Esquerda plural: mito e realidade

    O passado dia 13 de Maio, o Bloco de Esquerda realizou eleições internas para a Coordenadora Distrital de Lisboa. Submeteram-se à votação duas listas: a lista A, apoiada por uma das correntes do Bloco (a que edita este jornal Ruptura) sob a sigla «Por um BE socialista, democrático e combativo»; e a lista B, apoiada pelas restantes correntes e pela Direcção do BE, sob a sigla «Construir o Bloco, Dar Política e Cor ao Distrito de Lisboa».


    A lista A obteve 24% dos votos (60 votos contra 195 na Lista B), colocando, assim, 4 eleitos naquela Coordenadora (em 17). Desde há um ano a esta parte, os aderentes do BE têm vindo a assistir e a participar em várias eleições internas e têm podido testemunhar o interesse e a militância com que os activistas do Ruptura/FER se têm empenhado em todos esses processos eleitorais, que vão permitindo alguma vivência democrática no interior do Bloco de Esquerda. Deste modo, a leitura e as conclusões políticas a retirar destes importantes processos eleitorais internos ao Bloco devem ser lidos num contexto mais geral e não estritamente local.


    Quase sempre em alternativa às demais correntes político-ideológicas (também chamadas sensibilidades), os militantes do Ruptura/FER têm encabeçado listas e alcançado resultados significativos, a saber: 33% na eleição para a Coordenadora Nacional de Jovens do BE; 19% na Concelhia de Lisboa; 27% na Coordenadora Distrital de Coimbra. Por outro lado, temos estado representados em listas eleitas em mais três importantes cidades do país, como Amadora, Viseu e Braga.


    Ora, esses resultados não são uma bodega qualquer. Todavia, a militância desenvolvida por estes camaradas nas suas frentes de trabalho tem, nos órgãos dirigentes do BE, uma representatividade muito modesta ou mesmo diminuta. Com efeito, temos assistido a uma marginalização da nossa corrente, tanto em actos públicos como internos, a qual não é coerente com o pluralismo e o colorido de que o Bloco sempre se tem reivindicado. Aliás, essa é uma das suas virtudes, sabendo-se que o BE resulta da junção de alguns partidos e correntes políticas, as quais, em boa hora, resolveram deixar de andar às turras e unir-se num projecto de unificação.


    Esta corrente, como o demonstram os resultados, é minoritária. Porém, outra corrente minoritária, mas muito menos à esquerda do que esta nossa, goza de posições públicas e internas altamente destacadas. Falo da Política XXI. O Bloco quer-se de esquerda; não pode, por isso, promover sectores que puxam em sentido contrário, em detrimento daqueles que, tendo estado sempre a combater à esquerda e a batalhar na luta de classes do dia-a-dia, constroem o Bloco com núcleos e organismos representativos de vários sectores sociais. Para estes militantes a atitude de marginalização e de sectarismo resulta obviamente errada e é contraditória com a pluralidade e a democracia que se defende no Bloco de Esquerda.


    A Esquerda plural será uma realidade e não um mito se os dirigentes do BE souberem aproveitar todos os trabalhos políticos em seu redor e contar com toda a militância. Doutra forma, teremos um aparelho cheio de profissionais, teremos uma representação parlamentar, mas veremos decair o número de aderentes, pois o Bloco tem pela frente um período longo sem campanhas eleitorais. Como dizíamos no programa da lista A, é necessário encetar uma campanha de filiação e refiliação de aderentes ao Bloco e, para isso, é preciso dar vida aos núcleos e apoio àqueles que militam para os criar e desenvolver.

    Burguesia quer declarar Calderon vencedor

      Em 1914, quando Pancho Villa e Emiliano Zapata, liderando a revolução campesina, entraram no palácio de governo, ingenuamente o primeiro que foram conhecer foi a «silla» em que se sentava o presidente da nação. Hoje, essa mesma «silla» é alvo de uma acirrada disputa de poder no México, que abalou o país nas eleições presidenciais de 2 de julho. Elas terminaram praticamente empatadas entre Andrés Manuel López Obrador, pelo PRD (Partido da Revolução Democrática) e o candidato governista Felipe de Jesus Calderón, do PAN (Partido da Ação Nacional). Depois de uma primeira recontagem dos votos, feita às pressas para evitar que a crise se prolongasse, Calderón foi declarado vencedor. Obrador protestou e uma manifestação reuniu 300 mil pessoas (segundo a imprensa) no centro da cidade do México denunciando as fraudes. O que é bem provável que tenha ocorrido, já que a burguesia mexicana tem um histórico consistente de desvio de urnas dos adversários, sumiço de cédulas, manipulação de dados e outros que tais. De certa maneira, foi o que garantiu a permanência das forças do PRI (Partido Revolucionário Institucional), que depois de usurpar as tradições da revolução agrária de 1910, acabou abandonando qualquer veleidade nacionalista e preparando a entrega do país, via Nafta, aos Estados Unidos, em 1994. O PRI ficou no poder durante 70 anos (de 1929 a 2000) dominando de forma bonapartista as instituições do Estado e utilizando o»dedazo» para apontar o sucessor, dentro do próprio PRI, à «silla» presidencial. Uma das fraudes mais escandalosas foi contra Cuauthémoc Cárdenas, também do PRD, na eleição de 1988. Em 2000, após algumas medidas de abertura controladas no regime e no processo eleitoral com o beneplácito dos EUA, o PRI pagou o preço da entrega e da corrupção, perdendo a eleição para o PAN de Vicente Fox, que, no entanto, era um representante da ala da burguesia ainda mais entreguista, além de importante executivo da Coca-Cola no México.


