{"id":10101,"date":"2010-04-06T00:31:03","date_gmt":"2010-04-06T00:31:03","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-04-06T00:31:03","modified_gmt":"2010-04-06T00:31:03","slug":"prologo-ao-livro-o-veredicto-da-historia-de-martin-hernandez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/es\/prologo-ao-livro-o-veredicto-da-historia-de-martin-hernandez\/","title":{"rendered":"Pr\u00f3logo ao livro O Veredicto da Hist\u00f3ria de Mart\u00edn Hern\u00e1ndez"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\tO livro que o leitor tem em m\u00e3os \u00e9 uma colet\u00e2nea de alguns trabalhos que Mart\u00edn Hern\u00e1ndez publicou nos \u00faltimos anos na revista <i>Marxismo Vivo<\/i>, em Confer\u00eancias, Semin\u00e1rios ou F\u00f3runs Sociais, como o de Porto Alegre.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div \/>\n\tJ\u00e1 se passaram vinte anos desde o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e outros mais desde que o capitalismo foi restaurado no &ldquo;bloco socialista&rdquo;. Durante esses anos, a ofensiva ideol\u00f3gica do capitalismo se transformou em um grito ensurdecedor. Anunciaram a &ldquo;morte do socialismo&rdquo;, a &ldquo;superioridade do capitalismo&rdquo; e declararam obsoletos o marxismo e as id\u00e9ias revolucion\u00e1rias. Previram uma nova era de distens\u00e3o, paz e progresso.<br \/>\n\t<!--more-->\n<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tMas a vida n\u00e3o deu margem a esses vendedores de ilus\u00f5es. As guerras, as revolu\u00e7\u00f5es e a descomunal crise econ\u00f4mica que hoje sacode os alicerces do sistema p\u00f5em as coisas em seus lugares. E o debate para milh\u00f5es de trabalhadores e jovens no mundo volta a ser o mesmo: qual \u00e9 a sa\u00edda?<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tO capitalismo, na sua decad\u00eancia, faz aumentar cada vez mais os sintomas inequ\u00edvocos da barb\u00e1rie. A disjuntiva hist\u00f3rica &ldquo;<i>socialismo ou barb\u00e1rie<\/i>&rdquo; recupera novos brios e exige atualizar o socialismo como sa\u00edda para a crise em que a humanidade est\u00e1 imersa. At\u00e9 os mais ardorosos defensores do sistema se v\u00eaem for\u00e7ados a falar que \u00e9 preciso &ldquo;<i>refundar o capitalismo<\/i>&rdquo;.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tPor isso \u00e9 que o trabalho de Mart\u00edn Hern\u00e1ndez tem especial relev\u00e2ncia, pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar de uma sa\u00edda socialista sem um balan\u00e7o rigoroso da experi\u00eancia &ldquo;socialista&rdquo; de quase sete d\u00e9cadas.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t\u00c9 imprescind\u00edvel ressaltar o rigor e o crit\u00e9rio marxista com que o autor aborda o problema. Precisamente porque este n\u00e3o \u00e9, infelizmente, o crit\u00e9rio usado por muitos supostos marxistas.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tAs \u00e9pocas de grandes crises sociais, quando ocorrem em meio a uma crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria com aus\u00eancia de referentes pol\u00edticos que canalizem as inquieta\u00e7\u00f5es e o descontentamento, geram uma sensa\u00e7\u00e3o de fatalismo e impot\u00eancia que leva milh\u00f5es de pessoas a buscar sa\u00eddas que est\u00e3o fora do alcance do ser humano. A m\u00edstica se apodera das consci\u00eancias e a religi\u00e3o ou a f\u00e9, em qualquer de suas manifesta\u00e7\u00f5es, preenchem o vazio causado pela aus\u00eancia de uma sa\u00edda coletiva e revolucion\u00e1ria.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tMuitos dos supostos marxistas n\u00e3o s\u00f3 abra\u00e7aram a m\u00edstica como tamb\u00e9m puseram seus conhecimentos a servi\u00e7o de propagar entre os trabalhadores e a juventude a f\u00e9 em novos salvadores. Somente isso pode explicar seu empenho em tentar nos convencer que um Tenente Coronel das For\u00e7as Armadas de um ex\u00e9rcito burgu\u00eas, respeitando e se apoiando nesta institui\u00e7\u00e3o &#8211; coluna vertebral do Estado burgu\u00eas-, nos conduzir\u00e1 ao socialismo do S\u00e9culo XXI. Somente essa onda m\u00edstica pode explicar que os repetidos acontecimentos da realidade nem perturbem muitos doutos marxistas.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tPara quem aborda a luta pelo socialismo a partir do prisma da f\u00e9, o presente livro n\u00e3o tem interesse algum. Somente reafirmar\u00e1 que t\u00e3o sacr\u00edlego autor n\u00e3o merece melhor sorte que a caminhada pelo deserto onde chove fogo, reservada aos traidores no inferno de Dante.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tMas, para quem pretende retomar a batalha a partir do socialismo cient\u00edfico partindo do primeiro princ\u00edpio de um marxista, o da realidade, e sem desconsiderar d\u00e9cadas de experi\u00eancia &ldquo;socialista&rdquo;, o livro ser\u00e1, sem d\u00favida, de interesse, independente dos acordos ou desacordos com suas an\u00e1lises e conclus\u00f5es.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tO autor, referindo-se aos acontecimentos do Leste europeu, afirma: &ldquo;<i>Muitos entenderam que as mobiliza\u00e7\u00f5es das massas e a restaura\u00e7\u00e3o eram parte de um mesmo <\/i><i>processo, mas n\u00e3o foi assim<\/i>&rdquo;. E explica como, pelo contr\u00e1rio, a onda de mobiliza\u00e7\u00f5es que sacudiu a ex-URSS e os pa\u00edses do Leste no final dos anos 80 se enfrentou precisamente com as conseq\u00fc\u00eancias de uma restaura\u00e7\u00e3o capitalista que havia come\u00e7ado h\u00e1 tempos. N\u00e3o foram os trabalhadores que &ldquo;<i>jogaram fora a \u00e1gua suja com a crian\u00e7a <\/i><i>dentro<\/i>&rdquo;. A classe oper\u00e1ria do Leste europeu tentou, em sucessivas ocasi\u00f5es, livrar-se do dom\u00ednio da burocracia stalinista e retomar o caminho socialista, mas sua luta foi afogada em sangue em Berlim, Hungria, Pol\u00f4nia e Tchecoslov\u00e1quia.