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É necessário completar a tarefa, derrubando a emenda

O anúncio, feito por Cartes, de que não apresentará sua candidatura à Presidência da República para o período de 2018 a 2023 é uma vitória retumbante, conquistada por amplos setores do povo trabalhador, principalmente da juventude, que, por todas as formas e meios possíveis, expressaram seu repúdio ao processo de manobra e imposição da espúria emenda constitucional.

Por: Partido de los Trabajadores – Paraguai

Uma emenda que, independentemente do debate sobre sua legalidade ou não, merece um rechaço categórico, porque está a serviço de reeleger conhecidos candidatos que trouxeram apenas mais desigualdade, mais concentração de riqueza e um regime mais opressivo para o povo trabalhador. Abaixo a reeleição dos imprestáveis Cartes e Lugo!

Saudamos a descrença que reina, em todos os setores do povo, sobre o anúncio de Cartes. Se a renúncia for um mero disfarce do presidente – como muitos especulam – com o objetivo de descomprimir a situação e sair do centro da crise, enquanto a emenda espera um melhor momento para votação na Câmara, [Cartes] pagará um preço ainda mais caro, com um desprezo mais amplo e profundo.

Sobre o motivo da renúncia, há todo tipo de especulações. [Tal motivo] Sempre consistirá em uma conjunção de fatores, que atuam de forma mais ou menos sincronizada (pressões dos EUA e/ou da Igreja Católica), mas, em última instância – e, para nós, o essencial – está o amplo e categórico rechaço popular à manobra realizada por estes setores burgueses ou conservadores para forçar a medida. Vale recordar: a mensagem deixada pela raiva acumulada da gente comum no incêndio do Congresso Nacional é simbolicamente paradigmática.

Neste sentido, os próximos alvos da dura e firme luta contra a emenda nascida de assalto são a Câmara dos Deputados e a Suprema Corte de Justiça, ambas submetidas ao dinheiro de Cartes. Esperar que a Corte se pronuncie, como pretende o Presidente da Câmara dos Deputados, é uma desculpa barata e uma piada que não devemos aceitar. Os fugitivos que lotam a Câmara e a Suprema Corte devem sentir a pressão e a indignação popular, para levar à frente este processo de recuo de Cartes até a derrubada do mal nascido Projeto de Emenda.

Lugo e a Frente Guasú (FG) estão cada vez mais afundados no desprezo político e popular. Para além da sua usual degeneração programática, política e ética, são agora os bobos de uma obra que acreditavam dirigir. O pronunciamento da FG é uma aberração defensiva e uma negação total da destruição política que está sofrendo. Pior ainda, ridiculamente, pretende apresentar a situação como friamente planejada por eles. Deixados na mão pelo sócio com quem decidiram pactuar, estão agora em um momento político delicado, com a perda da credibilidade e a aguda desconfiança de imensos segmentos do povo. Não podemos nos lamentar pela FG e Lugo estarem na forca política, porque eles merecem.

Llano e seus parlamentares, corruptos de marca maior, buscam no que se agarrar. Sua filiação está suspensa, por ora, pelo seu Partido [PLRA], enquanto o cofre de Cartes se restringe. Os mercenários, em qualquer âmbito, são os que ficam mais expostos. Llano e sua máfia estão com a corda política no pescoço, e não merecem nada melhor.

A necessidade de abrir alternativas políticas é urgente. Os partidos Colorado, de Cartes e Marito, Liberal, de Llano e Efraín, a FG ou os outsider como Ferreiro são, para além de um detalhe aqui ou ali, muito similares. Nesta luta em curso, devemos seguir desenvolvendo uma política independente da classe trabalhadora, porque em breve teremos crises recorrentes, sem uma alternativa real. Convocamos a vanguarda do movimento sindical e popular a avançar, com urgência, por este caminho.

Neste momento, sigamos atacando fortemente e sem parar, para que a Emenda seja cuspida fora e jogada no lixo. Chega dos pretextos do Presidente da Câmara de Deputados, que tenta salvar sua pele e de seus deputados políticos passando a bola para a Suprema Corte.

Fora Cartes!

Fora Lugo!

Abaixo a Emenda!

Tradução: Isa Pérez