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Neste 8 de março, as mulheres do mundo escreverão outra página importante na história da luta por seus direitos, em uma ação sem precedentes em mais de 20 países. Neste dia internacional da mulher trabalhadora, está sendo convocada uma greve e nós tomaremos as ruas.

Nos últimos anos, estamos vendo como, dia a dia, as mulheres se põem à frente da resistência. As trabalhadoras e pobres nos ensinam como enfrentar os planos do imperialismo, como resistir às invasões (Síria, Palestina, Curdas), como lutar pela educação (México), como defender o que já foi conquistado (Polônia), como reivindicar a igualdade salarial (Islândia), como lutar pelas nossas vidas (Índia, Argentina) e um longo etcétera.

Há um ano e meio, em 3 de junho de 2015, sob a palavra de ordem “Ni una menos!” (Nem uma a menos!), um grupo de jornalistas argentinas convocaram uma mobilização contra os feminicídios e a violência contra a mulher. Naquele dia, as ruas de Buenos Aires ficaram pequenas diante da maior mobilização pelos direitos das mulheres que esse país havia visto até então. A mobilização impactou o mundo e a palavra de ordem passou a correr outros países. Enquanto enfrentavam a repressão, as mexicanas utilizaram este mesmo grito e acrescentaram: “Vivas nos queremos!”. E assim começou a rodar pelo planeta a luta feminina, acompanhada por milhares de trabalhadores.

Em 2016, muitas mulheres voltaram a sair às ruas, houve grandes mobilizações em muitos países, porém, a greve que as mulheres polonesas fizeram pelo direito ao aborto, assim como a greve de outubro na Argentina, marcaram uma nova perspectiva. O grande impulso que faltava foi dado pelas mulheres norte-americanas, que, em centenas de milhares, saíram para enfrentar Donald Trump no primeiro dia do seu mandato.

Diferentemente do que é dito por muitos grupos feministas no mundo, isso não tem nada a ver com um empoderamento individual das mulheres ou com a defesa de nossa “feminilidade”. Isso é assim porque a crise do capitalismo é cada vez maior, os planos de ajuste do imperialismo e dos governos servis são cada dia mais duros e atingem com mais força as trabalhadoras e pobres, que não têm outra alternativa a não ser lutar contra eles. E é assim porque esta situação se combina com a violência machista, que nos tira até a vida, provocando uma onda de repúdio e indignação em todo o mundo.

Nós, da LIT-QI, participamos com muito entusiasmo de cada uma dessas ações, compartilhamos as ruas com milhares de trabalhadoras e trabalhadores, participamos de reuniões que organizaram as jornadas de 25 de novembro, e ficamos felizes que figuras de peso internacional como Angela Davis e Nancy Fraser deem força à convocatória. Enche-nos de alegria que se proponha a paralisação de atividades contra a violência machista, que se cruzem as fronteiras, que o 8 de março seja verdadeiramente um dia internacional de luta, que em muitos rincões do planeta se esteja falando de nossas necessidades.

No entanto, este entusiasmo não pode nos deslumbrar e acreditamos que, apesar de ser um primeiro passo, ainda devemos realizar muitos debates para evitar que a luta pela nossa emancipação pare no meio do caminho. Estamos convencidas de que sozinhas não chegaremos muito longe. O passo à frente que foi dado pelas mulheres na luta deve ser acompanhado pela batalha que todos os trabalhadores e povos oprimidos devem travar contra o imperialismo. Por trás dos discursos machistas, homofóbicos, racistas e anti-imigrantes de Trump, esconde-se todo um plano de continuar descarregando o peso da crise econômica mundial sobre as costas dos trabalhadores, dos jovens sem trabalho e, principalmente, de seus setores mais oprimidos. Tudo isso para dividir a classe trabalhadora para que os ricos recuperem seus lucros fabulosos. Trump golpeia primeiro os mais vulneráveis, mas depois virá contra os direitos dos trabalhadores brancos.

