O veredito de "inocente" para George Zimmerman em 13 de julho de 2013, além do ridículo "teatro" que a classe dominante encenou, ‘teatro’ esse liderado pelo processo judicial, colocou as contradições do Estado racista dos EUA no centro das atenções .

 A raiva e a confusão que foram observadas na mídia social (Facebook, blogs, twitter) e nas comunidades negras foram expressas nas passeatas e manifestações significativas realizadas ​​em muitas das grandes cidades. Centenas e, em alguns casos, milhares de jovens, negros, brancos, e outras comunidades, saíram  às ruas para protestar [1]. Nenhuma rebelião semelhante havia acontecido desde aquelas rebeliões durante o  julgamento de Oscar Grant em Oakland em 2010, mas é certo que o movimento está começando, o que deixa claro a natureza injusta do sistema judicial racista e o  racismo e brutalidade policial cotidiana que negros e pardos (em particular homens negros) enfrentam.

O tribunal que julgou Zimmerman mostrou que, quando um pretenso e presunçoso policial como George Zimmerman decide aplicar a lei com suas próprias mãos, começa uma briga com um adolescente negro que não cometeu nenhum delito, e, em seguida, prossegue atirando e matando-o, o sistema judicial capitalista oferece-lhe a qualificação de "Inocente" . Infelizmente, esta é uma ocorrência comum nos EUA e os assassinatos de homens negros como Trayvon Martin, Kimani Gray, Oscar Grant, Alan Bluford e outros nos últimos anos (e podemos voltar a Emmett Till, em meados do século 20 [2] . Como se o assassinato institucional dos homens negros não fosse suficiente, a polícia e o sistema judicial racista gostam de adicionar sal aos ferimentos e deixar os assassinos sairem inocentes ou apenas com um tapinha nas mãos [3].

Este racismo institucionalizado tornou-se a norma, mas o julgamento  de Zimmerman trouxe à tona  a raiva e o apoio em massa contra a sentença dada a ele – que é apenas mais um tapa na cara que os negros e outros trabalhadores oprimidos têm que suportar. O estado capitalista dos EUA utilizou todos os seus recursos no período que antecedeu o veredito de Zimmerman para lembrar aos negros e oprimidos que o cerne deste estado capitalista é o racismo e a opressão que, para defender os brancos, permite que negros sejam assassinados. E eles  destacam esse teatro judicial para que os negros e oprimidos não se esqueçam de qual é o seu lugar na hierarquia racial. As estações de TV da mídia de massa, jornais e órgãos judiciais (ou seja, o júri majoritariamente branco, promotores, etc) foram colocados com força total, para que a maioria dos estadunidenses fossem alimentados com as ideias e conclusões que as classes dominantes queriam que fossem absorvidas – a classe dominante é que decide quem é culpado e quem é inocente, e o resto dos trabalhadores negros e explorados só pode assistir.

Devemos mostrar-lhes que este sistema racista, capitalista, machista, imperialista e de opressão deve acabar! A expectativa deles é que alguns de nós saiamos em marchas de protestos e manifestações nas ruas por um dia ou dois, a fim de extravasarmos a nossa raiva. Eles estão confiantes que depois de nos permitir desabafar as coisas vão voltar ao normal e as pessoas voltarão a considerar como normal o assassinato institucionalizado e a opressão aos negros e a outros povos oprimidos. Mas temos de lutar contra este cenário provável se realmente queremos conquistar a justiça para Trayvon Martin, para o povo negro bem como para os povos oprimidos que já foram assassinados pela polícia e outros Zimmermans.

Isto significa que devemos construir um movimento de massas para realmente fazer recuar as cortes judiciais racistas desse sistema capitalista, seus policiais racistas, fazer parar os cortes racistas no orçamento que vêm afetando principalmente os negros, as mulheres e outras comunidades, e todos os outros atos de racismo institucionalizado e exploração a que os negros e trabalhadores estão sujeitos. Devemos construir o movimento democrático e de combate em massa nas ruas e que se  organize em nossos locais de trabalho, bairros e campi, que busquem utilizar a melhor arma que temos – a grande quantidade que somos, como trabalhadores e oprimidos, bem como a nossa capacidade em levar este sistema a um impasse. Os negros e outros oprimidos têm que se organizar em suas comunidades e os trabalhadores e aliados devem trabalhar em conjunto com eles e construir a unidade necessária para a nossa luta ser bem sucedida. Precisamos construir as condições e a consciência de massa para fechar nossas cidades, a fim de mostrar à classe dominante que não mais iremos suportar seus assassinatos, suas leis e instituições racistas!


[1] Nova York teve uma das maiores demonstrações com aproximadamente 10.000 pessoas, e em outras grandes cidades compareceram milhares ou centenas de pessoas (em Oakland compareceram por volta de 1500).
[2] De http://mxgm.org/report-on-the-extrajudicial-killings-of-120-black-people/ : "Desde 1º de Janeiro de 2012, a polícia e um número muito menor de seguranças e vigilantes autoproclamados assassinaram pelo menos 120 mulheres e homens negros" e "… nos primeiros seis meses deste ano, uma pessoa negra a cada 36 horas foi executada. "
[3] Os assassinos de homens pretos acima citados não têm sido levados à corte para serem julgados, ou, quando muito, têm sido sentenciados com uma sentença de no máximo 01 ano de prisão. (como foi o caso de Johannes Mehserle, o assassino de Oscar Grant.)