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Depois da greve geral: nem um passo atras PDF Imprimir E-mail
GRÉCIA
Escrito por OKDE-EP   
Sex, 25 de Janeiro de 2008 00:00

A LUTA CONTINUA - GREVE GERAL

PARA DERROTAR OS PLANOS ANTI-SOCIAIS DE SEGURIDADE SOCIAL DO GOVERNO

 

A greve geral de 12 de dezembro e as multidoes que foram as ruas de todas as cidades do pais foram a expressao dinamica da ira acumulada e da indignacao que cresce constantemente entre os trabalhadores, a juventude e os setores empobrecidos. A causa dessa explosao nao foram apenas os planos antioperarios do governo no que diz respeito a seguridade social, mas tambem o desemprego, a dissolucao das relacoes trabalhistas, os baixos salarios, o alto preco das mercadorias, as leis que violam as liberdades individuais. Esta magnifica greve constitui um novo giro com aumento de caracteristicas quantitativas e qualitativas no transcurso do aumento da disputa que as politicas neoliberais sofreram na pratica; esta disputa teve inicio com a greve dos portuarios e prosseguiu no 4? Forum Social Europeu, na greve docente, no movimento de estudantes universitarios, na diminuicao da influencia dos partidos burgueses nas recentes eleicoes parlamentares.

 

Aproximadamente 2,5 milhoes de pessoas aderiram a greve e varias centenas de milhares participaram das passeatas na maior mobilizacao por reivindicacoes claramente trabalhistas que ja vimos desde os acontecimentos politicos de 1974. A dimensao dos protestos se torna ainda mais clara quando levamos em conta que embora nao tenha surgido nenhum projeto de lei, esta greve ultrapassou em muito todas as manifestacoes contra as medidas antioperarias do ministro Giannitisis em 2001. Dessa vez, todos os meios de transporte publico pararam, com a excecao do metro, que trabalhou durante algumas horas para facilitar o transporte dos manifestantes. Os navios de carga e as docas se viram abandonados, os hospitais atendiam apenas emergencias, e grande parte do pessoal dos servicos publicos, bancos, varias fabricas e inclusive algumas empresas e escritorios privados tambem pararam.

 

Multidoes de pessoas de todas as idades participaram das manifestacoes. Em Atenas, houve mais de 150.000; em Tesalonica, mais de 30.000 e manifestacoes massivas tambem ocorreram em Heraclion, Patro, Chania, Janina, Mytilini e todas as cidades e povoados grandes do pais. A participacao de jovens operarios - a geracao dos 700 euros - tambem foi significativa e deixou claro que eles nao aceitarao trabalhar com este sistema trabalhista da Idade Media. E o que e mais importante: todos os trabalhadores sentiram que esta greve era sua, inclusive aqueles que nao conseguiram participar pelas ameacas da patronal. No dia seguinte, depois da greve, todo mundo se perguntava quando iria acontecer a proxima greve para que eles tambem pudessem participar.

 

Como costuma acontecer sempre que ha ascenso, prevaleciam a euforia e a criatividade. No bloqueio massivo da Aerobicas Olimpicas, os empregados uniformizados impulsionaram toda a concentracao em Atenas. Compareceram as aeromocas demitidas, portando uma bandeira representando as grades das prisoes. A frente da bandeira do Servico Publico de eletricidade (P.E.S.) havia os trabalhadores dos aeroportos levando uma grande escada, que usaram para tapar, em um gesto simbolico, as "cameras espias" nas calcadas das ruas. Nao menos criativos foram os canticos entoados pelos manifestantes. Houve incidentes durante a marcha, mas eram insignificantes e nao prejudicaram o carater da manifestacao. Dessa vez, a frente massiva e unificada em defesa da Seguridade Social derrotou as manobras usuais do governo. O discurso usado pelo governo, alegando que contava com "um claro mandato popular para reformar o sistema de Seguridade Social" e a imagem de consentimento social que tentava estabelecer promovendo um notorio dialogo publico com os sindicatos, fracassou. O mesmo aconteceu com as receitas de automatizacao social, ou seja, os esforcos feitos para dividir os trabalhadores aposentados em privilegiados e desamparados.

