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Diante da repressão policial aos manifestantes contra a reeleição via emenda constitucional, ocorrida em 31 de março em frente à sede do Congresso Nacional; diante da prisão de centenas de jovens compatriotas e o assassinato, pela Polícia Nacional, de um jovem de 25 anos de idade, dentro da sede do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA); a Central Unitária dos Trabalhadores – Autêntica (CUT-A), a Confederação da Classe Trabalhadora (CCT), a Confederação Nacional dos Trabalhadores (CONAT), a Central Sindical de Trabalhadores do Paraguai (CESITP) e a Central Unitária dos Trabalhadores – Legítima (CNT-L), organizações participantes da Plenária de Centrais Sindicais, declaram o seguinte:

  1. Vários milhares de compatriotas, principalmente jovens, saíram às ruas para repudiar o que eles consideraram uma afronta à Constituição e às regras básicas de funcionamento do Senado. A raiva dos manifestantes se converteu em fúria contra a corrupção descarada do Parlamento, que se expressou no incêndio da sede do Congresso Nacional, e contra o autoritarismo do governo de Horacio Cartes, que vem atropelando, sem piedade, os direitos dos trabalhadores da cidade e do campo, dos jovens, das mulheres, dos indígenas e do conjunto do povo pobre.
  2. Lamentamos e condenamos o cruel assassinato do jovem Rodrigo Quintana, que foi morto a tiros por agentes da Polícia Nacional, que entraram sem mandado judicial na sede do diretório do Partido Liberal Radical Autêntico. Enviamos nossas condolências aos pais, parentes e amigos de Rodrigo e expressamos a nossa mais profunda solidariedade.
  3. Repudiamos a repressão policial, que começou ferindo o rosto do deputado Edgar Acosta com balas de borracha e terminou várias horas mais tarde com o assassinato do jovem Rodrigo Quintana, deixando dezenas de manifestantes feridos e centenas de presos.
  4. Para a Plenária das Centrais Sindicais, o governo de Horacio Cartes é responsável por tudo o que aconteceu, ainda que consideremos que essa responsabilidade é também daqueles que, neste momento, apoiam a reeleição presidencial por meio de emenda constitucional.
  5. A partir da Plenária das Centrais Sindicais, reafirmamos a defesa das conquistas democráticas e expressamos a nossa mais firme rejeição à possibilidade de reeditar a nefasta ditadura, que durou 35 anos e foi a pior etapa da nossa história. Chamamos, portanto, a fortalecer nossas organizações e realizar lutas unitárias contra o modelo neoliberal e sua expressão mais concreta: a ditadura do capital e o autoritarismo político.
  6. Chamamos, finalmente, a todas as organizações sindicais, camponesas, estudantis, de bairros, de mulheres, de jovens, de indígenas a permanecer em alerta para resistir aos planos nefastos de direitização do regime, as quais põem em perigo as conquistas democráticas que o povo conseguiu com as suas lutas, e rejeitar categoricamente a tentativa de Cartes de se perpetuar no poder.

Assunção, 01 de abril de 2017

CUT-A: Bernardo Rojas, presidente

CCT: Julio López, presidente

CONAT: Héctor Benítez, presidente

CNT-G: Lázaro Rojas, representante

CESITP Reinaldo Barreto, presidente

Tradução: Lena Souza