      Calderón representa a continuidade da política de Fox


      Mas Fox também teve que enfrentar um desgaste pela aplicação das políticas entreguistas e neoliberais e não conseguiu indicar o sucessor que queria (sua esposa Marta Sahagun ou seu ministro Creel). Calderón se impôs dentro do PAN, tratando de aparecer como neoliberal e pro – imperialista de carteirinha. Calderón optou por se colocar como o anti-esquerda, o melhor para enfrentar Lopez Obrador e tentar evitar que o México entrasse na onda que percorre a América Latina de governos ditos populistas ou de esquerda. Daí os ataques permanentes a Obrador, tentando liga-lo a Chávez.


      Mas se for realmente empossado, Calderón terá de governar um país totalmente polarizado a partir da própria campanha e um Congresso dividido de cima abaixo. Esse ex-banqueiro, nunca foi um dirigente político conhecido, e já carrega nas costas o repúdio das massas trabalhadoras e setores mais pobres da população. Esse repúdio só piorou depois que ele fez uma campanha eleitoral totalmente montada para atacar o adversário, Lopez Obrador, tentando incutir medo na classe média contra seu perfil populista. 


      Candidato do neoliberalismo, programa que não se intimida em continuar defendendo, Calderón quer prosseguir no Nafta e dar continuidade à política econômica de Vicente Fox, que trouxe lucros para a burguesia associada e uma certa estabilidade para uma parte da classe média às custas do incremento da dependência extrema da economia mexicana em relação aos Estados Unidos e a um crescimento da miséria para as massas trabalhadoras e pobres a níveis nunca antes vistos na história recente do México.


      Durante a campanha, Calderón deixou claros seus laços com a Igreja e ecoou as bandeiras de George Bush; não teve pruridos em atacar o aborto, a pílula anticoncepcional (e até mesmo a pílula do dia seguinte) e combater o casamento entre homossexuais, cartas na manga às quais ele certamente vai apelar quando necessário.


      As esperanças das massas em Lopez Obrador


      Seguindo uma tendência dos últimos anos na América Latina, as massas trabalhadoras e pobres do México depositaram suas esperanças num candidato de oposição, com discurso populista, mais à esquerda. Obrador levou para a campanha presidencial sua experiência como prefeito da Cidade do México, quando apelou ao assistencialismo, ao mesmo tempo em que encheu os bolsos das empreiteiras locais, gastando milhões em obras viárias de uso duvidoso.


      No entanto, num país com tamanha desigualdade, López Obrador significava para as massas uma esperança de dias melhores. E ele soube se aproveitar desse diferencial em relação a Calderón. Trabalhou toda a campanha sobre a imensa desigualdade na distribuição de renda, que polariza o México de cima abaixo e que se refletiu nesta eleição, com um programa e um discurso muito parecidos ao de Lula ou Tabaré Vasquez. As políticas compensatórias e os programas de distribuição de renda, como bolsa-família e outros paliativos para uma população sofrida foram a tônica de sua campanha.


      A eleição mexicana expressa um fenômeno latino-americano. Correntes políticas com um discurso de oposição ao neoliberalismo e à entrega das riquezas ao imperialismo vêm tendo um resultado eleitoral expressivo, vencendo eleições presidenciais ou criando alternativas de massas e alterando o panorama político nesses países. Foi o que ocorreu com Lula, no Brasil, Evo Morales, na Bolívia, Olanta Humala, no Peru, e mesmo na Colômbia, onde apesar da vitória de Uribe, o Pólo teve uma votação inédita para a esquerda. O repúdio à política neoliberal e as benesses ao imperialismo, que vêm aprofundando a recolonização e a miséria, se expressa em forma distorcida em um «voto à esquerda». É também o caso de Lopez Obrador que, embora não tenha nada a ver com ?políticas radicais? como disseram seus adversários, aparece para as massas como uma opção de justiça social dos pobres depois que elas enfrentaram o governo Vicente Fox,  em que a desigualdade e a entrega bateram todos os recordes.


      Lutas e crise econômica


      O que deu suporte à campanha de Obrador foi a difícil situação da economia mexicana. Apesar do crescimento do PIB verificado logo depois da assinatura do Nafta com os Estados Unidos, o México vem rapidamente perdendo capacidade produtiva e autonomia. Entre os problemas estruturais de sua economia estão a queda do agronegócio, a perda de peso da indústria e o drama da imigração mexicana para os Estados Unidos, agravado com o desemprego e os baixos salários. Só uma parte do país teve crescimento econômico, em especial o norte, região mais próxima aos Estados Unidos, e assim mesmo com a proliferação das maquilas.


      Em 2005, assim como todas as economias latino-americanas, o México teve um melhor desempenho, mas abaixo de outros países, parecido com o Brasil. Em 2006 o crescimento até agora foi superior a 5%, o que fortaleceu o governo de Vicente Fox às vésperas da eleição. No entanto, a dependência da economia mexicana em relação aos Estados Unidos aumentou de forma espetacular: 85% das exportações vão para lá. A China tem atingido parte desse mercado, prejudicando as exportações mexicanas.


