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CUBA EM DEBATE

Poucas vezes a situação de um determinado país, neste caso Cuba, colocou às organizações marxistas revolucionárias tantas exigências no terreno da análise, da teoria e da política. São exigências tão decisivas que uma resposta correta, ou equivocada, a cada uma delas, poderá determinar o futuro dessas organizações.

A restauração do capitalismo no Leste europeu e a destruição do aparelho stalinista obrigam-nos a estudar a realidade cubana, o seu processo revolucionário e a sua direção, em um novo marco. Um marco que não pôde ser presenciado pelos maestros do marxismo, porque não existia. No entanto, o fato de que estejamos ante problemas inéditos não nos faz chegar à conclusão, à qual muitos chegaram, de que a realidade atual não é “mais do mesmo” nem que devemos “começar de zero”, ou que há que “reconstruir o programa da revolução”.

Para nós, o papel do imperialismo, da burguesia, da burocracia, da classe operária ou da luta de classes, é “mais do mesmo”. Por isso, não se trata de reconstruir o programa revolucionário, trata-se, pelo contrário, de atualizá-lo à luz dos grandes e novos acontecimentos. Por isso, na hora de analisar a realidade cubana, não partimos do zero. Partimos das elaborações de Marx, Engels, Lenin e Trotsky sobre a economia mundial, sobre a luta de classes, sobre o papel do Estado, sobre o caráter e papel da burocracia, e também partimos das elaborações dos marxistas contemporâneos à própria Revolução Cubana.

Apresentamos, neste especial sobre Cuba, alguns artigos de autores pertencentes à nossa corrente, escritos nos últimos 10 anos, bem como declarações da LIT-CI sobre acontecimentos da realidade, como a morte de Orlando Zapata Tamayo ou o plano de 500.000 demissões. Eles já foram publicados anteriormente na revista Marxismo Vivo ou Correio Internacional, e, em outros casos, neste próprio site. O elemento unificador de todos esses materiais é a utilização da caracterização de que o capitalismo já foi restaurado em Cuba, a fundamentação do motivo dessa definição e, em muitos casos, a polêmica com outras organizações ou autores.

Esperamos assim contribuir com o estudo do processo cubano sob uma perspectiva revolucionária. 
 
 

O debate com as organizações castristas

No mês de agosto do ano passado, Raúl Castro pronunciou um discurso aos deputados cubanos no qual assinalou: “…eu não fui eleito presidente para restaurar o capitalismo em Cuba, nem para entregar a revolução. Fui eleito para defender, manter, continuar e aperfeiçoar o socialismo, não para o destruir…”. Este não é um discurso original em Cuba. É o mesmo discurso que vêm fazendo, há muitos anos, reiteradamente, tanto Fidel Castro como todos os chefes do governo e do Partido Comunista.

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Revolução e contrarrevolução em Cuba

No interior da LIT, temos estudado há alguns anos a situação cubana e debatido o caráter desse Estado, bem como o programa decorrente desse caráter. A LIT ainda não tomou uma posição definitiva (o que será feito no seu próximo Congresso Mundial, em 2011), no entanto, várias das suas organizações e dirigentes (entre eles, o autor deste trabalho), por meio de intervenções orais e/ou escritas, se pronunciaram, de forma categórica, afirmando que em Cuba, como nos demais ex-Estados operários, o capitalismo já foi restaurado.

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Em nome do “socialismo” demitem 500.000 empregados estatais
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Ante a morte de Orlando Zapata Tamayo e as liberdades em Cuba

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Cuba: revolução política ou revolução social?

O recente anúncio da demissão de 500 mil trabalhadores a ser realizada pelo governo cubano é um importante tema de discussão entre as organizações de esquerda. Uma delas, o PTS da Argentina, vem publicando uma série de materiais onde questiona as definições, o programa e a política da LIT-QI para Cuba.

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Cuba ... não é uma ilha

 

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