 

Os trabalhadores comecam a perceber os problemas sociais mais agudos e os becos sem saida, embora a militancia e a auto-organizacao ainda nao se tenham estabilizado. Este fato e evidente mesmo nas pesquisas de opiniao publica, que mostram que a maioria da populacao opina que nao se pode confiar ao governo a reforma da Seguridade Social e a empresa Aerobicas Olimpicas. Esta magnifica greve reforcou a militancia dos trabalhadores e, em consequencia, a confrontacao sobre o tema da Seguridade Social esta se convertendo em um tema de confrontacao politica de conjunto. O ministro do interior (Sr. Marginas) foi obrigado a renunciar no dia seguinte a greve, ja que ele tambem foi envolvido em um escandalo: a construcao ilegal de um chalet de sua propriedade onde havia empregado operarios de maneira ilegal, sem o amparo da seguridade social.

 

Para ganhar tempo, o governo substituiu o ministro por Fani Palli Petralia, uma "Maria Antonieta" contemporanea, que nao oferece nenhum tipo de garantia de poder cumprir com sua dificil missao. Mais ainda: o "vice" de limitado prestigio (152 cadeiras no parlamento) e a proximidade das eleicoes fazem com que um ataque global a seguridade social seja bastante dificil. Um ataque desse tipo pode inclusive levar a queda do governo, como ja ocorreu no passado, quando o projeto de lei de Giannitsis e a lei de Reptas referente ao sistema de Seguridade Social levou o PA.SO.K a perder o poder. A burocracia sindical, por sua vez, nao pode vender esta luta tao facilmente devido a desaprovacao massiva das medidas antioperarias do governo e pela militancia expressa durante a greve. Particularmente a PA.S.KE (fracao sindical do PA.SO.K) se ve obrigada a manter uma linha de oposicao, naturalmente nao porque simpatize com a causa dos trabalhadores, mas porque a profunda crise do PA.SO.K nao lhe deixa outra saida.

 

Com certeza o governo de Karamanlis nao retrocedera facilmente, como ficou claro pela prisao dos trabalhadores da P.E.S. por terem cobrido as "cameras espias". O governo tentou impor os eixos principais da reforma antioperaria da seguridade social nao apenas para roubar os ativos dos Fundos de Seguridade Social e desmontar o sistema - acoes impostas pela intensa crise economica, pelo capital, pela UE e FMI - mas tambem para abrir o caminho para um feroz ataque em todas as frentes abertas: implementacao da nova lei contextual nas universidades e promocao da privatizacao na educacao, expansao do trabalho precario e dissolucao de relacoes trabalhistas, minando as convencoes coletivas, impondo um queda radical dos gastos sociais, privatizacoes, diminuicao de direitos democraticos (cameras, arquivos eletronicos, cromosferas, novo equipamento para a policia, etc.) e a "nova" constituicao europeia. E por isso que e possivel que se introduza um novo projeto de lei sobre seguridade em Fevereiro. E por isso que e preciso manter a mobilizacao.

 

Depois da magnifica greve de 12 de dezembro, sabemos que podemos ganhar. E preciso apenas continuar a luta com a mesma intensidade. A atitude do partido comunista e de sua fracao sindical (PAME) e tracar cordoes de isolamento, chamando manifestacoes separadas e tomando "iniciativas" apenas para exibir seu proprio aparato, sem outro efeito senao o de dividir os trabalhadores e minar a luta. Com nossa participacao devemos convocar assembleias gerais, tomar decisoes concernentes a novas greves, ocupacoes e manifestacoes. Devemos empurrar as direcoes das federacoes sindicais para que convoquem imediatamente uma nova greve geral com a perspectiva de uma greve continuada assim que apareca o novo projeto. Devemos criar comites de greve para que os trabalhadores possam dar a primeira e a ultima palavra sobre o curso das mobilizacoes. Devemos construir uma frente capaz de resistir efetivamente e devemos exigir:

 

- Nenhuma das reformas da seguridade social deve ser aprovada. Abolicao de todas as leis antioperarias de seguridade social;

- Devolucao de todo o dinheiro roubado dos fundos dos trabalhadores. Que se pague a divida do estado e das patronais;

- Proibicao da especulacao com os fundos de reserva dos trabalhadores;

- Seguridade Social Publica para todos. Aposentadoria aos 60 anos para os homens e 55 anos para as mulheres, equivalente a seu ultimo salario;

- Salario minimo de 1400 euros. Trabalho estavel para todos, 35 horas semanais - 5 dias de trabalho - 7 horas de trabalho por dia.


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