      Esse agravamento da situação econômica vem atingindo, já há bastante tempo, os distintos setores da classe trabalhadora e fazendo com que haja um acirramento da luta de classes no México. Desde a greve da UNAM havia um refluxo nas lutas, mas elas cresceram muito nos últimos meses e estão entrando em choque com o governo e o regime.


      Um dos conflitos mais graves e que abriu uma grave crise política no governo Fox foi a luta dos trabalhadores mineiro-metalúrgicos. Em abril, dois mineiros caíram mortos pela polícia Lázaro Cárdenas depois de três meses de enfrentamentos. Era uma luta combinada contra as terríveis condições de trabalho impostas pela patronal e pela independência sindical, contra a ingerência do governo no sindicato mineiro. Os trabalhadores da Seção 271 do sindicato mineiro (Sicartsa, de Lázaro Cárdenas) ficaram mais de 60 dias e fizeram a polícia retroceder, apesar da violenta repressão que resultou na morte de seus companheiros.


      Em maio, um enorme contingente policial ataca brutalmente os trabalhadores e o povo de Atenco, deixando dois mortos, mais de 200 presos, mulheres violentadas e centenas de casos de abusos policiais. Até hoje existem presos políticos, vítimas dessa violenta repressão
      Em junho, em Oaxaca, os professores em greve fazem um acampamento na cidade, que é violentamente atacado pela polícia, com mortos e dezenas de feridos.


      Todas essas mobilizações geraram uma polarização, pois questionam os elementos bonapartistas do regime e os abusos da repressão policial de um governo que se proclama democrático e fez colocar na ordem do dia a luta pela defesa dos direitos de organização e expressão e pela liberdade dos presos políticos. Foi nesse clima que se realizaram as eleições presidenciais de 2 de julho, com a massiva votação em Lopez Obrador, reveladora de dois fenômenos fundamentais para a América Latina: em primeiro lugar, o enorme repúdio das massas à política neoliberal e ao Nafta e sua disposição de luta para mudar esse cenário, e em segundo lugar, mas não menos importante, a crise de direção revolucionária das massas mexicanas para organizar esse repúdio e canalizá-lo para varrer do poder a burguesia, romper com o imperialismo e construir um governo dos trabalhadores, única maneira de reverter o processo acelerado de recolonização do México, cuja burguesia entreguista vem transformando um dos mais importantes países do continente em uma colônia a serviço do imperialismo americano.


      O chamado de López Obrador à mobilização na capital e o adiamento da decisão final sobre as eleições pelos tribunais mexicanos indicam a gravidade da situação. A continuidade das lutas e a mobilização das massas em repúdio a Calderón são fortes indicativos de que a burguesia e o imperialismo têm motivo para grandes preocupações no México. O imperialismo norte-americano e o europeu, preocupados com a instabilidade em um país da importância do México, saíram logo a «reconhecer o veredicto das urnas», apoiando a posse de Calderón. Por sua vez, o PRD e Obrador, como representantes da burguesia mexicana, mesmo prejudicados pelas manipulações eleitorais, muito provavelmente vão recuar diante do perigo de uma crise maior que ponha em risco as instituições burguesas, cedendo às pressões internacionais e freando as mobilizações de repúdio. Mas qualquer que seja o resultado final, o próximo período verá um México dividido e um movimento de massas em processo de lutas e reorganização, aproximando-se do conjunto da América Latina.

      La burguesía quiere declarar vencedor a Calderón

        En 1914, cuando Pancho Villa y Emiliano Zapata, líderes de la revolución campesina, entraron al palacio de gobierno, ingenuamente, lo primero que fueron a conocer fue la «silla» en que se sentaba el presidente de la nación. Hoy, esa misma «silla» es objeto de una dura disputa de poder en México, después de las elecciones presidenciales del 2 de julio, que terminaron prácticamente empatadas entre el opositor Andrés Manuel López Obrador, por el PRD (Partido de la Revolución Democrática), y el candidato oficialista Felipe de Jesús Calderón, del PAN (Partido de Acción Nacional).


        Después de un primer recuento de los votos, hecho con apuro, para evitar que la crisis se prolongase, Calderón fue declarado vencedor. Obrador protestó y llamó a una manifestación que reunió 300.000 personas (según la prensa) en el centro de la Ciudad de México, denunciando fraude. Algo que es muy probable que haya ocurrido, ya que la burguesía mexicana tiene una larga historia de desvíos de urnas favorables a los adversarios, desaparición de cédulas de votación, manipulación de datos y cosas similares.


        De cierta manera, esto fue lo que garantizó la permanencia del PRI (Partido Revolucionario Institucional) en el poder que, después de usurpar las tradiciones de la revolución agraria de 1910, terminó abandonando cualquier veleidad nacionalista y preparando la entrega del país a los EE.UU., a través del Nafta, en 1994. El PRI permaneció 70 años en el poder (desde 1929 a 2000), dominó de forma bonapartista las instituciones del Estado y utilizó el «dedazo» para apuntar al sucesor presidencial, dentro de la filas del propio PRI. Uno de los fraudes más escandalosas fue contra Cuauthémoc Cárdenas, también del PRD, en la elección de 1988.


        En 2000, después de algunas medidas de apertura controlada en el régimen y en el proceso electoral, con el beneplácito de EE.UU., el PRI pagó el precio de la entrega y de la corrupción y perdió la elección frente al PAN de Vicente Fox (un representante del ala más entreguista de la burguesía como importante ejecutivo de la Coca-Cola en México).