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tA hist\u00f3ria ditou, 50 anos depois, seu veredicto sobre o progn\u00f3stico do velho Trotsky: &ldquo;<i>Quanto mais tempo a URSS estiver cercada de capitalismo, tanto mais profunda ser\u00e1 a degenera\u00e7\u00e3o das camadas sociais. Um isolamento indefinido deveria trazer inevitavelmente n\u00e3o um comunismo nacional, mas a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo<\/i>&rdquo;.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tMas o autor n\u00e3o se det\u00e9m neste ponto, porque o debate n\u00e3o se limita a um estudo retrospectivo, pois deve servir para entender o presente e preparar o futuro. E esta \u00e9 sem d\u00favida a parte mais pol\u00eamica do trabalho de Mart\u00edn Hern\u00e1ndez: suas conclus\u00f5es atuais sobre a China e Cuba.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t<b>China: um &ldquo;estado oper\u00e1rio burocratizado&rdquo; ou uma semi-col\u00f4nia do imperialismo?<\/b><\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tH\u00e1 tr\u00eas anos, a LIT-QI organizou um Semin\u00e1rio Internacional sobre a restaura\u00e7\u00e3o capitalista. Na sua exposi\u00e7\u00e3o, Mart\u00edn Hern\u00e1ndez defendeu que na China n\u00e3o s\u00f3 o capitalismo tinha sido restaurado como tamb\u00e9m, contra a opini\u00e3o mundial dominante, longe de estar diante do surgimento de uma nova grande pot\u00eancia, a restaura\u00e7\u00e3o condenava este gigante asi\u00e1tico a se tornar uma col\u00f4nia ou semi-col\u00f4nia do imperialismo.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tTodos os propagandistas da China fizeram, nesses anos, apologias a seu crescimento econ\u00f4mico e associaram &ldquo;reformas&rdquo; a \u00eaxito. Mas basta ver os dados do governo chin\u00eas para observar como o processo, desde 1978 at\u00e9 hoje, gerou tanta desigualdade social que, para fazer uma compara\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso se remeter \u00e0 \u00e9poca colonial anterior \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o de 1949.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tMilh\u00f5es de trabalhadores no mundo sabem que o crescimento do qual seus governos se vangloriam significa, para eles, precariedade, perda de direitos, desigualdade e mis\u00e9ria. A China levou esta regra aos extremos mais brutais. Esses anos de &ldquo;reformas&rdquo; foram, para os trabalhadores e camponeses, um flagelo selvagem. J\u00e1 em 2006, antes da eclos\u00e3o da atual crise econ\u00f4mica, o desemprego urbano chin\u00eas atingia cerca de 24 milh\u00f5es de trabalhadores. Entre 1998 e 2006, 28 milh\u00f5es de trabalhadores de empresas estatais perderam o emprego. Cem mil dessas empresas foram fechadas por fal\u00eancia, fus\u00e3o ou reestrutura\u00e7\u00e3o. Em um sistema como o chin\u00eas, no qual as empresas estatais eram obrigadas a garantir moradia, servi\u00e7os p\u00fablicos e pol\u00edticas sociais &ldquo;desde o nascimento at\u00e9 a morte&rdquo;, as demiss\u00f5es e os fechamentos significaram, para milh\u00f5es de trabalhadores, ficar repentinamente sem emprego, moradia, sa\u00fade e escola.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tEm 1960, o sistema de sa\u00fade chin\u00eas era considerado um dos mais avan\u00e7ados do mundo, apesar de ser um pa\u00eds gigantesco: 80% dos camponeses tinham acesso ao sistema de sa\u00fade financiado localmente. Segundo estat\u00edsticas oficiais de 2006, somente 22,5% dos habitantes rurais t\u00eam servi\u00e7o m\u00e9dico e mais da metade da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem acesso \u00e0 assist\u00eancia m\u00e9dica caso adoe\u00e7am.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tA moradia, como em outros pa\u00edses capitalistas com <i>boom<\/i> imobili\u00e1rio, transformou-se em um drama social. As empresas construtoras, estimuladas pelas autoridades, saquearam a terra. Burocratas locais, secret\u00e1rios do Partido e a chamada &ldquo;<i>poderosa classe empresarial<\/i>&rdquo; saquearam a terra, requalificando os terrenos e expropriando os camponeses e habitantes dos bairros populares. Em um pa\u00eds onde os direitos democr\u00e1ticos mais b\u00e1sicos n\u00e3o s\u00e3o respeitados, entre 2000 e 2006 foram documentados mais de um milh\u00e3o de casos de espolia\u00e7\u00e3o ilegal da terra.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tCerca de 160 milh\u00f5es de pessoas, fugindo da mis\u00e9ria do campo, aglomeram-se ao redor das grandes cidades da costa leste, a procura de trabalho na constru\u00e7\u00e3o, na ind\u00fastria leve ou t\u00eaxtil. S\u00e3o tratados como imigrantes pelas autoridades, que exigem deles uma permiss\u00e3o de resid\u00eancia (<i>hukou<\/i>) e que lhes \u00e9 negada em in\u00fameros casos, sendo impedidos de ter acesso aos servi\u00e7os sociais e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de seus filhos. Em mar\u00e7o de 2006, o governo teve que adotar medidas de urg\u00eancia porque, nas grandes cidades costeiras, 6,4 milh\u00f5es de crian\u00e7as entre seis e 14 anos tinham ficado sem escola.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tVivendo nas mais prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es, esses trabalhadores sem direitos formam as modernas favelas do &ldquo;socialismo de mercado&rdquo;. Milh\u00f5es de oper\u00e1rios e oper\u00e1rias fazem jornadas ilimitadas por uma remunera\u00e7\u00e3o anual m\u00e9dia de 1.276 d\u00f3lares (2006), ainda que outras fontes diminuam esses dados oficiais para 600 d\u00f3lares\/ano.