporte público.

A solução para a crise dos combustíveis passa por ir contra os interesses das empresas privadas, que hoje controlam o mercado de combustíveis e lucram com isso. Deixar o setor de combustíveis nas mãos do mercado é enfraquecer a resistência, é ajudar Putin. A guerra exige o fim das políticas neoliberais e o estabelecimento de uma economia de guerra. Toda produção e distribuição de combustível, todo desenvolvimento e organização do setor devem ser nacionalizados e centralizados nas mãos do Estado sob o controle das organizações da classe operária e colocados a serviço das necessidades de defesa, de vitória sobre o inimigo, ao serviço da libertação do país.

Controle operário contra manobras comerciais com ajuda humanitária

A luta dos ucranianos despertou grande solidariedade entre os povos de todo o mundo. Isso se expressa, entre outras coisas, na ajuda humanitária que entra no país. No entanto, essas ajudas estão sendo saqueadas, pois são manipuladas por estruturas comerciais e funcionários corruptos. Vários casos flagrantes de especulação em larga escala na venda de ajudas recebidas já foram descobertos. Mas esses casos são “uma gota no oceano”. A ajuda humanitária está sendo oferecida em todos os lugares, aparece nas prateleiras das estruturas comerciais.

É e se estranhar que isso aconteça, quando a distribuição da ajuda humanitária está nas mãos de empresários e funcionários? “Se você quer defender sua pátria, compre-me os produtos necessários”, diz o empresário aos ucranianos comuns. Esta é a “contribuição” destas aves de rapina para proteger o nosso país! Na realidade, os capitalistas estão tirando esses produtos indispensáveis ​​dos trabalhadores, que defendemos a Ucrânia com armas na mão, e das pessoas comuns que mais sofreram com a guerra. Este é o pior tipo de saque! Desmoraliza a luta, corrói a resistência, mina seu apoio internacional e serve ao agressor Putin.

A esta guerra de libertação nacional deve corresponder uma economia nacional de guerra.

Uma distribuição socialmente justa de todos os recursos existentes deve ser garantida. Caso contrário, será uma guerra de capitalistas e comerciantes contra o povo. Os traficantes de ajuda humanitária merecem uma execução pública com confisco de bens. Em geral, para evitar fraudes e especulações, é indispensável o controle da ajuda humanitária pelos trabalhadores. Os capitalistas têm suas razões para roubar os trabalhadores, eles sempre vivem de roubar os trabalhadores com exploração. Mas não faz sentido que os trabalhadores se saqueiem a si mesmos em detrimento de sua luta e de seu país.

Os “órgãos de segurança” e “vigilância da ordem” deste estado não deixarão de lucrar com a ajuda humanitária. Porque seus próprios funcionários, que servem aos grandes capitalistas, estão envolvidos neste negócio. Para garantir a distribuição da ajuda humanitária em interesse das pessoas comuns e não dos empresários, é preciso criar destacamentos de controle operário – a partir da base, de representantes dos coletivos de trabalhadores eleitos nas empresas.

A ajuda operária internacional à resistência ucraniana

O comboio internacional da Ajuda Operária à resistência ucraniana, organizado pela Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas e a campanha em curso, na qual participam a CSP Conlutas do Brasil, Solidaires da França, Iniciativa Operária da Polônia, Adl Cobas da Itália participa, Movimento Social da Ucrânia, com o apoio do LIT-QI, conseguiu inúmeras contribuições solidárias, em dinheiro e em espécie, coletadas de trabalhadores e organizações sindicais dos mais diversos países e continentes, que foram e continuarão a ser entregue aos trabalhadores mineiros-metalúrgicos do Sindicato Independente NPG, de Krivoy Rog. Todo este enorme esforço é um exemplo de como se pode organizar para garantir que a ajuda chegue às mãos de quem precisa e de quem realmente defende o país de armas na mão e alimenta a retaguarda.