        Calderón representa la continuidad de la política de Fox


        Fox también tuvo que enfrentar un desgaste por la aplicación de las políticas entreguistas y neoliberales. No consiguió designar el sucesor que quería (su esposa Marta Sahagun o su ministro Creel) y Calderón se impuso dentro del PAN, tratando de aparecer como neoliberal y proimperialista. Calderón optó por colocarse como o anti-izquierda, el mejor perfil burgués para enfrentar a López Obrador e intentar evitar que México entrase en la ola de gobiernos ?populistas? o de ?izquierda? que recorre América Latina. Por eso, realizó ataques permanentes a Obrador, intentando ligarlo a Chávez.
        Pero, si llega a asumir,  Calderón tendrá que gobernar un país totalmente polarizado a partir de la propia campaña y con un Congreso dividido. Este ex-banquero, nunca fue un dirigente político conocido, e ya carga en sus espaldas el repudio de las masas trabajadoras y los sectores más pobres de la población. Este repudio empeoró después de su campaña electoral totalmente montada para atacar a  López Obrador, intentando meter miedo contra su perfil populista en la clase media. 


        Candidato del neoliberalismo, programa que no teme en continuar defendiendo, Calderón quiere proseguir en el Nafta y dar continuidad a la política económica de Vicente Fox, que trajo lucros para la gran burguesía y una cierta estabilidad para una parte de la clase madia, al costo de un incremento extremo de la dependencia extrema de la economía mexicana con relación a Estados Unidos y un crecimiento de la miseria para las masas trabajadoras y pobres, a niveles nunca antes vistos en la historia reciente de México.


        Durante la campaña, Calderón dejó claros sus lazos con la Iglesia y repitió las banderas de George Bush; no tuvo pruritos en atacar el aborto, la píldora anticonceptiva (incluso la <píldora del día siguiente>) y combatir el casamiento entre homosexuales, cartas en la manga a las cuales ciertamente va apelar cuando lo considere necesario.


        Las esperanzas de las masas en López Obrador


        Siguiendo una tendencia de los últimos años en América Latina, las masas trabajadoras y pobres de México depositaron sus esperanzas en un candidato de oposición, con un discurso populista, más a la izquierda. Obrador utilizó en su campaña presidencial su experiencia como alcalde de Ciudad de México, cuando apeló al asistencialismo, al mismo tiempo  que llenó los bolsillos de las empresas contratistas locales, gastando millones en obras viales de utilidad dudosa.


        Sin embargo, en un país con tamaña desigualdad social, López Obrador significaba para las masas una esperanza de <días mejores> y supo aprovecharse de esa ventaja con relación a Calderón. Trabajó toda la campaña sobre la inmensa desigualdad en la distribución de la renta, que polariza a México y que se reflejo en esta elección, con un programa y un discurso muy parecidos al de Lula o Tabaré Vázquez. Las políticas compensatorias y los programas de distribución de renta, como la ?bolsa-familia? y otros paliativos para una población sufrida, fueron la tónica de su campaña.


        La elección mexicana expresa un fenómeno latinoamericano. Corrientes políticas con un discurso de oposición al neoliberalismo y a la entrega de las riquezas al imperialismo logran resultados electorales importantes, ganando las elecciones presidenciales o creando alternativas de masas que alteran el panorama político en sus países. Fue lo que ocurrió con Lula en Brasil, Evo Morales en Bolivia, Ollanta Humala en Perú e, incluso, en Colombia donde, a pesar de la victoria de Uribe, el Polo Democrático Alternativo tuve una votación inédita para la izquierda en el país.


        El repudio a la política neoliberal y la entrega al imperialismo, que profundiza la recolonización y la miseria, se expresa, de forma distorsionada en un «voto a la izquierda». También es el caso de López Obrador quien, aunque no tenga nada que ver con ?políticas radicales?, como dijeron sus adversarios, aparece ante las masas como una opción de ?justicia social de los pobres? después del gobierno de Vicente Fox,  en que la desigualdad y la entrega batieron todos los records.


        Luchas e crisis económica


        López Obrador apoyó su campaña en la difícil situación de la economía mexicana. A pesar del crecimiento del PIB, verificado poco después de la firma del Nafta con los Estados Unidos y Canadá, México viene rápidamente perdiendo capacidad productiva y autonomía económica. Entre los problemas estructurales de su economía, está la caída de la producción agraria, la pérdida de peso de la industria y el drama de la inmigración mexicana para EE.UU., agravado por el desempleo y los bajos salarios. Sólo una parte del país tuvo crecimiento económico, en especial el norte, región más próxima a Estados Unidos, pero fue con la proliferación de las maquilas.


        En 2005, como todas las economías latinoamericanas, México tuvo un mejor desempeño, aunque más abajo de otros países, de modo parecido al Brasil. En 2006, el crecimiento, hasta ahora, fue superior a 5%, lo que fortaleció al gobierno de Vicente Fox en las vísperas de la elección. Sin embargo, la dependencia de la economía mexicana con relación a los Estados Unidos aumentó de forma espectacular: el 85% de las exportaciones van para allá. Aunque China ha afectado parte de ese mercado, perjudicando las exportaciones mexicanas.