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tApesar do que a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista estabelece, somente dois em cada 10 trabalhadores das empresas privadas t\u00eam contrato formal. Na constru\u00e7\u00e3o, a falta de contrato deixa os trabalhadores absolutamente sem defesa: sem indeniza\u00e7\u00e3o quando acaba a rela\u00e7\u00e3o trabalhista, sem acesso aos servi\u00e7os m\u00e9dicos e muitas vezes sem os \u00faltimos sal\u00e1rios. O desastre \u00e9 t\u00e3o grande que o governo teve que aprovar uma nova lei de contratos que entrou em vigor em janeiro de 2008.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tEm semelhantes condi\u00e7\u00f5es, o \u00edndice de acidentes de trabalho faz estragos. Um exemplo \u00e9 a minera\u00e7\u00e3o, setor no qual a China tem pouco mais de 23 mil explora\u00e7\u00f5es, das quais 3.200 s\u00e3o de propriedade estatal e 22 mil s\u00e3o administradas por sociedades privadas. &ldquo;<i>Nos \u00faltimos tempos, cerca de sete mil mineiros anualmente, isso \u00e9, 80% do total mundial, ficaram sepultados sob a terra em inunda\u00e7\u00f5es ou outros acidentes<\/i>&rdquo; (Xulio Rios).<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tExcederia o objetivo de um pr\u00f3logo apresentar muitos dados sobre a deteriora\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, a opress\u00e3o nacional ou a situa\u00e7\u00e3o da mulher na China. O leitor ou leitora deve analisar todos esses dados \u00e0 luz da atualidade da crise econ\u00f4mica que sacode o mundo e que j\u00e1 provocou mais de 20 milh\u00f5es de demiss\u00f5es na China nos \u00faltimos meses e conhecer\u00e1 a verdadeira dimens\u00e3o do &ldquo;milagre chin\u00eas&rdquo;.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tTransformar a China na &ldquo;f\u00e1brica do mundo&rdquo; s\u00f3 foi poss\u00edvel com a espolia\u00e7\u00e3o das riquezas, a super explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e a repress\u00e3o dos protestos a sangue e fogo.<\/div>\n<div>\n\t<br \/>\n\tE \u00e9 nesse ponto que novamente as teses de Mart\u00edn Hern\u00e1ndez devem ser submetidas \u00e0 prova da realidade. &ldquo;<i>Muitos entenderam que as mobiliza\u00e7\u00f5es das massas e a restaura\u00e7\u00e3o eram parte de um mesmo <\/i><i>processo, mas n\u00e3o foi assim<\/i>&rdquo;. Efetivamente, a China foi uma das mais tr\u00e1gicas demonstra\u00e7\u00f5es de como as massas, \u00e0 sua maneira, enfrentaram as conseq\u00fc\u00eancias da restaura\u00e7\u00e3o, sofrendo um massacre para que o capitalismo chin\u00eas continuasse o atropelo.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tEste ano, os eventos de Tiananmen completam seu 20\u00ba anivers\u00e1rio. Em um contexto de crescente protesto social ao longo de toda a d\u00e9cada, o ano de 1989 significou um salto qualitativo. As manifesta\u00e7\u00f5es que vinham acontecendo conflu\u00edram no dia 22 de abril na Pra\u00e7a de Tiananmen. Mais de cem mil trabalhadores e estudantes lotaram esta grande Pra\u00e7a de Pequim exigindo, entre outras coisas, que os sal\u00e1rios dos dirigentes do PCC (Partido Comunista Chin\u00eas) e do governo se tornassem p\u00fablicos, ao mesmo tempo em que solicitavam o aumento das bolsas de estudos aos estudantes e a liberdade de express\u00e3o, associa\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tAlguns dias antes foi criada a <i>Federa\u00e7\u00e3o Aut\u00f4noma de Trabalhadores de Pequim<\/i> (<i>Gongzilian<\/i>), que em poucas semanas contava com mais de 20.000 filiados. Os estudantes tamb\u00e9m constitu\u00edram suas pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es, como a <i>Associa\u00e7\u00e3o Aut\u00f4noma de Estudantes<\/i>. In\u00fameros grupos foram se constituindo no calor do protesto social.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tAp\u00f3s v\u00e1rias marchas multitudin\u00e1rias, no dia 4 de maio, os estudantes convocaram uma grande concentra\u00e7\u00e3o na Pra\u00e7a de Tiananmen, evocando a manifesta\u00e7\u00e3o estudantil de 4 de maio de 1919 contra o imperialismo japon\u00eas. Mais de cem mil estudantes se reuniram, desafiando assim as autoridades. Manifesta\u00e7\u00f5es similares ocorreram em outras cidades, como Nank\u00edn, Xangai, Hong Kong ou Wuhan.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tA partir do dia 13 de maio, mais de dois mil estudantes resolveram se instalar permanentemente na Pra\u00e7a, junto ao monumento em homenagem aos her\u00f3is da revolu\u00e7\u00e3o, e declararam greve de fome. Aquilo se transformou em uma peregrina\u00e7\u00e3o de milhares de pessoas, centenas de milhares em alguns momentos, que iam manifestar seu apoio.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tAs massas, em atitudes her\u00f3icas que ficaram gravadas para a hist\u00f3ria, impediram, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, a entrada do Ex\u00e9rcito na Pra\u00e7a, at\u00e9 que finalmente, na noite de 4 de junho de 1989, mais de 200 mil soldados procedentes de tr\u00eas regi\u00f5es militares foram dissolvendo a her\u00f3ica resist\u00eancia pelas ruas de Pequim, que os enfrentava com barricadas, pedras e coquet\u00e9is <i>molotov<\/i>. Baleados ou esmagados pelos tanques, centenas de estudantes e trabalhadores foram assassinados. As autoridades chinesas reconheceram oficialmente mais de trezentos mortos. Diferentes meios da imprensa internacional divulgaram o n\u00famero de dez mil mortos. Outros estudos mais comprovados falam de algo entre mil e dois mil mortos e cerca de cinco mil feridos.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t<b>Cuba: o <\/b><b>\u00faltimo basti\u00e3o socialista?<\/b><\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tPara um setor muito grande da esquerda mundial, Cuba \u00e9 hoje o \u00faltimo &ldquo;basti\u00e3o do socialismo&rdquo;. Mart\u00edn Hern\u00e1ndez n\u00e3o compartilha desta opini\u00e3o. Reconhece que &ldquo;<i>para quem raciocina desta forma, o temor pelo que poderia acontecer com o<\/i> <i>desaparecimento de Fidel est\u00e1 amplamente justificado: o imperialismo norte-americano, junto com os &lsquo;gusanos&#8217;, poderia se aproveitar da situa\u00e7\u00e3o para restaurar o capitalismo na ilha<\/i>&rdquo;. Mas acrescenta que, mesmo sendo &ldquo;<i>verdade que est\u00e3o tratando de tirar proveito da atual situa\u00e7\u00e3o<\/i> (&hellip;)<i>,<\/i> <i>n\u00e3o \u00e9 correto dizer que seu objetivo seja restaurar o capitalismo pela simples raz\u00e3o de que o capitalismo j\u00e1 foi restaurado em Cuba<\/i>&rdquo;.