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Lugo e os latifundiários são os responsáveis pelo massacre de Curuguaty Imprimir E-mail
Escrito por PT- Paraguai   
Seg, 18 de Junho de 2012 14:08
Nós do Partido dos Trabalhadores, repudiamos a desocupação levada a cabo esta manhã em Curuguaty (Canindeyú), que terminou com pelos menos 18 mortos, dos quais 10 são camponeses sem terras, que desesperados decidiram resistir, armas nas mãos, a repressão policial. 
 
Expressamos nossa solidariedade com as famílias dos mortos e dos feridos, que totalizam mais de cem, responsabilizamos o governo do presidente Fernando Lugo por este massacre, uma vez que não avançou um só milímetro na reforma agrária, e exigimos o julgamento e castigo aos responsáveis.
 
A violenta desocupação se deu a partir das 8 h desta sexta-feira em uma estância de cerca de 2.000 hectares que constava como propriedade do empresário e ex-senador colorado Blas N. Riquelme. Segundo denúncias feitas há alguns anos, Riquelme teria se apoderado ilegalmente dessas terras durante a ditadura da trilogia Stroessner-Partido Colorado-Forças Armadas. Os camponeses, que ocuparam uma pequena parte desse latifúndio, sustentam que são terrenos públicos.
 
Os meios de comunicação empresariais e os sindicatos que representam os latifundiários, pecuaristas e plantadores de soja, responsabilizam o Poder Executivo por ser “frouxo” e até “cúmplice” dos camponeses sem terra. Esta é uma falácia perigosa, já que tudo que o governo de Fernando Lugo fez, foram tímidas iniciativas em relação à entrega de terras para a Reforma Agrária e realizou mais desocupações que os governos colorados anteriores.
 
Este governo não tem nada de cúmplice da luta pela terra, pelo contrário, hoje, uma vez mais, apertou o gatilho contra famílias camponesas.
 
A recuperação das terras ilícitas[1]: uma isca para ganhar apoio
 
A recuperação das terras ilícitas foi a isca oferecida por Lugo às organizações camponesas para que estas lhes dessem apoio. Agora, posterior ao massacre, a única resposta dada por Lugo foi ordenar às Forças Armadas a continuar e endurecer a repressão enquanto seu ministro do Interior, Carlos Filizzola afirmou ter atuado “… como a lei manda…” e enviou “um efetivo de 321 policiais” para efetuar a desocupação.
 
Manifestamos nosso profundo pesar e solidariedade aos familiares dos companheiros camponeses mortos e às famílias dos feridos. Ao lutar por um pedaço de terra para cultivar e alimentar suas famílias, terminaram sendo vítimas da política do aparelho estatal servil à minoria proprietária. Acreditamos que a ocupação é um método legítimo e até hoje o mais eficaz para a recuperação das terras ilícitas.
 
Estamos diante de uma grande repressão aos movimentos camponeses gerada pelo absoluto servilismo e submissão do governo de Lugo e toda a estrutura estatal à grande concentração da terra em mãos de uma minoria rica e prepotente as quais são submetidas milhares de famílias camponesas empobrecidas.
 

Chamamos a todas as organizações sociais e partidos que se reivindicam de esquerda a apoiar aos feridos, às famílias e associações camponesas desabrigadas com a morte de dezenas de seus dirigentes e ativistas. Propomos uma urgente unidade de ação entre todos para exigir justiça e castigo aos responsáveis materiais e políticos pelo massacre.
 
Uma batalha na luta pela terra
 
O massacre de hoje é uma batalha a mais na guerra travada no campo paraguaio há décadas. O número de camponeses assassinados pós-ditadura já ultrapassa a casa dos 100. Esta guerra não terminará até mudar radicalmente a distribuição das terras onde somente 1% de proprietários concentra mais de 80% das terras.
 
Mais do que nunca devemos levantar as bandeiras da Reforma Agrária Radical. Devemos destruir a atual estrutura de ocupação da terra. Sem reforma agrária, se registrarão muito mais mortes, como resultado da tragédia social e humana que afeta a milhares de famílias camponesas.
 
·         Exigimos o imediato desmantelamento do aparelho repressivo estatal e a revogação da lei antiterrorista!
·         Basta de militarização, Fora as Forças Armadas do campo!
·         NÃO ao estado de exceção, julgamento e castigo aos responsáveis!
 
Comitê Executivo - Partido dos Trabalhadores – Paraguai
15/06/2012
 
Tradução: Rosangela Botelho


[1] Terras usurpadas – terras públicas que foram entregues de forma irregular a fazendeiros, sojeiros, empresários do agro-negócio, militares da ditadura, etc., pelos sucessivos governos do partido Colorado, em especial pela ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

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