        Este agravamiento de la situación económica viene afectando,  hace bastante tiempo, los distintos sectores de la clase trabajadora y provoca que haya un aumento de la lucha de clases. Desde la huelga de la UNAM había un reflujo en las luchas, pero crecieron mucho en los últimos meses y están entrando en choque con el gobierno y el régimen.


        Uno de los conflictos más graves, y que abrió una grave crisis política en el gobierno Fox, fue la lucha de los trabajadores mineros-metalúrgicos. En abril, dos mineros cayeron muertos por la policía en Lázaro Cárdenas, después de tres meses de enfrentamientos. Era una lucha combinada contra las terribles condiciones de trabajo impuestas por la patronal y por la independencia sindical, contra la ingerencia del gobierno en el sindicato. Los trabajadores de la Sección 271 del sindicato minero (Sicartsa de Lázaro Cárdenas) se mantuvieron por más de 60 días e hicieron retroceder a la policía, a pesar de la violenta represión que resultó en la muerte de sus compañeros.


        En mayo, un enorme contingente policial atacó brutalmente a los trabajadores y al pueblo de Atenco, dejando dos muertos, más de 200 presos, mujeres violadas y centenares de casos de abusos policiales. Hasta hoy existen presos políticos, víctimas de esa violenta represión.
        En junio, en Oaxaca, los profesores en huelga hicieron un campamento en la ciudad que fue violentamente atacado por la policía, con muertos y decenas de heridos.


        Todas estas movilizaciones generaron una polarización, pues cuestionan los elementos bonapartistas del régimen y los abusos de la represión policial de un gobierno que se proclama democrático y coloca a orden del día la lucha por la defensa de los derechos de organización y expresión, y por la libertad de los presos políticos.


        Fue en este clima que se realizaron las elecciones presidenciales del 2 de julio, con la masiva votación a López Obrador, reveladora de dos fenómenos fundamentales para América Latina. En primer lugar, el enorme repudio de las masas a la política neoliberal y al Nafta, y su disposición de lucha para cambiar este escenario. En segundo lugar, pero no menos importante, la crisis de dirección revolucionaria de las masas mexicanas para organizar este repudio y canalizarlo para barrer del poder a la burguesía, romper con el imperialismo y construir un gobierno de los trabajadores, única manera de revertir el proceso acelerado de recolonización de México, cuya burguesía entreguista viene transformando uno de los más importantes países del continente en una colonia al servicio del imperialismo americano.


        El llamado de López Obrador a la movilización en la capital y la postergación de la decisión final sobre las elecciones por los tribunales mexicanos indican la gravedad de la situación. La continuidad de las luchas y la movilización de las masas en repudio a Calderón son fuertes indicativos de que la burguesía y el imperialismo tiene motivo para grandes preocupaciones en México.


        El imperialismo norteamericano y el europeo, preocupados con la inestabilidad en un país de la importancia de México, salieron rápido a «reconocer el veredicto de las urnas», apoyando la asunción de Calderón. Por su parte, el PRD de López Obrador, así como representantes de sectores de la burguesía mexicana, incluso perjudicados por las manipulaciones electorales, muy probablemente van a retroceder delante del peligro de una crisis mayor que ponga en riesgo las instituciones burguesas, cediendo a las presiones internacionales y frenando las movilizaciones de repudio. Pero, cualquiera sea el resultado final, el próximo período verá un México dividido y un movimiento de masas en proceso de luchas y reorganización, aproximándose al conjunto de América Latina. 
         

        A 70 años del inicio de la guerra civil española

          Julio de 1936: el 18 los generales se rebelan, el 19 los obreros se insurreccionan


          Juan Carrique


           


          La rebelión militar de Franco provocó la espontánea insurrección de los trabajadores en todo el país La huelga general de octubre de 1934, que en Asturias adquirió la forma de insurrección obrera, expresó de forma anticipada lo que inevitablemente se iba a producir dos años después: el enfrentamiento entre la burguesía industrial y los terratenientes, amparadas por el ejército y por los grupos fascistas, de un lado y la clase obrera y el campesinado pobre del otro. El choque de trenes que representaba la contrarrevolución fascista (que quería conservar sus privilegios económicos y políticos, y que era consciente del fortalecimiento de la clase obrera y de su acción revolucionaria que provocaría el cuestionamiento de esos privilegios) y la revolución proletaria (con una clase obrera que era cada vez más consciente que la IIª República no podía satisfacer las necesidades de los trabajadores y la sed de tierras del campesinado) tenía que colisionar, y el que se produjera era sólo una cuestión de tiempo.


          Desde la entrada de la CEDA al Gobierno de la República y la revolución proletaria que se desencadenó frente a este hecho, impulsó desde ese momento a la burguesía a preparar un recambio del régimen, que aplastase por muchos años al movimiento obrero, y eso sólo lo podía garantizar un régimen fascista. Pero Falange y los otros grupos fascista en España tenía escasa fuerza y no podían movilizar a sectores significativos de la pequeña burguesía que dieran base social, como en Alemania o Italia, a un movimiento de esas características. La única garantía de éxito de una operación de esa amplitud era que fuera asumida por el ejército, y por ello comenzó la conspiración, ya desde antes de la victoria del Frente Popular el 14 de febrero del 1936.