Os planos de ajuste e austeridade são contra toda a classe trabalhadora, afetando com muito mais força as mulheres, os imigrantes, os negros e os LGBTs. Nós somos as primeiras a sentir o aumento do custo de vida, porque não podemos dar comida aos nossos filhos, não temos remédios e vivemos em bairros desprovidos de serviços públicos. Os cortes de verbas e a falta de água potável em muitos países da África, no Haiti e nas zonas mais pobres do mundo provocam um sofrimento terrível. Muitas mulheres na Índia ficam doentes ou são violentadas nas zonas rurais porque não têm um banheiro em casa e há poucos banheiros públicos. Os orçamentos públicos para combater a violência machista, onde existem, são escassos e tendem a desaparecer. Estamos à mercê de nós mesmas, porque os governos, ao invés de aumentar os impostos dos ricos e expropriar os bens roubados pelos corruptos, aumentam os impostos e as tarifas dos trabalhadores e dos pobres.

Vamos todos à greve e às ruas

As reuniões de preparação do 8 de março na Argentina se pronunciaram de maneira unânime pela exigência às centrais sindicais para que convoquem à greve nesse dia. Da mesma forma, em outros países, movimentos de mulheres ou organizações sindicais – como na Itália o Non una di meno e a Frente de Luta No Austerity – chamam os sindicatos de base e as demais organizações a parar pelas mulheres no dia 8 de março. No Brasil, o Movimento Mulheres em Luta (MML), ligado à CSP-Conlutas, não só aderiu ao movimento pela greve internacional, como também fez um chamado para que outros setores se somem, como parte da preparação da greve geral que a classe trabalhadora necessita para derrotar o governo Temer e seus projetos de contrarreformas sociais e trabalhistas. O sindicato dos professores do estado de São Paulo (Apeoesp) convocou a categoria, majoritariamente feminina, a parar nesse dia.

Devemos tomar esses primeiros exemplos e avançar. Vamos realizar reuniões e assembleias em cada lugar de trabalho e estudo para debater e decidir nossa participação na greve mundial. Vamos estender as mãos aos nossos companheiros de classe para que parem e saiam às ruas conosco, para que escutem nossas demandas, que também são suas, para que gritem ao nosso lado para que as direções sindicais as assumam, para que comecemos a combater o machismo em nossas fileiras, para que nossas reivindicações se somem aos eixos de luta em cada greve. Vamos fazer, neste dia, milhares de protestos nas portas das fábricas, nas praças e chamar mobilizações unitárias.

Nós começamos, nos colocamos à frente e saímos às ruas por nossos direitos, mas queremos que todos os trabalhadores nos acompanhem, porque nossa luta é a de todos os explorados. Por isso, neste 8 de março, vamos todos parar e lutar com e pelas mulheres, assim como nós paramos contra as demissões, contra as leis que cortam nossas aposentadorias, pela educação pública para nossos filhos, os filhos dos trabalhadores. Nós, homens e mulheres, que podemos parar a produção somos a classe trabalhadora e, certamente, teremos que enfrentar uma minoria de mulheres, como Betsy DeVos, secretária de Educação do governo Trump, uma milionária, dona da multinacional Amway e inimiga da educação pública e das trabalhadoras. A juventude estudantil também pode parar ou mobilizar as universidades e as escolas e se unir às ações que sejam organizadas em cada país no que pode ser um grande dia. Um grande dia para as mulheres, um grande dia de luta de todos os oprimidos e explorados. Vamos dizer aos donos do mundo que estamos em pé de luta.

Neste 8 de março, nós, mulheres trabalhadoras, retomaremos nossa tradição de luta, essa tradição que fez com que este dia fosse declarado como o dia internacional da mulher desde o início do século XX e que teve um impulso extraordinário com o triunfo da revolução operária na Rússia de 1917. Porque foram as operárias russas que, em fevereiro daquele ano, no dia da mulher, começaram a revolução social mais impressionante da história. As operárias e os operários, os camponeses pobres e os soldados de base entenderam que, para que a luta contra a fome, a violência, a exploração impiedosa e a opressão não parasse na metade do caminho, era necessário tomar o destino de toda a sociedade em suas próprias mãos e começar a construir uma sociedade nova, uma sociedade socialista. E queremos repetir essa história em todo o mundo.

Basta de feminicídios e de violência machista!

Não aos cortes e por plenos direitos para as mulheres!

Salário igual para trabalho igual!

Defesa dos direitos maternos e descriminalização do aborto!

Contra o machismo e toda forma de opressão!

Fora Trump e o imperialismo!

Pelo fim do capitalismo, viva o socialismo!

Secretaria Internacional de Mulheres – Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional

Tradução: Érika Andreassy