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O dia 7 de março ficará na memória dos trabalhadores como o dia em que botamos a direção da CGT para correr, obrigando-a a marcar a data da Greve Geral. Lamentavelmente, o PO, o PTS, a IS, o MST e o Novo MAS não estavam lá. Alguns, como o Novo MAS e o PTS, defenderam o boicote ao ato. Os demais fizeram seu próprio ato na Praça de Maio, a cinco quadras de distância.

Por: Teca – PSTU – Argentina

Nosso partido esteve com os trabalhadores kirchneristas e peronistas, com palavras de ordem para que fosse marcada a data da greve geral, botando os burocratas para correr por três quarteirões, no local do ato ao lado dos motoristas das linhas 60, 540, Linha Leste e de todos os trabalhadores que festejavam a expulsão da burocracia, enquanto ocupavam o palanque da CGT.

Mas não nos interessa a autoproclamação, e sim debater com todos os militantes honestos e simpatizantes da esquerda que foram ao ato independente, levados por suas direções, porque, nesses momentos em que as lutas se agudizam, as conclusões são fundamentais para o futuro dos trabalhadores e do povo.

Uma política que vai contra a unidade para enfrentar o ajuste 

Nos dias anteriores à mobilização, convocada pela CGT para aliviar a pressão, os partidos de esquerda que integram as frentes eleitorais FIT (PO, PTS, IS) e IFS (Novo MAS, MST) não apenas escreveram artigos explicando por que não se devia participar da mobilização como também atuaram na realidade, fazendo todo o possível para que os trabalhadores não participassem. Na Pepsico, por exemplo, o PTS foi contra o ato, e na Pilkington, o Novo MAS, sem fazer assembleia e nem consultar ninguém, decidiu que os trabalhadores da fábrica não deviam participar dessa histórica jornada de luta. Por sua vez, [Rubén Darío] Pollo Sobrero e seu partido, a Esquerda Socialista (IS), e o Partido Obrero (PO) levaram os ferroviários, os trabalhadores do SUTNA e da AGR ao seu ato “classista combativo”, separando-os dos milhares de trabalhadores que se manifestavam, enfraquecendo a exigência pela Greve Geral, que se expressou tanto através de palavras de ordem quanto jogando garrafas e insultando os dirigentes da CGT, que tiveram que fugir como ratos pelos bueiros.

A desorientação política chegou a tal ponto nesses partidos que a primeira reação do PTS foi dizer em seu jornal Esquerda Diário que o que havia acontecido foi uma briga entre setores da burocracia, repetindo o que a TN dizia.

Sabemos que nesses partidos de esquerda há centenas de trabalhadores e jovens que lutam em seus locais de trabalho, que militam incansavelmente e têm todo o nosso respeito, mas, justamente por isso, sentimo-nos obrigados a polemizar com a política de seus partidos. Nós acreditamos que o PO, PTS, IS, Novo MAS e MST se esforçam para separar seus militantes e simpatizantes dos demais trabalhadores, porque o que buscam é, principalmente, diferenciar-se eleitoralmente. Não é casual que, menos de uma semana depois dos três históricos dias de luta, nos quais o que estava em jogo era marcar e organizar a Greve Geral, o PTS, o Novo MAS e o MST tenham feito seus respectivos atos no Hotel Castelar para apresentar seus candidatos para as eleições de agosto.

Já dissemos que o ato do ano passado em Atlanta estava orientado nesse sentido, sendo o primeiro ato eleitoral do país, um ano antes das eleições. Ao invés de lutar pela Greve Geral, convocando assembleias nos locais de trabalho e plenárias de delegados sindicais, desperdiçaram o esforço de milhares de militantes em um ato que não fez mais do que lançar os candidatos da FIT. O Novo MAS e o MST seguiram o mesmo caminho, lançando sua frente eleitoral em dezembro.

Acreditamos que estes partidos continuaram atuando com a mesma lógica no dia 7 de março, que consideramos totalmente equivocada. Só vamos derrotar o plano de Macri lutando nas ruas, não votando em deputados.