          El Gobierno que surgió de esas elecciones era consciente de la situación, pero la propia naturaleza del Frente Popular impedía que pudiera desarticular la conspiración. Al Tratarse de una alianza entre la burguesía (que se expresaba por los partidos republicanos que la integraban) y el proletariado (representado por el PSOE, PCE, ?), donde las organizaciones obreras se supeditaban políticamente a la autoridad de los Ministros republicanos, cualquier medida dirigida a contra los militares golpistas o por el armamento de los trabajadores era condenada por desestabilizadora del propio Gobierno. Los ministros burgueses del Frente Popular creían que la política de mano dura en los conflictos laborales de la época convencerían a los sectores burgueses de que eran lo suficientemente fuertes como para impedir la revolución, de forma que éstos se aplacarían con alguna  concesiones.


          Pero la burguesía sabía que la situación no admitía paños calientes, y siguió conspirando, hasta el 18 de julio en que se rebelaron las guarniciones de África y empezaron a hacerlo las de la península.


          En la zona en que no triunfa la rebelión militar, el Estado se desmorona


          Los militares prepararon el golpe como en anteriores rebeliones, bajo el esquema de sacar la tropa de los cuarteles, ocupar los edificios públicos y transportes y comunicaciones, y proclamar abolida la república e instaurar un estado de sitio para hacer frente a las movilizaciones populares de rechazo que estos hechos pudieran provocar. Pero no tuvieron en cuenta que los trabajadores habían asimilado la experiencia de la represión que se desplegó tras el fracaso de la Huelga de octubre, así como las experiencias del ascenso del fascismo en Italia, Alemania y Austria, y no se quedarían con los brazos cruzados ante la posibilidad de que en España pudiera darse una situación similar. Desde que se tiene conocimiento de la rebelión desatada en Marruecos, cunde la inquietud en los barrios obreros, las organizaciones del Frente Popular llaman a confiar en el Gobierno, pero los trabajadores reclaman armas para defenderse de los militares fascistas, y el Gobierno niega las armas.


          Esta negativa del primer ministro Casares Quiroga se basaba, no en la confianza de que dicha intentona estaba condenada al fracaso por el aplastante número de fuerzas militares que permanecían leales, sino porque creía que haciendo concesiones políticas a los generales rebeldes, podría conseguir que éstos desistieran de sus planes. Mientras el Gobierno del Frente Popular negociaba con los militares fascistas, la paciencia de los trabajadores llega a su fin y comienzan los asaltos a los cuarteles y la toma de las armas por sus propias manos, así como la entrega de las mismas por oficiales medios que desobedecen al Gobierno.


          Los trabajadores solos, espontáneamente, al principio en contra de las instrucciones de sus propias organizaciones consiguen parar al fascismo en Madrid, Barcelona, Valencia, Málaga y Bilbao, así como en otras ciudades y pueblos. Las vacilaciones en la entrega de las armas a los trabajadores del Frente Popular provocaron que una gran parte del territorio cayese en poder de Franco. Esta acción heroica y espontánea de la clase obrera no sólo logró parar el plan del golpe militar fascista, sino que hizo desmoronarse al Estado en la zona en que no triunfó el golpe. De la noche a la mañana, gracias a las armas el proletariado se había convertido provisionalmente en detentadores del poder político y económico: los patronos habían huido o estaban escondidos, lo mismo que los terratenientes. Las fábricas, talleres y tierras había pasado de súbito a manos de los trabajadores y campesinos. El ejército se había desmoronado, sus oficiales se pasaron al bando fascista, y los suboficiales pasaron el grueso a engrosar las milicias populares, que se habían creado tras los primeros combates


          Las lecciones de la revolución española en la lucha por la III República


          El golpe fascista desencadenó una revolución proletaria. La España industrial y urbana quedaba en manos de la revolución, mientras la España rural e improductiva quedaba en manos de Franco. La situación parecía inclinarse a favor de la revolución, sino fuera porque no se extrajeron las lecciones de la noche misma de la rebelión militar: las concesiones a los fascistas no pueden pararlos, el ofrecerles una república democrática, donde se «mantuviese a raya» a los trabajadores no podía convencerles, y además tenía un efecto desmoralizador y enervante en las masas trabajadoras, como la negativa a entregar armas al pueblo.


          El no profundizar la revolución que se dio el 19 de julio creó las condiciones políticas y sociales para la victoria de Franco. De estos acontecimientos históricos hay que extraer lecciones, para no volver a repetir los mismos errores. La lucha por la III República, y las reivindicaciones democráticas que ella representa, no pueden eludir la necesaria independencia que los trabajadores deben mantener respecto a la burguesía y su Estado, así como la profundización de revolución es la única garantía de conservar las posiciones que se alcancen en la lucha revolucionaria.


          Publicado en www.marxismo.info página del PRT – IR (sección de la LITci en el estado español)

          Por la liberación inmediata de Oliverio Medina!

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            A 30 años del golpe militar

              La represión de ayer y de hoy

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                Propuesta presentada por el PSTU a la dirección del P-SOL

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                  Uma campanha eleitoral a serviço do processo de mobilização

                    Na cidade de União dos Palmares (Alagoas), perto  do local que tem a ver com a história de resistência do Quilombo dos Palmares e de Zumbi, símbolo da luta contra a exploração e a opressão, foi feito o lançamento oficial da Frente de Esquerda (PSOL, PSTU e PCB). 


