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No último dia 31 de março, muitíssimos trabalhadores e trabalhadoras de distintos setores – embora não organizados – saíram às ruas para expressar sua raiva. Isso foi reflexo do grande descontentamento com um governo que aprofunda a miséria, enquanto os de sempre se enriquecem cada dia mais.

Por: Partido de los Trabajadores – Paraguai

Foi criada uma distorção sobre os fatos ocorridos no âmbito do repúdio à reeleição via emenda, que o governo, a Frente Guasú e o Llanismo tentaram impor de assalto. Tal distorção, que diz respeito aos protagonistas da enorme mobilização, foi construída em base a mentiras, afirmando que a enorme maioria dos manifestantes era adepta ao Efrainismo[1] ou outros setores, que nesta conjuntura se fingem, cinicamente, de opositores.

Apesar de o início da manifestação ter sido protagonizado por setores do PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico), nas horas seguintes milhares de pessoas, descontentes e indignadas pelo ocorrido, saíram para expressar seu repúdio nas ruas. Estas pessoas não tinham direção alguma. Seu impulso foi o ódio contra os representantes deste Estado criminoso, que, confabulados ao redor de seus interesses mesquinhos, põem em perigo as mínimas garantias e direitos que o povo trabalhador tem para se organizar e lutar. Diante de um claro advento de um regime de traços ditatoriais, as massas responderam nas ruas.

Esta deturpação não foi construída apenas pelos meios de comunicação empresariais e pelo oficialismo, mas também, vergonhosamente, pela “esquerda luguista”. Todos eles juntos qualificam como vândalos os que enfrentaram a repressão policial e, movidos pela raiva contida, destroçaram e botaram fogo na cova de ladrões que é o Congresso Nacional.

Depois da repressão, da perseguição nas ruas, das prisões ilegais e do assassinato de um dirigente do PLRA na sede deste partido, continua a criminalização, com os processos penais. O objetivo é sempre o mesmo, desmobilizar as pessoas, desarticular suas organizações, colocar medo e tentar disciplinar ao conjunto dos “vândalos/as” que repudiaram estes corruptos, que disputam a administração de seus negócios vinculados ao Estado.

O incêndio do Congresso tem uma enorme carga simbólica, expressando a frustração e o cansaço da grande maioria do povo trabalhador, que observa, dia após dia, como um grupo de vândalos nos rouba descaradamente. Os vândalos de sempre, os pacifistas acomodados, foram alvo da reação popular, no dia 31 de março, no terreno mais democrático que os trabalhadores e as trabalhadoras têm, as ruas, onde saímos a lutar.

Nota:

[1] Termo relacionado ao político Pedro Efraín Alegre Sasiain, ex-senador e ex-candidato a Presidente da República pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) [nota da tradução].

Tradução: Isa Pérez