Boletim Eletrônico



Um discurso antioperário PDF Imprimir E-mail
ARGENTINA
Seg, 09 de Julho de 2012 17:19
A presidente fala em cadeia nacional. Cristina falou na televisão, respondendo a duas lutas chaves: à greve e ato da CGT e à batalha dos “Dragões”[1].
Como antes, quando chamou de “abusiva” a greve da UOM, “vagabundos” aos docentes que reivindicavam salário, agora insistiu em que o ato da CGT era “desestabilizador”. Até aqui, nada de novo.
No entanto, vários capítulos do discurso demonstraram a concepção de fundo da presidente, a essência de seu “modelo nacional popular”.

Cristina “puxou a corda” no jogo de forças contra os trabalhadores, mostrando que joga na equipe dos bancos internacionais, dos países imperialistas e da patronal. Sobre o G20 e a dívida, insistiu: seguirá a aplicação do imposto aos lucros e aos salários. Inclusive o rebatizou como “imposto aos altos rendimentos”, mudando o caráter do tributo.

Disse ainda que aqueles que reclamam, consideram uma injustiça ter que colocar dinheiro para pagar a dívida externa.

Claro que é injusto, senhora presidente! Os trabalhadores não têm nada a pagar dessa dívida fraudulenta, que você disse que já era história, enquanto segue pagando-a pelas costas do povo argentino! Mais ainda, reconheceu com todas as letras que o dinheiro do Banco Central será liberado para pagar o FMI e os bancos internacionais.

Disse que o G20 foi “receptivo às propostas argentinas”, quando tudo indica que ela foi “receptiva” às ordens do imperialismo.

Nada falou sobre enfrentar a pobreza das famílias. Mas disse também que é injusta a reivindicação para não pagar o imposto sobre o salário. Porque só o pagam 19% dos trabalhadores, que ganham 41% da massa salarial, contra os 81% que só recebem 59% dela, e não pagam o imposto. E, sem ficar com vergonha, indicou que isso era sim ter em conta os 32% que estão no trabalho precário, sem direitos trabalhistas.

Típicos argumentos patronais

Os trabalhadores recebem apenas 34% da renda. Para Cristina, o problema é como tratar esses 34%. Dentro desse percentual, é “mesquinho” pretender que alguns paguem menos, porque isso prejudica os outros.

Mas dos 66% que levam as multinacionais, a oligarquia e os banqueiros, não falam.

Não, senhora presidente! Não se trata de enfrentar a miséria, enquanto os lucros patronais se mantêm intocáveis! Trata-se de cobrar mais impostos deles e nada aos trabalhadores.

Somos nós que produzimos toda a riqueza nacional.

Mas claro, seu governo não está preocupado com isso, mas sim em dizer aos trabalhadores com o que devem se conformar.

Definiu as categorias que se mobilizam como os “principais beneficiados” do modelo, como gente que se “queixa demais”.

Disse que estamos em crise – “no Titanic” -, e que há que sacrificar-se. E que possivelmente não modificará o piso não tributável do imposto sobre os lucros este ano.

Não, senhora presidente! Os principais beneficiados não são os trabalhadores, mas as multinacionais, os bancos, a Sociedade Rural, aos que você não pôde aumentar as retenções na fonte. Eles dividem a riqueza, nós, a pobreza.

Mais repressão, menos direito a reclamar.

Por último, rendeu homenagem aos policiais mortos em acidente. Assegurou que “não voltarão a intervir nos conflitos”. Quer dizer que deixarão de reprimir? Que terminou o Projeto X a perseguição às lutas? Por nada.

A questão é que esta forma de reprimir não está servindo, como ficou claro com os caminhoneiros em Matanza e com “os Dragões”.

Ordenou aos juízes que atuem, que persigam os lutadores até seus lugares, e os coloquem presos ali “e não onde estão todos juntos”.

Ordenou-lhes, nem mais nem menos, que resolvam os conflitos com a caça aos lutadores operários e populares. Justamente como faz em sua província, Santa Cruz, onde a polícia foi buscar em suas casas, companheiros como Victor Oñate e outros, como deliquentes. Como fizeram os governadores afins, ante as lutas contra a megamineradora.

Mais ainda, comparou os companheiros de Cerro Dragón com os assassinos de Kosteki y  Santillán, quando mencionou a grande diferença entre 2002 e agora.

Quando chegaram ao poder, disse, os pobres lutavam e a polícia os matava. Agora, ao contrário, os pobres policiais morrem e os operários têm culpa.

Não, senhora presidente! Os operários não são assassinos. O governo é que matou esses policiais quando os mandou reprimir operários.

Não, senhora presidente! A solução a estes conflitos é responder às reivindicações operárias. Claro, para isso deve colocar as mãos nos lucros das multinacionais, deixar de pagar a dívida externa, terminar com o saque aos nossos recursos, mudar a Argentina completamente, atingir os capitalistas.

Rechaçar o giro antioperário. Desde os sindicatos, as fábricas, as escolas, os bairros, temos que nos preparar para enfrentar este giro do governo. Começando por rechaçar estes argumentos, e não deixar de lutar nem por um minuto por nossas reivindicações imediatas como trabalhadores, e pela independência nacional.

Tradução: Nívia Leão


[1] Luta dos petroleiros e de suas esposas contra a multinacional Pan American Energy, de Cerro Dragón, na província de Chubut, controlada pela gigante britânica BP.

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