                    Representando o PSTU, Zé Maria em seu discurso lembrou o apoio da mídia, dos banqueiros e os grandes empresários ao governo Lula. Ressaltou que esses setores nunca ganharam tanto dinheiro como estão ganhando na administração petista. <Vão tentar vender ao povo brasileiro a idéia de que só existem duas alternativas: quem estiver a favor do Lula ou achar que ele é um mal menor deve votar nele, quem estiver contra deve votar em Alckmin. Este ato de hoje, é uma primeira expressão de que não vai ser assim. Já existe um setor da classe trabalhadora que não se engana mais com Lula, que vai crescer e vai enfrentar este governo para desmascará-lo>, declarou.


                    Zé Maria afirmou que tucanos e petistas são iguais, defendem a mesma política econômica, que massacra o povo para favorecer os banqueiros e grandes empresários, e realizam também a mesma corrupção quando estão no poder. <Nenhum deles defende os interesses dos trabalhadores. Lula não é um mal menor, pois enganou os trabalhadores e está fazendo um governo tão ou mais nefasto que o de FHC. Lula, a despeito de suas origens governa para os ricos e contra os pobres>.


                    Para ele, a grande tarefa que está colocada neste momento é derrotar este governo, e também, a direita tradicional representada pelo PSDB/PFL. <Essa é a única forma de defendermos efetivamente os nossos direitos e de promover no país as mudanças que precisamos para acabar com a fome, a miséria e a violência. Para isso estamos avançando na construção de alternativas para a luta e a mobilização social, a Conlutas, frente a traição das velhas organizações. E é preciso também que esta alternativa apresente-se no processo eleitoral>, disse.


                    Campanha a serviço da luta


                    O dirigente do PSTU lembrou da importância da campanha da Frente para combater a falsa polarização de Lula e Alckmin, afirmando: <É preciso apresentar a cada trabalhador uma alternativa que represente seus interesses, uma alternativa de esquerda representada pelas candidaturas de Heloísa Helena e César Benjamim, com a Frente de Esquerda>.


                    Ressaltou também a importância da campanha da Frente se apresentar a contra o pagamento da dívida externa e interna, da ruptura com as políticas econômicas do FMI, da reestatização das empresas privatizadas e a estatização do sistema financeiro.


                    <E acima de tudo uma campanha a serviço do processo de mobilização que já está em curso no país, as greves dos servidores federais, da UERJ, da luta dos metalúrgicos contra as demissões, da campanha salarial dos petroleiros, trabalhadores nos correios, bancários que se inicia neste segundo semestre. As mobilizações ainda são incipientes, vamos trabalhar para generalizá-las e radicalizá-las, pois este é o caminho que poderá levar a uma efetiva transformação do nosso país>, declarou.


                    Nesse sentido Zé Maria disse que o principal objetivo da Frente é fortalecer as lutas populares. <Queremos eleger deputados, governadores, senadores, presidente da república, comprometidos com os trabalhadores. Mas acima de tudo uma candidatura para fortalecer a luta e a organização dos trabalhadores brasileiros. Só o processo de mobilização social pode reunir forças suficientes para mudar o país>.


                    Por fim, finalizou dizendo que o PSTU estará nessa luta. <Vocês poderão contar com cada um dos militantes do PSTU em todo o país. Estaremos lado a lado, ombro a ombro, nesta batalha pelo voto dos trabalhadores e para fortalecer suas lutas e sua organização>, concluiu.

                    El gobierno del Frente Popular y sus aliados

                      El gobierno del Frente Popular y sus aliados

                      É preciso generalizar e unificar a resistência ao governo

                        A ofensiva do governo Sócrates sobre os trabalhadores não tem limites. A obsessão do governo em cumprir os acordos com Bruxelas e em resolver a crise do capitalismo actual à custa dos mesmos de sempre é de tal ordem que até maternidades pretende fechar, num país com uma crescente quebra de natalidade e um envelhecimento populacional gritante.


                        Sócrates (e o PS, é preciso não esquecer quem nos governa) não questiona compromissos do Estado com as Forças Armadas, fabricados por Paulo Portas, que hipotecam o país pelos próximos 30 anos, em acordos de leasing para a compra de material bélico. Ao mesmo tempo, mostra-se superempenhado em diminuir o subsídio de desemprego, fechar maternidades e assistir, como se fosse um problema do mercado, o fecho contínuo de empresas e ao despedimento de trabalhadores aos milhares, sem que se vislumbre o seu fim. Mas, se tudo isto é verdade, porque não existem revoltas <à francesa>?


                        Recentemente, a corrente interna que representamos dentro do Bloco de Esquerda, em reflexão sobre o balanço das eleições presidenciais, avaliou que o governo tinha sofrido uma dura derrota eleitoral com o resultado obtido por Mário Soares, o seu candidato nessas eleições. Logo, vozes apressadas próximas da direcção do BE, concluíram que nos tínhamos enganado, que o governo estaria mais forte porque Cavaco Silva tinha ganho as eleições e isso fortaleceria a actual equipa governamental. Esta polémica, entretanto aberta e desenvolvida em torno da discussão sobre o rumo estratégico do BE para o próximo período, tem agora novos elementos.


                        Como caracterizar a conjuntura política e definir quem se enganou na avaliação política? Da nossa parte, convém esclarecer que nunca afirmámos que a vitória eleitoral de Cavaco não fosse útil ao governo Sócrates e não viesse mesmo a fortalecê-lo. É útil porque tem neste dirigente da direita um forte aliado na superestrutura do Estado; continuará a ser útil porque Cavaco sabe que do ponto de vista burguês as políticas actuais do governo PS dificilmente teriam melhores condições de serem implementadas por um governo dos partidos mais à direita do regime. Mas, convém notar, que o governo Sócrates também estaria muito bem defendido se tivesse sido eleito Mário Soares.


