Prisão a todos aqueles que desrespeitam os direitos dos trabalhadores!
 
Enquanto nos convidam a acreditar na paz, dão ordens para nos assassinar!

A impunidade vem se repetindo como um (mau) costume desta democracia herdeira da ditadura de Pinochet, e na qual os poderosos, ricos e patrões, com suas instituições, conseguem se salvar “ilesos” de seus constantes atropelos contra os trabalhadores e o povo em geral.

Em fevereiro deste ano foi encontrado morto em seu local de trabalho o dirigente sindical Juan Pablo Jimenéz. Ele preparava documentos para denunciar a empresa por práticas antissindicais, mas não pôde fazê-lo “… uma bala perdida, disparada em ‘La Legua’ matou-o instantaneamente”; isso foi o que disse a PDI (Polícia de Investigações), um argumento mais que inverossímil, pois a bala teria percorrido cerca de 2 quilômetros para se chocar com uma cerca e desviar-se até a cabeça do companheiro Juan Pablo; um argumento, no mínimo, estúpido… Quem conhece a área sabe que isto é impossível.

A família, os amigos e o sindicato convocaram marchas pedindo o esclarecimento, investigação e punição dos responsáveis por esse crime.

Estranhamente, o único suspeito está no hospital em estado de coma, e será muito difícil que fale e conte sua versão. Ainda mais quando todas as suspeitas recaem sobre os guardas de segurança da Empresa, vinculados à antiga CNI (Central Nacional de Inteligência) da ditadura.

Foi nesta mesma “democracia” que se deu o assassinato de Alex Lemún, Jhony Cariqueo e o inesquecível Matias Catrileo; este último caso também em completa impunidade. O policial que o assassinou covardemente pelas costas não foi preso nem um só dia, tampouco recebeu uma sanção; pior ainda, abriram-lhe as portas para que voltasse à instituição. O mesmo ocorreu no assassinato de Manuel Gutierrez: o estudante foi morto nos protestos de 2011, o policial já foi identificado , mas até hoje só há impunidade…

“Policiais” também atuam em completa impunidade quando perseguem e detêm os ambulantes que vendem comida na rua. Eles são ameaçados, expulsos de seus locais de trabalho e se não forem… dão voltas com eles em seus carros. Também vimos pela televisão (só um canal o mostrou) quando uma estudante “caloura” foi maltratada, humilhada, violentada e detida por “policiais” por estar pedindo dinheiro na rua, devido ao “trote”. Temos que ser claros, nem os trabalhadores, nem os estudantes, nem o povo merece esse tratamento: Basta de Impunidade!

Mas as pessoas começaram a perder o medo, já houve um grupo de trabalhadores que impediu que um vendedor fosse preso, atacando os policiais, que tiveram que fugir do local. O mesmo ocorreu no caso da estudante “caloura”. Também vimos como os trabalhadores se enfrentaram com policiais quando se realizou a marcha por Juan Pablo Jimenez; assim também os estudantes seguem lutando pelos seus direitos. É por isso que o Governo pretende enviar um projeto de lei para que se castiguem as pessoas que faltem com o respeito aos policiais, porque as pessoas estão perdendo o medo.

E ainda que algumas pesquisas de opinião apontem a polícia como uma das instituições mais respeitadas pela população, isto não é assim, pois o que não informam é que numa escala de 1 a 7, só alcançam a nota 4; e que as demais instituições simplesmente têm notas piores. A mudança superficial da imagem que se deseja fazer é somente isso: uma mudança superficial. Todos somos testemunhas de que os policiais assassinaram durante a ditadura e que, na “democracia”, continuam assassinando

O caso “La Polar” chega a ser engraçado: os proprietários desta rede de lojas, depois de darem golpes em muitas pessoas, ficaram “detidos” em suas casas. Apenas um não foi absolvido e este, que deveria ficar preso, recebeu permissão da justiça para que fosse de férias para sua pequena propriedade no Sul. Completa impunidade. Sobre isto nada dizem os meios de comunicação.

Em janeiro de 2012 grandes incêndios ocorreram nos bosques do sul do Chile; foram queimadas algumas casas e vinícolas da família Urban. O governo saiu de imediato culpando os Mapuches e a Coordenação Arauco Malleco (CAM) disse que ia aplicar-lhes a lei antiterrorista e que ia deixá-los secar na cadeia… porém, as investigações concluíram que os incêndios foram provocados por bombeiros piromaníacos… “que estavam entediados e que queriam ação”.

Esta notícia, nos meios de comunicação, não durou um minuto e nada mais foi dito.

O crime de Daniel Zamudio foi aproveitado pelo governo para aprovar a lei antidiscriminação e assim aparecer como o defensor das minorias sexuais… pura demagogia. Um ano após o crime, a marcha não poderia ser realizada no traçado inicial por ser um perigo para a cidade, mas a que se realizou contou com um forte contingente de forças especiais “guanaco e zorrillo”… os meios de comunicação decidiram minimizar a notícia.

Os estudantes tiveram razão todo o tempo: as instituições privadas estão lucrando com a educação e com as verbas do Estado. A “Universidade del Mar” é um exemplo, mas não é a única. Segundo informações, há mais instituições envolvidas e os donos destas Universidades privadas têm grandes negócios com imobiliárias.

A “Universidade del Mar” faliu e foi fechada, e os únicos grandes prejudicados são os estudantes e suas famílias. Os donos passam bem e estão sem nenhum problema: Impunidade para os donos e a situação não é notícia… para os meios oficiais.

Mas a cereja do bolo chamado impunidade é representada pela situação da Câmara dos Deputados, que elegeu como vice-presidente um “honorable chanta”[1] que está condenado por fraudes à Fazenda em milhões de pesos. Todos se calam, é um “honorável”, mas se fosse de um caixa de supermercado e faltassem alguns pesos no caixa, o mais provável é que seria acusado de roubo e demitido.

Os assassinos permanecem em liberdade, os golpistas saem de férias, os que lucram com a educação não têm nenhum problema, todos ficam livres e na mais completa impunidade.

Enquanto nós, que trabalhamos pelo sustento diário, que sofremos a exploração permanente, sofremos com a repressão permanente. Por isso é que devemos continuar lutando por uma sociedade mais justa, por uma sociedade socialista.

Tradução: Jéssica Augusti



[1] Chanta é uma pessoa de pouca credibilidade, mentiroso