Boletim Eletrônico



Pronunciamento da Confederação da Classe Trabalhadora PDF Imprimir E-mail
PARAGUAI
Escrito por Blanca Roa e Julio López*   
Seg, 16 de Julho de 2012 01:28
 
 O governo de Frederico Franco é fruto de um golpe parlamentar e implementará politicas neoliberais que atacarão a classe trabalhadora e o povo, por isso, a CCT terá uma postura de firme oposição.
 
Diante dos últimos acontecimentos registrados em nosso país, que concluíram com a destituição do presidente Fernando Lugo, e o juramento de Frederico Franco como novo presidente da república, a Confederação da Classe Trabalhadora (CCT) anuncia a todos os trabalhadores do campo e da cidade e para a opinião pública nacional e internacional o que se segue:
 
Consideramos que a destituição de Fernando Lugo representa um golpe parlamentar pelo seguinte:
 
1) Se retirou do cargo de presidente alguém que chegou a esse cargo pela vontade popular. Os parlamentares alteraram a vontade de quem em uma democracia tem a soberania nacional: o povo. Para nós, é o povo trabalhador quem deve julgar e revogar o mandato se assim o considerar.
 
2) Os parlamentares (popularmente conhecidos como parlachorros), não têm nenhuma autoridade moral para retirar o presidente de seu cargo porque são tão responsáveis quanto Fernando Lugo, pelas violações aos direitos dos trabalhadores, dos camponeses e do povo paraguaio de conjunto. Além disso, não houve razões validas - políticas ou jurídicas -, para decidir julgá-lo e condená-lo com a destituição de seu cargo, em um julgamento que durou menos de 24 horas. Essa urgência para condenar Lugo feriu, no mínimo, os direitos e as liberdades básicas estabelecidas em uma democracia.
 
3) Somos nós, as trabalhadoras e os trabalhadores do campo e da cidade, aqueles que têm boas razões para processar o governo deposto e isso inclui:
 
·         A falta de cumprimento com o desenvolvimento da Reforma Agrária, causa fundamental do aprofundamento da miséria em nosso país;
 
·         A violação constitucional dos diretos dos trabalhadores, perpetrada com a aprovação da Lei de Micro, Pequenas e Médias Empresas (Mipymes), apresentada pelo governo de Lugo. Com esta lei se restringe direitos históricos da classe trabalhadora;
 
·         A violação constitucional do direito adquirido da jornada de trabalho de 6 horas para funcionários públicos;
 
·         A violação dos direitos democráticos e constitucionais das liberdades civis e democráticas, como a liberdade de expressão, manifestação e organização, perpetrada através da aprovação da lei "antiterrorista", apresentado pelo governo de Lugo;
 
4. O Partido Liberal, ao qual pertence Federico Franco, se caracteriza pela defesa do modelo neoliberal e suas conhecidas e nefastas consequências


para a classe trabalhadora. Em breve, teremos um violento ataque contra os trabalhadores e o povo, com maior flexibilização e precarização dos direitos trabalhistas e violações maciças dos direitos dos trabalhadores e sindicais;
 
5. O governo golpista ainda anunciou que atuará com mão de ferro contra os camponeses e trabalhadores, quer dizer, vai reprimir violentamente aqueles que exigirem os seus direitos ao trabalho, à terra e a uma vida digna.
 
6. Por essas razões, por sua composição, pelo posicionamento claro dos seus principais expoentes, estamos na CCT, sustentando que este novo governo não responderá aos interesses da classe trabalhadora. Ao contrário, defenderá com mais força do que os governos anteriores, os poderosos de sempre, ou seja, aos capitalistas produtores de soja, agricultores e outros setores empresariais privilegiados.
 
Estamos diante de um governo que nasceu de um golpe parlamentar, que responderá a um claro projeto neoliberal e que será fiel, portanto, às ordens do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. De fato, tanto Franco como o que ocupa a cadeira da Fazenda (Manuel ferreira) já anunciaram que não haverá aumento nos gastos ordinários do orçamento geral e haverá zero por cento de reajuste salarial.
 
7. Dada esta definição, sustentamos que as organizações de trabalhadores devem manter-se dentro do princípio da independência política da classe trabalhadora, defendendo uma postura de oposição ao governo e que de forma alguma podemos apoiar um governo capitalista que impulsiona um plano neoliberal. Por isso, a CCT terá uma postura de forte oposição ao governo de Franco e em defesa dos interesses das trabalhadoras e dos trabalhadores.
 
8. Diante dessa situação, a Confederação da Classe Trabalhadora, CCT, chama a todas as organizações sindicais e populares a estarem em alerta e em mobilização para defender os direitos da classe trabalhadora do campo e da cidade, assim como as liberdades democráticas.
 
Não permitamos a perseguição sindical, política e nem ideológica! Não permitamos uma só demissão! Exijamos o respeito irrestrito a todos os direitos democráticos e sindicais dos trabalhadores! Lutemos por melhores condições de trabalho e por uma vida digna! Exijamos a convocação da Convenção Nacional Constituinte para que se redefina o modelo de país que o povo trabalhador necessita!
 
Assunção, 28 de junho de 2012.
 
* Membros da direção da CCT.
 
Tradução: Flavio Bandeira 

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