                        Soares ? valha-lhe a franqueza dos últimos anos ? sempre tem afirmado que Sócrates o surpreendeu pela positiva e que não existiam alternativas às actuais orientações do governo e até, em plena campanha eleitoral, em entrevista ao Semanário Económico, defendeu abertamente o aumento da idade de reforma para combater o défice da Segurança Social. Assim sendo, o que nos faz divergir sobre a análise da situação política com a direcção do BE? A direcção bloquista vê o fortalecimento governamental como o resultado da vitória de Cavaco e do sentimento subsequente de derrota por parte da esquerda e dos trabalhadores. Este seria o argumento principal para explicar a ausência de contestação significativa ao actual governo ou o seu fortalecimento na actual conjuntura. Discordamos.


                        Primeiro, existe contestação em vários sectores sócio-profissionais, mesmo que numa situação defensiva (em que, de facto, quem se encontra na ofensiva, é o governo Sócrates e os empresários); segundo, a razão principal porque os trabalhadores se encontram na defensiva e sem um processo de contestação semelhantes à situação francesa, por exemplo, deve-se ao facto de o movimento sindical (principalmente a CGTP) ter deixado perder a oportunidade de passar à ofensiva no último semestre de 2005, quando o funcionalismo público esteve à beira de poder protagonizar a primeira greve geral da era Sócrates.


                        Os sindicatos, em contrapartida, arrastaram por meses os processos de mobilização, em greves alternadas ou de <carrossel>, que servem mais para desmoralizar do que para mobilizar e, essencialmente, impediram que se convocasse um contestação geral, perfeitamente ao alcance do descontentamento dos funcionários públicos. Reside aqui a <fortaleza> do actual governo, e não na vitória de Cavaco nas eleições presidenciais. Deste modo, construir alternativas reais no movimento sindical ao sindicalismo conservador enquistado nas direcções sindicais é uma tarefa imprescindível, para abrir caminho a lutas e processos unificados e generalizados de contestação ao governo. A campanha pelo emprego, iniciativa do BE para o próximo verão, pode e deve ser uma alavanca para acumular forças alternativas à esquerda no movimento sindical.


                         

                        Liberdade aos presos políticos do MLST

                          A prisão dos manifestantes ligados ao Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) pela ocupação da Câmara dos Deputados, em 6 de junho, é mais um exemplo da criminalização dos movimentos sociais que vem sendo constante no governo Lula.


                          Naquele dia, cerca de 550 pessoas foram presas e levadas a um ginásio, entre elas mulheres e menores de idade. Na penitenciária da Papuda, em Brasília, ainda permanecem detidos 42 manifestantes, para os quais foi decretada prisão preventiva.


                          No dia 20 de junho, a Polícia Federal pediu ao Ministério Público o indiciamento de outros 73 integrantes do MLST. Ao todo, 115 militantes são acusados de vários crimes. Os acusados podem pegar até 15 anos de prisão.


                          Além das prisões e indiciamentos, o MLST ainda conta que os presos sofreram maus tratos. No dia 14 de junho, a coordenação do movimento encaminhou uma denúncia à Secretaria Especial de Direitos Humanos, relatando abusos e maus tratos cometidos pela PM e pela Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados contra os presos. Tais ações teriam ocorrido no primeiro dia da prisão, quando eles ainda estavam no ginásio.


                          Como se vê, as prisões e investigações são aplicadas a ferro e fogo sobre os movimentos sociais. Por outro lado, as centenas de parlamentares envolvidos em escândalos do mensalão ou da máfia dos sanguessugas estão livres e devem disputar as próximas eleições para continuar sugando a máquina pública.


                          A <ordem> defendida por todos aqueles que condenaram a ação do MLST é aquela que mantém os mesmos corruptos no poder, o latifúndio e o lucro dos banqueiros, às custas da miséria da maioria da população. Lula, o governo e o Congresso são os verdadeiros responsáveis pelo ocorrido na Câmara no dia 6.


                          As ações daquele dia tiveram um caráter ultra-esquerdista, pois foi descolada dos assentamentos e das ocupações, e apenas forneceu desculpas para a direita atacar a luta pela reforma agrária. Independente disso, o PSTU apóia a luta dos sem-terra pela reforma agrária, luta contra a criminalização dos movimentos sociais e exige a libertação dos companheiros.


                          Nesse sentido, é necessário organizar uma campanha pela imediata libertação dos sem-terras que estão presos. O primeiro passo nesse sentido foi a realização de um ato político em Brasília, no ultimo dia 21. Nele estiveram várias organizações sindicais e partidárias, como a Andes, Condsef, Fenasps, Intersindical: Metalúrgicos de Campinas, Limeira, Santos (diretoria eleita), Conlutas, MST, MLST, CPT, PSTU, P-SOL, entre outras organizações.


                          A Conlutas publicou uma nota exigindo a libertação dos companheiros e, com outras entidades, prepara agora uma campanha nacional. É necessário estender essa luta para todo o país. Chamamos todos os ativistas e lutadores a denunciar o ataque do governo Lula aos movimentos sociais e defender a libertação dos militantes sem-terra do MLST.

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