Não é momento de campanha eleitoral, não façamos o jogo do governo e dos patrões, que querem desviar tudo para o terreno das eleições. Estamos diante de uma grande oportunidade, e podemos aproveitá-la se nos jogarmos com tudo para unir a luta dos trabalhadores para lutar contra as demissões, por salários e pelas condições de trabalho.

Com isso não queremos dizer que não se deva participar das eleições. Nós participamos e vamos voltar a participar quando for o momento. É importante eleger deputados, mas para que denunciem o Parlamento como uma cova de bandidos, não para fortalecê-lo fazendo acordos com a burguesia para aprovar leis, como fez o PTS, por exemplo, votando a favor da Lei de Jardins de Infância com o kirchnerismo, ou tirando fotos com deputadas do Pro no 8 de março. Da mesma forma, o PO e o PTS deram quórum ao kirchnerismo para poder aprovar mais de 100 leis no Congresso, com o argumento de que eram leis a favor da classe operária.

Fazem tudo ao contrário, negam a unidade de ação contra o ajuste, mas se juntam à burguesia na luta parlamentar.

Vamos pressionar juntos pela Greve Geral, exigindo um plano de lutas

Esses partidos gastam litros de tinta explicando que a direção da CGT é composta por burocratas que não querem chamar a greve, e por isso é necessário se organizar de maneira independente. Temos acordo que são burocratas e que não querem chamar a greve, sendo os principais pilares da governabilidade, como disse Barrionuevo. E também concordamos que é necessário construir uma alternativa independente desses dirigentes sindicais traidores. Porém, aqui estamos falando de qual é a melhor maneira de conseguir isso, de como podemos passar por cima deles. E, nesse sentido, acreditamos que esses partidos de esquerda fazem um favor aos burocratas ao tirar os trabalhadores do ato da CGT e levá-los ao outro lado, pois dividem e enfraquecem a luta pela Greve Geral.

Não é assim que se luta pela independência política dos trabalhadores. Diante das traições das direções sindicais e políticas, os partidos de esquerda devem lutar junto com os trabalhadores que ainda confiam em partidos como o PJ, o kirchnerismo, ou que não confiam em ninguém. Temos que lutar ao lado deles, mas deixando claro que não queremos a volta de Cristina Kirchner ao governo, nem queremos que Massa governe, nem nenhum candidato dos patrões, porque queremos que os trabalhadores e o povo governem.

Nós fomos à mobilização com uma faixa que dizia Greve Geral Já! Abaixo o Plano Macri, o mesmo que nosso jornal dizia. E distribuímos mais de 30 mil panfletos que exigiam que a CGT marcasse a data da Greve Geral. Fomos lá para exigir isso deles, sabendo que, se não os pressionássemos, isso não ocorreria. E fomos lá porque a Greve Geral e o plano de lutas que precisamos para derrotar o plano de Macri só serão obtidos se sairmos às ruas com os trabalhadores de distintos partidos e sindicatos. Pretender fazê-lo somente com os militantes e simpatizantes da esquerda é ridículo. Hoje, a esquerda não tem capacidade por si só para convocar uma Greve Geral e derrotar o plano de Macri. Essa é a realidade. Mas temos força para pressionar as direções e desmascará-las, defendendo uma política distinta, oposta ao que propõem, e pressionar pela sua superação. Não ganharemos a batalha pelo caminho da autoproclamação, mas combatendo por dentro, junto à base operária, sem deixar nada de graça a esses traidores. Temos que tirar conclusões do que aconteceu no dia 7, porque, se algo ficou demonstrado, é que há condições para avançar e mudar a história.

Por isso, chamamos essas organizações de esquerda à reflexão, para que mudem seu rumo e se esforcem ao máximo para garantir a unidade de todos os trabalhadores, pressionando pela base para a realização da Greve Geral e pelo plano de lutas, contra o Plano do Governo e dos dirigentes traidores e vendidos, construindo a nova direção que necessitamos pela base e no calor das lutas. Nosso partido está a serviço dessa luta e com as portas abertas para todos os trabalhadores que quiserem levá-la adiante.

Tradução: Mandi Coelho