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tNo \u00faltimo Congresso Mundial da LIT-QI, Jos\u00e9 Castillo, um dirigente da se\u00e7\u00e3o argentina da Uni\u00e3o Internacional de Trabalhadores (UIT), apresentou nesse debate um texto que polemizava com a posi\u00e7\u00e3o de Mart\u00edn Hern\u00e1ndez e defendia que Cuba continua sendo um &ldquo;Estado oper\u00e1rio&rdquo;, ainda que &ldquo;fortemente burocratizado&rdquo;. Mas, como a maioria dos &ldquo;defensores de Cuba&rdquo;, pintava uma realidade que tem pouco a ver com os dados que as pr\u00f3prias autoridades cubanas apresentam.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tPara citar alguns exemplos, segundo o autor do texto, o problema da moradia em Cuba \u00e9 um tema j\u00e1 resolvido pela revolu\u00e7\u00e3o. &ldquo;<i>Toda fam\u00edlia tem sua moradia<\/i>&rdquo;. No entanto, no final de junho de 2005, foi realizado o <i>Encontro Mundial dos Programas de Cidades Sustent\u00e1veis <\/i>em Havana, no qual o governo cubano apresentou um extenso relat\u00f3rio em que afirma que quase metade das moradias se encontra em &ldquo;<i>regular ou mal estado<\/i>&rdquo;, al\u00e9m de um d\u00e9ficit de mais de meio milh\u00e3o de casas. Outros relat\u00f3rios elevam esse d\u00e9ficit habitacional a 1,5 milh\u00f5es. Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, os furac\u00f5es agravaram o problema, deixando um rastro desolador.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t87% dos cubanos s\u00e3o propriet\u00e1rios de suas casas, mas a lei n\u00e3o permite que eles vendam nem comprem casas, somente <i>permutem,<\/i> e \u00e9 o Estado que conserva o monop\u00f3lio da compra e venda. A falta de investimento em constru\u00e7\u00e3o gera uma situa\u00e7\u00e3o muito complicada para milhares de cubanos. As fam\u00edlias crescem ou se divorciam e isso gera uma aut\u00eantica aglomera\u00e7\u00e3o nas moradias e uma busca desesperada por <i>permuta<\/i>. Essa escassez e as limita\u00e7\u00f5es legais fizeram surgir um pr\u00f3spero mercado negro de <i>corretores imobili\u00e1rios<\/i> que ganham milhares de d\u00f3lares em cada neg\u00f3cio. Assim, a realidade n\u00e3o s\u00f3 parece muito distante do <i>slogan <\/i>&ldquo;<i>toda fam\u00edlia tem sua moradia<\/i>&rdquo; como tamb\u00e9m este \u00e9 um dos problemas que mais gera descontentamento entre a popula\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t<i>&ldquo;Toda fam\u00edlia tem seu vale de racionamento, recebe mensalmente uma caixa que cont\u00e9m alimentos suficientes&#8230;<\/i>&rdquo;. Este \u00e9 outro dos argumentos de Jos\u00e9 Castillo. Mas os vales de racionamento nunca foram um modelo de conquista social. Sua utiliza\u00e7\u00e3o corresponde a per\u00edodos excepcionais de guerra ou crises profundas. Al\u00e9m disso, nem o governo cubano se anima em dizer que o vale &ldquo;<i>cont\u00e9m alimentos suficientes<\/i>&rdquo;. Os produtos do vale de racionamento s\u00e3o suficientes apenas para 10 dias, por isso calcula-se que os cubanos gastem 70% de seus sal\u00e1rios com a alimenta\u00e7\u00e3o. O problema se agrava porque os produtos n\u00e3o racionados s\u00e3o taxados pelo governo com um imposto de aproximadamente 240%.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tIsso torna a vida cotidiana muito complicada, pois o sal\u00e1rio m\u00e9dio varia entre 10 e 20 d\u00f3lares mensais. No final de 2005, Fidel Castro afirmou que quem falava que esse era o valor do sal\u00e1rio &ldquo;<i>enganava sobre a realidade cubana<\/i>&rdquo;, j\u00e1 que esse dado desconsidera os outros aux\u00edlios sociais n\u00e3o salariais. Sem d\u00favida que isso \u00e9 parcialmente certo. T\u00e3o certo quanto que os cubanos, para comprar boa parte de seus alimentos, roupas e cal\u00e7ados, disp\u00f5em somente desses 10 ou 20 d\u00f3lares que recebem mensalmente das empresas estatais.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tCom uma dose de realismo maior que os &ldquo;defensores de Cuba&rdquo;, no discurso de 26 de julho de 2007, Ra\u00fal Castro, ent\u00e3o Presidente interino, reconheceu que &ldquo;<i>o sal\u00e1rio ainda \u00e9 claramente insuficiente para satisfazer todas as necessidades<\/i>&rdquo;. E acrescentou que essa insufici\u00eancia dos sal\u00e1rios leva muitos cidad\u00e3os a cometer &ldquo;<i>indisciplinas<\/i>&rdquo;, um eufemismo para designar o roubo de produtos, o mercado negro ou o contrabando generalizado, para sobreviver.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tEm 2005, o poder aquisitivo dos sal\u00e1rios era vinte vezes menor do que recebiam at\u00e9 1989. As coisas se agravam com a crise atual e, segundo Ra\u00fal Castro, &ldquo;<i>\u00e9 preciso ir eliminando as gratuidades indevidas e os subs\u00eddios excessivos<\/i>&rdquo; (27.12.2008).<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tAssim, poucas pessoas conseguem viver com seu sal\u00e1rio e da\u00ed a import\u00e2ncia das remessas de d\u00f3lares que os familiares enviam do exterior. Os \u00faltimos 20 anos marcaram uma crescente emigra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. E como ocorre em qualquer pa\u00eds semi-colonial, as remessas dos emigrantes se transformam em fonte de sustento de in\u00fameras fam\u00edlias e em uma entrada nada desprez\u00edvel de divisas no pa\u00eds. Entre 55 e 60% das fam\u00edlias dependem, em maior ou menor grau, das remessas de seus familiares. Diversas fontes demonstram que o ingresso anual dessas remessas supera um bilh\u00e3o de d\u00f3lares, o que representa 25% do total das divisas que entram. O fato de as autoridades fazerem &ldquo;vistas grossas&rdquo; e de que a maioria das remessas entra por meio das &ldquo;mulas&rdquo; (pessoas que entregam o dinheiro em m\u00e3os, por fora dos meios oficiais) faz com que, seguramente, essa quantidade seja muito maior.