COMPARTILHAR

Contra o Fanatismo. Contra a Corrupção. Contra a Exploração. 

Quem somos?

O Labor Rising Against Trump (Resistência dos Trabalhadores contra Trump) surgiu depois da eleição de Donald Trump em novembro de 2016. O chamado para a primeira reunião foi realizado por vários ativistas da Universidade da Califórnia (Berkeley) unidos na regional do UAW 2865, sindicato que representa 16.000 trabalhadores acadêmicos da Universidade da Califórnia e que tem uma nova direção democrática, independente, antirracista e antissexista desde 2010, e está comprometido a organizar as bases e impulsionar a ação sindical de massas sempre que seja possível para ganhar e defender nossos direitos. No mês seguinte à eleição, dezenas de ativistas sindicais da área da Baía vieram às reuniões do Labor Rising em especial os trabalhadores portuários do ILWU Local 10 (Oakland) e professores do Richmond K-12 (OEA e UTR), catedráticos e ativistas sindicais de outras universidades renomadas (UC AFT, CFA, AFT 2121), professores contratados, trabalhadores marítimos do IBU, trabalhadores do setor de entretenimento do sindicato IATSE, entre outros.

Somos um coletivo aberto de trabalhadores sindicalizados e não sindicalizados determinados a nos organizar para resistir aos próximos ataques do governo Trump e aceitamos todos os trabalhadores que queiram se organizar conosco para uma luta sindical visível contra Trump, participar de ações pelos direitos democráticos, civis e pelo meio-ambiente, lutar por um sistema de saúde com benefícios para todos e, no decorrer de nossas diferentes ações e campanhas, construir uma base em diferentes setores do movimento sindical. Nosso objetivo é educar, organizar e mobilizar os trabalhadores de modo a ganhar confiança juntos, realizando ações e levando iniciativas às regionais sindicais e locais de trabalho.

O que fizemos até agora?

Desde que os ativistas e organizadores começaram a se reunir na Área da Baía, impulsionamos a organização de colunas nas seguintes mobilizações: em 16 de janeiro nas mobilizações do Dia de Martin Luther King (MLK) em Oakland; em 20 de janeiro nos protestos contra o novo presidente (Universidade da Califórnia-Berkeley, Oakland e San Francisco) com a participação de dois sindicatos (UAW 2865 e ILWU Local 10), e em 21 de janeiro, quando participamos da Marcha das Mulheres em San Francisco e Oakland.

Também estamos comprometidos a organizar eventos de educação política em nossas comunidades, atividades informais das quais os trabalhadores possam participar e se sentir à vontade para discutir e compartilhar opiniões sobre temas que sejam importantes para eles. Com esse objetivo, organizamos durante o Dia de Martin Luther King a apresentação de um filme sobre seu legado e seu apoio à greve dos trabalhadores da saúde em Memphis, em 1968 (“At the River I Stand” – “Permaneço no rio”). Planejamos continuar organizando esses eventos.

Como movimento, nos comprometemos a apoiar todas as greves na Área da Baía, participando dos piquetes e organizando a solidariedade, assim como as greves nacionais. Também nos comprometemos a apoiar todas as campanhas por novas organizações, porque acreditamos que hoje os trabalhadores necessitam mais do que nunca de sindicatos.

Decidimos iniciar duas campanhas nos locais de trabalho e sindicatos onde estamos presentes na Califórnia. Uma campanha para defender e transformar a educação pública, envolvendo trabalhadores sindicalizados e não sindicalizados da educação, desde a educação básica até as universidades, e uma campanha para defender os direitos dos imigrantes e lutar contra as deportações e a discriminação nos locais de trabalho. Apoiamos a resistência do movimento Standing Rock (contra a passagem de oleodutos em uma região de terras indígenas, ndt), o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) e o combate contra os assassinatos policiais racistas e o abuso contra os setores negros e latinos da nossa classe.

Quais são nossos pontos de unidade?

Somos um coletivo aberto de trabalhadores sindicalizados e não sindicalizados determinados a organizar a resistência contra os próximos ataques do governo Trump. Mas nos comprometemos a continuar nossa luta pelos nossos direitos e necessidades para além deste governo. Queremos construir, com outros grupos sindicais de base similares e com outras pessoas, uma alternativa ao curso atual do movimento sindical. Queremos reconstruir um movimento democrático a partir da base, um movimento que lute pelos trabalhadores nos locais de trabalho e que não faça concessões. Nos comprometemos a construir um movimento no qual as decisões sejam tomadas democraticamente pelas bases, onde os dirigentes eleitos atuem com transparência, prestem contas e não tenham privilégios pela sua posição. Acreditamos que os quadros dirigentes devem servir e prestar contas aos trabalhadores.

Acreditamos que a classe trabalhadora está desiludida com os dois partidos tradicionais do sistema. Consideramos que é necessário construir nossa própria alternativa política e que um movimento sindical renovado e democrático tem que ter um papel-chave nisso. Especialmente na defesa dos direitos dos trabalhadores imigrantes ilegais e na mudança das taxas desproporcionais da brutalidade policial e dos encarceramentos massivos que a comunidade negra e os trabalhadores sofrem.

Nos comprometemos a construir o caminho das ações e greves sindicais, já que nosso poder se apoia na nossa capacidade de parar nosso trabalho, parar as máquinas, ocupar nossos locais de trabalho e comunitários para fazê-los trabalhar a nosso serviço e de nosso povo.

A história trabalhista dos Estados Unidos mostrou que as greves são a melhor arma dos trabalhadores para conquistar benefícios materiais concretos. A legislação trabalhista atual (especialmente a Lei Taft-Hartley de 1947) e outras traições das direções sindicais tornaram difícil para os trabalhadores fazerem greves para defender nossos direitos e lutar pelas nossas necessidades. Estamos determinados a levar o tema das greves a nossas regionais sindicais e locais de trabalho.

Nos comprometemos a combater o racismo, a islamofobia, o sexismo, a homofobia e a transfobia. Acreditamos que lutar contra a discriminação e pela liberação dos setores mais sofridos e oprimidos da classe (LGBTQI, mulheres, negros, latinos, povos indígenas, etc.) é parte da luta sindical e deve ser integrado a nossos combates, na política sindical e nas campanhas educativas. Somos contra o registro de muçulmanos e, se for estabelecido, o boicotaremos ativamente. Somos contra as deportações e defendemos plenos direitos para os trabalhadores imigrantes. Se o governo ordenar as deportações, organizaremos comitês nos locais de trabalho para lutar contra elas. Hoje, é fundamental lutar contra a “supremacia branca”. Nos opomos a qualquer conduta discriminatória ou agressiva nos locais de trabalho.

Além disso, nos comprometemos com a defesa da Terra e a luta pela defesa do meio-ambiente. Estamos comprometidos ativamente com a solidariedade internacional. A luta dos trabalhadores é internacional. Por esta razão, o movimento trabalhista necessita repudiar a guerra, as fronteiras militarizadas e as indústrias que se atuam e lucram com isso. Porque estamos nos Estados Unidos, um país imperialista, necessitamos um movimento sindical que apoie a solidariedade com as lutas dos trabalhadores em todo o mundo.

Leia mais em: laborrisingagainsttrump.wordpress.com

Tradução: Lilian Enck