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No mundo inteiro, milhares de mulheres estão a sair à rua. Na Polónia, contra os ataques ao direito ao aborto; na Argentina, contra os feminicídios; nos EUA, contra as agressões de Trump. Neste dia 8 de março, somos chamadas responder ao apelo internacional para uma Greve Internacional de Mulheres e demonstrar a força do nosso trabalho e da nossa voz!

Por: Maria Silva – Em Luta (Portugal)

Se comemoramos 10 anos da despenalização do aborto em Portugal, foi porque lutamos por ela. Neste dia 8 de março, também em Portugal, somos chamadas a levantarmo-nos, a erguermos os nossos corpos, as nossas vozes, as nossas reivindicações, as novas lutas!

Passos Coelho atacou toda a classe trabalhadora, mas foram as mulheres trabalhadoras e negras que mais sofreram com a austeridade! Todos os seus ataques foram mais duros sobre as nossas costas!

No país de Costa, as mulheres trabalhadoras não viram a sua vida mudar. Neste 8 de março, exigimos mais direitos. É preciso devolver tudo o que nos foi roubado por Passos/Portas. É preciso acabar com as imposições da UE e da dívida, que destroem os serviços públicos e sobrecarregam as mulheres. É preciso reduzir o horário de trabalho e construir uma rede de creches públicas para que mulheres e homens possam dividir tarefas e cumprir em comum a parentalidade. É preciso acabar com as empresas de trabalho temporário e efetivar todos os trabalhadores ao fim de um ano para garantir que nem mais um mulher seja prejudicada ou coibida nos seus direitos. É preciso um plano público para combater a violência de verdade. Por isso, do Governo de Costa exigimos medidas concretas e não palavras bonitas a favor das mulheres.

Com a greve internacional, retomamos os métodos da classe trabalhadora e colocamo-nos na barricada oposta à dos patrões e governos, que permitem que a exploração e opressão da mulher se perpetue. A mulher que paraliza está a pôr o dedo na ferida: o seu trabalho roubado que todos os dias tanto lucro dá ao patrão.

A comemoração dos 100 anos da Revolução Russa, iniciada no dia 8 de março, mostra a força das mulheres e relembra-nos que as nossas lutas são parte da luta de todos os trabalhadores contra o sistema capitalista.  Tudo o que conquistarmos nesta sociedade é transitório e temporário, pois o capitalismo lucra com manter a mulher em desigualdade. Sabemos, por isso, que não é este sistema, baseado na exploração, no lucro, na opressão das mulheres, no racismo, na xenofobia, na barbárie humana, que nos vai dar o que precisamos para nos libertarmos da opressão. A nossa luta é por direitos hoje e já, mas ombro a ombro com todos os trabalhadores que lutam contra o capitalismo!

Neste dia 8 de março, chamamos todas as mulheres trabalhadoras, negras, imigrantes, ciganas a erguerem-se e lutarem e levantamos bem altas as bandeiras das nossas reivindicações contra o capitalismo e os seus governos!

MULHERES EM LUTA POR:

– uma rede de creches públicas, gratuitas e de qualidade!

– direito à nacionalidade para todas as nascidas em Portugal!

– fim da precariedade, trabalho com direitos!

– plano público para combater a violência doméstica!