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tO problema da alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos melhores exemplos da presen\u00e7a imperialista e da depend\u00eancia que foi criada. A maioria dos alimentos, inclusive 70% do vale de racionamento, \u00e9 importada. Cuba gasta, em m\u00e9dia, 1,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais com a importa\u00e7\u00e3o de alimentos e produtos agr\u00edcolas. Em 2008, esse \u00edndice atingiu cerca de dois bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tDesde 2000, quando o Congresso norte-americano autorizou a venda de alimentos e produtos agr\u00edcolas para Cuba, os Estados Unidos se transformaram no seu principal fornecedor de alimentos. &ldquo;<i>As rela\u00e7\u00f5es com a ilha s\u00e3o excelentes<\/i>&rdquo;, declarou C. L. Buth Otter, governador de Idaho, um dos mais de 30 estados norte-americanos que vendem produtos para o pa\u00eds. \u00c9 por isso que, desde 1999, governadores, senadores e representantes de estados viajam freq\u00fcentemente para Cuba e &ldquo;<i>centenas e centenas de executivos norte-americanos t\u00eam vindo aqui<\/i>&rdquo;, como declarou Kirby Jones, fundador da <i>Associa\u00e7\u00e3o Comercial Estados Unidos-Cuba<\/i>, em 2007.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tNo final de 2003, foi realizada a 21\u00aa Feira Internacional de Havana, com a participa\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios dos cinco continentes e principalmente dos EUA, com a participa\u00e7\u00e3o de 110 empres\u00e1rios de 19 estados norte-americanos. N\u00e3o \u00e9 de se estranhar que o correspondente da BBC em Havana tenha afirmado em sua cr\u00f4nica: &ldquo;<i>nem Bush em Washington nem o governo cubano em Havana falaram do crescente com\u00e9rcio entre os dois pa\u00edses<\/i> (&#8230;). <i>\u00c9 como se ambas as partes tivessem entrado em acordo para evitar falar em seus discursos sobre os passos de avan\u00e7o que foram dados<\/i>.&rdquo;<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tAs rela\u00e7\u00f5es comerciais com os EUA \u00e9 um dos muitos dados que mostram que tentar explicar os grandes problemas de Cuba devido ao Bloqueio \u00e9 um argumento cada vez menos veross\u00edmil. O pr\u00f3prio chanceler cubano, Felipe P\u00e9rez Roque, disse: &ldquo;<i>a revolu\u00e7\u00e3o conseguiu derrotar o plano de isolamento internacional de Cuba<\/i> (&#8230;) <i>O pa\u00eds tem hoje rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com 178 dos 191 pa\u00edses membros da ONU<\/i> (&#8230;)<i> Cuba \u00e9 um dos pa\u00edses, sen\u00e3o o mais, em toda a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, que tem uma maior representa\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica exterior<\/i>&rdquo; (23.12.2005).<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tPor fim, o texto citado anteriormente apela \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o como exemplos da continuidade do &ldquo;Estado oper\u00e1rio&rdquo; em Cuba. No entanto, s\u00e3o justamente esses campos que melhor comprovam o retrocesso das conquistas sociais imposto pela restaura\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tMilhares de professores e professoras deixaram as salas de aula por causa dos sal\u00e1rios miser\u00e1veis. A deser\u00e7\u00e3o de professores \u00e9 t\u00e3o grande que a escassez obrigou o governo a utilizar estudantes universit\u00e1rios e at\u00e9 do ensino secund\u00e1rio para dar aulas na escola prim\u00e1ria e secund\u00e1ria. Como relata o pr\u00f3prio Ra\u00fal Castro, &ldquo;<i>em junho, fizemos um chamado \u00e0 reincorpora\u00e7\u00e3o \u00e0s escolas de professores aposentados ou que tinham deixado de dar aulas por diversas raz\u00f5es<\/i>&rdquo;. Inclusive aumentaram a idade exigida para a aposentadoria e &ldquo;<i>nove mil que ultrapassaram a idade de aposentadoria continuam nos seus postos<\/i>&rdquo; (Ra\u00fal Castro).<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tNa sa\u00fade, a deteriora\u00e7\u00e3o ocorre de outras formas. Em 2005, o governo teve que iniciar a chamada &ldquo;Opera\u00e7\u00e3o Dignidade&rdquo; por causa do poderoso mercado negro de medicamentos. &ldquo;<i>Entre as pessoas que vendem os medicamentos est\u00e3o os trabalhadores dos laborat\u00f3rios, farmac\u00eauticos, m\u00e9dicos e inclusive o pessoal da limpeza dos Hospitais <\/i>(&#8230;)<i> Para eles \u00e9 uma forma de complementar seu sal\u00e1rios, que v\u00e3o desde oito at\u00e9 os quase 20 d\u00f3lares que ganham os m\u00e9dicos (&#8230;) &lsquo;\u00c9 verdade que os pacientes nos trazem coisas, desde artigos de higiene pessoal e roupas at\u00e9 um porco. Se n\u00e3o fosse assim, de que outra forma conseguir\u00edamos sobreviver?&#8217;, relatou uma m\u00e9dica que tamb\u00e9m n\u00e3o quis se identificar<\/i>&rdquo; (citado no <i>El rompecabezas cubano F.R.<\/i>).<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tPara mais de 25 mil m\u00e9dicos e trabalhadores da sa\u00fade, outra forma de sobreviver s\u00e3o as miss\u00f5es no exterior, nas quais recebem um sal\u00e1rio m\u00ednimo, mas em d\u00f3lares, o que lhes permite &ldquo;<i>trazer eletrodom\u00e9sticos, comprar autom\u00f3veis e at\u00e9 uma casa, todos sonhos inalcan\u00e7\u00e1veis para os que trabalham na Sa\u00fade P\u00fablica dentro da ilha<\/i>&rdquo; (Idem).