Disponibilizar hotéis e casas desocupadas para refugiados e pessoas deslocadas

A barbárie de Putin expulsou milhões de ucranianos de suas casas e locais de residência. Mas a dor dos refugiados do leste do país se tornou uma “mina de ouro” para negócios imobiliários em outras regiões. Os preços dos apartamentos na Ucrânia Ocidental mais do que duplicaram e na região de Transkarpattia mais do que triplicaram. O mercado imobiliário de aluguel tem a mesma tendência. A demanda aumentou, os preços aumentaram. Nada pessoal: mercado, negócios, barbárie. No meio da guerra, a habitação também se tornou uma fonte de negócios capitalistas. Isso deixa milhões de pessoas sob a ameaça de viver nas ruas ou em condições desumanas. Isso os força a emigrar, os exclui da luta e, assim, enfraquece a resistência e serve a Putin. Todas as habitações vazias devem ser temporariamente fornecidas gratuitamente aos refugiados.

Nacionalizar todos os ativos de empresas russas

É muito impressionante que o governo ainda esteja discutindo “oficialmente” a necessidade de confiscar os ativos de algumas empresas e financeiras russas, como o Sberbank. Ao mesmo tempo, cidadãos russos e bielorrussos comuns que vivem na Ucrânia tiveram suas contas bancárias bloqueadas. Como muitas destas pessoas viveram na Ucrânia durante muito tempo, consideram este país a sua casa, estão completamente do lado do nosso povo, em muitos casos foram forçados a deixar o seu país devido à perseguição política, e ajudam a resistência ucraniana. Manter intactos os ativos das empresas russas significa manter a “mão estendida” para negociar com o assassino no Kremlin. Mas ao mesmo tempo atinge os trabalhadores, mina a resistência e ajuda Putin. Isso deve acabar!

Os trabalhadores devem tomar em suas próprias mãos a tarefa de defender o país

As medidas indicadas são as mínimas indispensáveis. A eficácia da guerra popular e as perspectivas de libertação do país contra os invasores dependem delas. E, claro, vão contra os interesses dos oligarcas e das empresas estrangeiras.

Infelizmente, até agora o governo não tomou e não toma tais medidas. E ele é capaz de toma-las? Os interesses dos oligarcas (que nem moram na Ucrânia) e os interesses das empresas estrangeiras, para as quais a Ucrânia é apenas um lugar para obter grandes lucros e nada mais, devem ser tocados.

Pelo contrário, estão a ser feitas tentativas para combater a escassez de combustível “de acordo com as leis do mercado”, eliminando as restrições de preços. Ou seja, forçar os trabalhadores a pagar e deixar as empresas ganharem. Fraudes e manobras especulativas com ajuda humanitária – também “de acordo com as leis do mercado” – têm sido objeto de investigação e acusações criminais para alguns casos individuais de grande repercussão. Mas não há absolutamente nenhum sistema rigoroso de medidas para sua erradicação implacável.

Está se favorecendo que o mercado imobiliário continue a funcionar de acordo com as leis do mercado, que se tornam desumanas em condições de guerra. Enquanto os trabalhadores defendem a soberania do país com armas, nas suas costas o parlamento votou e o governo ratificou a modificação do Código do Trabalho de acordo com o interesse da burguesia. Quando o armamento generalizado do povo é mais necessário do que nunca para resistir ao inimigo, o Estado o impede de fato, agravando a escassez de armas modernas causada pelas potências imperialistas. Porque, é evidente que essas potências temem mais uma vitória militar das massas ucranianas do que o chacal do Kremlin.

Assessores do governo falam constantemente sobre a necessária “normalização da vida” em algumas regiões, enquanto outras estão sob ocupação, como se fossem duas Ucrânias. A Ucrânia é uma só! Toda a Ucrânia está em guerra! E o mercado, as leis contra os trabalhadores, a restrição do armamento popular, a divisão da Ucrânia em “guerra” e “partes” “pacíficas” ajudam a invasão russa.

Desta forma, os interesses dos oligarcas e das empresas estrangeiras são colocados acima das necessidades da defesa nacional, minam a retaguarda. E isso favorece o agressor genocida Putin! Dizemos claramente: enquanto aqueles que servem aos capitalistas liderarem a defesa, a resistência heroica dos trabalhadores e do povo será atormentada pela injustiça social, minando o moral em todos os lugares.

É evidente que, para alcançar a soberania nacional, devemos contar apenas com nossas forças. A classe operária deve tomar em suas próprias mãos as tarefas de defesa e vitória sobre os ocupantes, organizar-se de forma independente e avançar para o estabelecimento de seu próprio governo dos trabalhadores e do povo explorado.

 

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