<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t<b>O papel dos militares em Cuba <\/b><\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tO discurso de Fidel Castro, em 17 de Novembro de 2005, no 60\u00ba anivers\u00e1rio de seu ingresso na Universidade, teve uma enorme repercuss\u00e3o. Fidel fez refer\u00eancia aos &ldquo;<i>novos ricos<\/i>&rdquo; em Cuba em diversas ocasi\u00f5es: &ldquo;<i>apenas obrigando os novos ricos a pagarem o combust\u00edvel que consomem, poder\u00edamos pagar anualmente pelo menos quatro vezes o que custam os 600 mil estudantes universit\u00e1rios e seus professores. <\/i>(&#8230;) <i>Vamos <\/i><i>acabar com muitos v\u00edcios desse tipo, muito roubo, muitos desvios e muitas fontes de fornecimento de dinheiro dos novos ricos<\/i>&rdquo;. Confirmando esse diagn\u00f3stico, o correspondente da BBC, Fernando Ravsberg, afirmou que &ldquo;<i>a corrup\u00e7\u00e3o fez met\u00e1stase em todo o aparelho produtivo do pa\u00eds<\/i>&rdquo;. A corrup\u00e7\u00e3o e o roubo n\u00e3o s\u00e3o outra coisa que um mecanismo prim\u00e1rio de acumula\u00e7\u00e3o capitalista. A restaura\u00e7\u00e3o capitalista em Cuba gerou efetivamente <i>novos <\/i><i>ricos<\/i>, ainda que o discurso de Fidel Castro n\u00e3o explique quem s\u00e3o esses novos ricos e parecesse mais dedicado ao que ele mesmo chamou ironicamente de <i>ladr\u00f5ezinhos<\/i>.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tConformou-se um setor social de aproximadamente 150 mil pequenos empres\u00e1rios que foram penetrando pelas fissuras do desmantelamento da planifica\u00e7\u00e3o da economia e que os cubanos chamam o &ldquo;<i>descalabroecon\u00f4mico<\/i>&rdquo;. Alguns detalham mais: &ldquo;<i>Os &lsquo;novos ricos&rsquo; (diretores das empresas estatais ou estrangeiras, donos de restaurantes, funcion\u00e1rios do governo etc. &#8230;)<\/i>&rdquo;. Pode-se acrescentar ainda os cultivadores de tabaco, um setor que significa uma das mais importantes fontes de ingressos para Cuba e que est\u00e1 inteiramente em m\u00e3os privadas.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tMas a institui\u00e7\u00e3o chave, desde a revolu\u00e7\u00e3o, s\u00e3o os militares. As For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias (FAR) dirigem a seguran\u00e7a, controlam o PCC (Partido Comunista Cubano) e ordenam a economia. \u00c9 importante lembrar que a revolu\u00e7\u00e3o cubana n\u00e3o foi dirigida pelo PCC. Pelo contr\u00e1rio. Os insurgentes formaram o ex\u00e9rcito regular, que mais tarde organizou o Partido. Desde a crise de 89 com o desaparecimento da URSS, as FAR reduziram seus efetivos de 300 mil militares para os atuais 50 mil.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tAs FAR mant\u00eam sob seu controle o chamado Grupo de Administra\u00e7\u00e3o Empresarial (GAESA), dirigida por um general e que agrupa os principais setores estrat\u00e9gicos da economia, como o turismo, a arrecada\u00e7\u00e3o de remessas, as novas tecnologias, o a\u00e7\u00facar. Foram os militares que desenvolveram o chamado <i>Sistema de Aperfei\u00e7oamento Empresarial<\/i> e que controlavam, em 2007, as 322 maiores empresas do pa\u00eds, respons\u00e1veis por 89% das exporta\u00e7\u00f5es.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tEm Cuba, o capitalismo n\u00e3o s\u00f3 foi restauradocomo os agentes diretos da restaura\u00e7\u00e3o e os novos capitalistas t\u00eam nomes e sobrenomes.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t<b>Como se determina o car\u00e1ter de classe de um Estado?<\/b><\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tO argumento mais utilizado pelos defensores de que Cuba continua sendo um &ldquo;Estado oper\u00e1rio&rdquo; \u00e9 que &ldquo;<i>a maioria dos meios de produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 nas m\u00e3os do Estado<\/i>&rdquo;. Mas se o car\u00e1ter de classe do Estado fosse determinado pela quantidade de empresas estatizadas, seria necess\u00e1rio concluir que a It\u00e1lia de Mussolini e a Espanha de Franco, ou pa\u00edses como a \u00c1ustria ou a Fran\u00e7a depois da II Guerra Mundial, foram &ldquo;Estados oper\u00e1rios&rdquo;. Assim, Mussolini criou, em 1931, o <i>Istituto Mobiliare<\/i> e o Instituto para a Reconstru\u00e7\u00e3o Industrial (IRI), controlando o cr\u00e9dito e mais tarde adquirindo a\u00e7\u00f5es em poder de bancos, empresas industriais, agr\u00edcolas ou imobili\u00e1rias. Ap\u00f3s seu triunfo sanguin\u00e1rio, Franco criou, em 1941, o Instituto Nacional de Ind\u00fastria (INI), um <i>holding<\/i> estatal que controlava as principais ind\u00fastrias do pa\u00eds: siderurgia, constru\u00e7\u00e3o naval, eletricidade, transporte, petr\u00f3leo, etc. Na \u00c1ustria, no final dos anos 80, dois ter\u00e7os das 50 maiores empresas do pa\u00eds ainda eram majoritariamente p\u00fablicas.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tMart\u00edn Hern\u00e1ndez retoma o crit\u00e9rio de L\u00eanin e lembra como Trotsky definia em <i>A revolu\u00e7\u00e3o tra\u00edda<\/i> o car\u00e1ter de classe de um Estado: pelas &ldquo;<i>rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o que o Estado protege e defende<\/i>&rdquo;.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tPara definir um Estado como &ldquo;oper\u00e1rio&rdquo;, \u00e9 necess\u00e1rio saber se esse Estado protege e defende rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o baseadas nos tr\u00eas pilares b\u00e1sicos de uma economia em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo: 1) todos os grandes meios de produ\u00e7\u00e3o e os bancos s\u00e3o de propriedade estatal; 2) a quantidade e a qualidade do que se produz \u00e9 determinada n\u00e3o pelo mercado, mas por um plano econ\u00f4mico central, ao qual as empresas est\u00e3o subordinadas; e 3) o com\u00e9rcio exterior \u00e9 monop\u00f3lio do Estado.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tO trabalho de Mart\u00edn Hern\u00e1ndez mostra justamente isso: que, da mesma forma como ocorreu na China desde 1978 e na R\u00fassia desde 1986, em Cuba, desde 1990, o Estado foi articulando toda uma trama jur\u00eddica e pol\u00edtica de destrui\u00e7\u00e3o desses pilares. A Junta Central de Planifica\u00e7\u00e3o foi dissolvida. As empresas mistas entre os militares e novos ricos e as multinacionais europ\u00e9ias ou canadenses se generalizaram a todos os ramos mais din\u00e2micos da economia. E as empresas, tanto as mistas como as estatais, produzem para o mercado e t\u00eam plena liberdade para comercializar com o exterior.<\/div>\n<div>\n\t<b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div>\n\t<b>Algumas conseq\u00fc\u00eancias deste debate<\/b><\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tLonge do academicismo, o debate sobre Cuba que o trabalho de Mart\u00edn Hern\u00e1ndez introduz tem importantes conseq\u00fc\u00eancias pr\u00e1ticas. Quero assinalar pelo menos tr\u00eas:<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t<b>1.\u00ba<\/b>&#8211; Hoje, no mundo, est\u00e1 crescendo uma esquerda claramente anticapitalista, classista, procedente de tradi\u00e7\u00f5es muito diferentes, que come\u00e7ou a se agrupar para enfrentar o sistema, combater a podrid\u00e3o pol\u00edtica e moral dos aparatos social-democratas e dos restos dos velhos partidos comunistas e voltar a levantar com for\u00e7a a bandeira do socialismo. O fato de que boa parte dessa esquerda levante hoje a &ldquo;<i>defesa de Cuba socialista<\/i>&rdquo; se transforma em um empecilho para seu pr\u00f3prio desenvolvimento e para sua pr\u00f3pria credibilidade diante dos trabalhadores e da juventude. Porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel defender a democracia oper\u00e1ria, a independ\u00eancia dos sindicatos em rela\u00e7\u00e3o ao Estado ou denunciar a falsa democracia capitalista e depois mostrar como modelo um regime de partido \u00fanico, no qual o sindicato faz parte do Estado e \u00e9 proibido o direito de greve, manifesta\u00e7\u00e3o ou associa\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tEnquanto o empenho revolucion\u00e1rio mais louv\u00e1vel for tentar que a humanidade progrida material e espiritualmente, temos que convir que mostrar como modelo socialista um pa\u00eds onde cada vez mais fam\u00edlias dependem das remessas de d\u00f3lares enviadas pelos que emigraram e as car\u00eancias se generalizam enquanto uma minoria enriquece sob prote\u00e7\u00e3o do Estado em seus neg\u00f3cios com as multinacionais, \u00e9 no m\u00ednimo um &ldquo;socialismo&rdquo; pelo qual n\u00e3o vale a pena mover um s\u00f3 dedo.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t<b>2.\u00ba<\/b> &#8211; Para os que defendem que Cuba continua sendo um &ldquo;Estado oper\u00e1rio fortemente burocratizado&rdquo; e que \u00e9 preciso levantar um programa da <i>revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/i>, ou seja, uma revolu\u00e7\u00e3o para acabar com o regime pol\u00edtico, mas preservando as atuais rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o, cabe perguntar-lhes: acham que hoje em Cuba \u00e9 poss\u00edvel apresentar um programa revolucion\u00e1rio que n\u00e3o incorpore, em primeiro lugar, as demandas anticapitalistas e antiimperialistas, um programa que, como em toda a Am\u00e9rica Latina, combine as tarefas de liberta\u00e7\u00e3o nacional e social?<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tDeve&ndash;se propor o N\u00c3O pagamento da D\u00edvida Externa? \u00c9 necess\u00e1rio exigir a re-nacionaliza\u00e7\u00e3o, sob controle dos trabalhadores, do petr\u00f3leo, n\u00edquel, tabaco e da chamada &ldquo;ind\u00fastria branca&rdquo;, o turismo? \u00c9 necess\u00e1rio expulsar as multinacionais e expropriar seus bens?<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t\u00c9 necess\u00e1rio levantar, em nome da planifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e da democracia oper\u00e1ria, o &ldquo;<i>fora os militares e os novos ricos das empresas!&rdquo;<\/i>? \u00c9 necess\u00e1rio unir todas essas demandas econ\u00f4micas e sociais \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas? N\u00e3o estou dizendo que sejam palavras de ordem de agita\u00e7\u00e3o para amanh\u00e3. Trata-se do programa, da compreens\u00e3o comum das tarefas. S\u00e3o essas, entre outras, ou n\u00e3o?<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tEste debate n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 urgente como tamb\u00e9m, para nossa desgra\u00e7a, outros v\u00e3o ocupando esse vazio. Devido \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do 9.\u00ba Congresso do PCC este ano, h\u00e1 um debate intenso em Cuba, inclusive sobre o pr\u00f3prio PCC. No seu interior, surgem correntes que gozam de simpatia por se enfrentarem com os setores mais &ldquo;fossilizados&rdquo; do aparato e que se apresentam como <i>opositoras por dentro<\/i>. E aqui conv\u00e9m lembrar que, diante de St\u00e1lin, levantou-se uma oposi\u00e7\u00e3o de esquerda, mas tamb\u00e9m outra de direita, encabe\u00e7ada por Buk\u00e1rin. Uma oposi\u00e7\u00e3o de direita que tentou, sem sucesso, uma alian\u00e7a com a oposi\u00e7\u00e3o dirigida por Trotsky e \u00e0 qual o velho revolucion\u00e1rio se negou, porque a oposi\u00e7\u00e3o de Buk\u00e1rin, baseando-se em fatos da realidade, defendia, na verdade, um programa de restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tHoje vemos opositores cubanos de dentro do PCC defender medidas para &ldquo;salvar o socialismo&rdquo;: fomento do &ldquo;<i>cooperativismo<\/i>&rdquo;, da &ldquo;<i>autogest\u00e3o empresarial e social organizada em cada entidade produtiva<\/i>&rdquo;, &ldquo;<i>a co-gest\u00e3o com privatiza\u00e7\u00e3o<\/i>&rdquo;, &ldquo;<i>os pr\u00f3prios trabalhadores associados para serem donos coletivos ou em usufruto<\/i>&rdquo;, &ldquo;<i>entregar aos trabalhadores os meios de produ\u00e7\u00e3o<\/i>&rdquo; e &ldquo;<i>terras aos camponeses individuais<\/i>&rdquo; etc. Diante disso, \u00e9 necess\u00e1rio recorrer \u00e0 experi\u00eancia da restaura\u00e7\u00e3o capitalista na Pol\u00f4nia, na Iugosl\u00e1via e na pr\u00f3pria a R\u00fassia e relembrar todo o discurso e as medidas &ldquo;autogestion\u00e1rias&rdquo; que foram chaves no processo de espolia\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o que acompanhou a restaura\u00e7\u00e3o capitalista nesses pa\u00edses.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t<b>3.\u00ba &#8211;<\/b> Em um documento apresentado por um grupo de militantes do PCC, em agosto de, 2008 como contribui\u00e7\u00e3o ao 9.\u00ba Congresso e que foi amplamente divulgado, pode-se ler: &ldquo;<i>Cuba vive uma cont\u00ednua crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social<\/i> <i>(&#8230;). Majoritariamente, os cubanos est\u00e3o frustrados, alienados e desesperan\u00e7ados e as novas gera\u00e7\u00f5es, desmotivadas, n\u00e3o sentem o mesmo compromisso que as anteriores com este &lsquo;socialismo pobre e sem <\/i><i>perspectivas&rsquo; (&#8230;) tudo isso est\u00e1 conformando uma rara esp\u00e9cie de &lsquo;situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria&rsquo; que poderia irromper imprevisivelmente e cuja evolu\u00e7\u00e3o poderia ser capitalizada pelo inimigo<\/i>&rdquo;. O pr\u00f3prio Fidel afirmou no seu discurso aos universit\u00e1rios: &ldquo;<i>Esta revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser destru\u00edda por eles, mas, sim, por nossos defeitos e nossas desigualdades<\/i>&rdquo;.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tE exatamente a\u00ed est\u00e1 a inc\u00f3gnita mais determinante do processo, a entrada ou n\u00e3o em cena do movimento oper\u00e1rio e de massas cubano, ou seja, os &ldquo;protestos sociais&rdquo; sobre os quais, a bom entendedor, o pr\u00f3prio Fidel est\u00e1 avisando. Como lembra Mart\u00edn Hern\u00e1ndez, o movimento de massas, de forma espont\u00e2nea e explosiva, irrompeu a \u00faltima vez em 1994, na conhecida <i>crise dos balseiros<\/i>, que obrigou o pr\u00f3prio Fidel a colocar-se \u00e0 frente e deslocar-se aos bairros de Havana transformados em revoltas multitudin\u00e1rias.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tPode ser, ou n\u00e3o, que o movimento de massas cubano irrompa na cena pol\u00edtica. Mas, se isso acontecer, estar\u00e3o colocadas duas vari\u00e1veis: que uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica se imponha, isso \u00e9, que o regime seja derrotado, como na R\u00fassia, ou que o movimento seja esmagado, como na China. A pergunta \u00e9 inevit\u00e1vel para nossos amigos que honestamente continuam vendo Cuba como o &ldquo;<i>\u00faltimo basti\u00e3o socialista<\/i>&rdquo;. O que far\u00e3o se esse cen\u00e1rio surgir? Apoiar esse movimento e contribuir com todos os setores revolucion\u00e1rios cubanos para disputar a dire\u00e7\u00e3o do movimento com as correntes capitalistas? Ou fazer como a maior parte da esquerda nos acontecimentos de Tiananmen, uma frente \u00fanica com o governo para massacrar os trabalhadores e estudantes &ldquo;contra-revolucion\u00e1rios&rdquo;? E \u00e9 preciso lembrar que os dirigentes cubanos ainda mostram a China como sua refer\u00eancia.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tDurante a d\u00e9cada de 90, \u00e9 poss\u00edvel afirmar, honestamente, que n\u00f3s, marxistas, estivemos imersos em uma enorme confus\u00e3o. Sem esconder nossas in\u00fameras limita\u00e7\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer que nos coube viver um acontecimento in\u00e9dito na hist\u00f3ria da humanidade, que foi a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo em pa\u00edses onde tinha sido expropriado.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tHoje, mais de 20 anos depois, quando continuamos tentado aprender com esse processo e tirar as conclus\u00f5es, a vida nos deu uma segunda oportunidade com Cuba. Agora, n\u00e3o podemos alegar ignor\u00e2ncia nem ineditismo, desconsiderando o que aconteceu na R\u00fassia e na China. Por isso, <i>O Veredicto da Hist\u00f3ria<\/i> se transforma em um material de leitura obrigat\u00f3ria.\u00a0<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tPara concluir, s\u00f3 me resta dizer que, al\u00e9m dos meus sentimentos de amizade e camaradagem com o autor, estou firmemente convencido de que os trabalhos de Mart\u00edn Hern\u00e1ndez sobre a restaura\u00e7\u00e3o capitalista foram uma arma sem a qual muitos marxistas n\u00e3o teriam sa\u00eddo do t\u00fanel da d\u00e9cada de 90. O tempo e os acontecimentos da vida reafirmam esta minha convic\u00e7\u00e3o. Por isso, para mim foi uma grande honra fazer o pr\u00f3logo deste livro.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t<i>\u00c1ngel Luis Parras<\/i><\/div>\n<div>\n\t<i>Madri, fevereiro de 2009<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro que o leitor tem em m\u00e3os \u00e9 uma colet\u00e2nea de alguns trabalhos que Mart\u00edn Hern\u00e1ndez publicou nos \u00faltimos anos na revista Marxismo Vivo, em Confer\u00eancias, Semin\u00e1rios ou F\u00f3runs Sociais, como o de Porto Alegre. \u00a0 J\u00e1 se passaram vinte anos desde o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e outros mais desde que o capitalismo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"litci_post_political_author":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-10101","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","fimg_url":false,"categories_names":[],"author_info":{"name":"Kely","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/19003bf6219614b90207b39bd4a2733ce9cf96693efdfd639b15a829beed53d1?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10101"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10101\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}