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A necessária unidade das esquerdas PDF Imprimir E-mail
PORTUGAL
Sáb, 12 de Maio de 2012 18:00
Diante do ataque inaudito da troika, do seu governo PSD/CDS-PP [Direita] e das suas marionetes igualmente liberais do Partido Socialista [PS], a questão da possível unidade das esquerdas torna-se mais candente do que nunca.
 
A inviabilização da unidade das esquerdas em Portugal poderá não ser tão grave como aquela que resultou do sectarismo entre o Partido Comunista e a social democracia alemã aquando do malogrado enfrentamento face ao perigo nazi em 1933, mas permitirá a continuação do rotativismo ao centro e da sua desastrosa política de roubo dos subsídios de Natal e de Férias, de aumento do desemprego, de redução drástica do Estado Social, de revisão agravada da legislação laboral e de aprofundamento da recessão econômica.

O passado recente
 
Há um ano atrás, o encontro entre Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã levantou algumas esperanças rapidamente frustradas. Infelizmente, essa reunião foi uma mera operação mediática para responder à pressão de uma iniciativa que chegou a reunir centenas de militantes do Bloco de Esquerda (BE), do Partido Comunista Português (PCP) e independentes desejosos de dar passos no sentido de uma frente eleitoral das duas principais forças da nossa esquerda.

Apesar de haver invariavelmente um anseio unitário no “povo de esquerda” e de haver recorrentemente unidade de ação de milhares de ativistas ou simpatizantes de ambos os partidos nas pequenas lutas do quotidiano e nos grandes momentos como as greves gerais, as cúpulas do PCP e do BE nada mais fizeram para dar continuidade a esse primeiro encontro.

Apesar de estarem sempre de acordo quanto a questões essenciais, como a negação da política suicida da troika, a rejeição dos programas e orçamentos neoliberais dos sucessivos governos da direita e do PS, a recusa dos Pacotes Laborais ou a defesa do Serviço Nacional de Saúde, da Segurança Social e do Ensino público, universal e gratuito, e de votarem normalmente no mesmo sentido a esmagadora maioria das propostas apresentadas no Parlamento, tais cúpulas  continuam a pensar prioritariamente no seu próprio reforço político-eleitoral e não numa alternativa de poder real.

Aliás, por vezes têm dado inclusive a impressão de favoreceram ou fazerem mais depressa alianças e acordos à sua direita do que propriamente de dar passos para uma frente eleitoral ou algum protocolo de colaboração, conforme se viu e vê no apoio do PCP ao PSD nas autarquias do Porto e de Portalegre, ou na colaboração do BE com o candidato presidencial do governo Sócrates e com o PS em Lisboa.

O presente e o futuro

A explicação marxista da história obrigar-nos-ia a procurar as raízes socioeconômicas desta triste desunião da esquerda e dessas suas estranhas guinadas à direita não só na rotina de uma oposição há décadas enfeudada no Parlamento, nos jogos do poder autárquico e no manejamento do sindicalismo institucionalizado, mas também na rápida incorporação institucional de uma força que surgiu com causas fraturantes e se enredou na miragem de algumas “performances”  eleitorais e parlamentares satisfatórias.

Contudo, o que deve fazer mover a esquerda antitroika, adversa à direita e ao longo caminho liberal do PS não é a historiografia dos desencontros à esquerda ou a radiografia social dos estratos dirigentes do PCP e do BE para fazer notar a sua maior ou menor integração nas teias institucionais. O que deve movimentar essa esquerda é, isso sim, a menorização dos sectarismos e das divergências, tal qual aconteceu na matriz genética do próprio BE ou nos acordos do PCP, da UDP e do PSR com os sampaístas em 1989 para o município de Lisboa.

O que a deve motivar é, isso sim, o rumo de uma plataforma de entendimento em torno de alguns pontos fundamentais (rejeição do garrote da troika, auditoria e eventual suspensão da dívida pública à usura financeira; reposição imediata dos subsídios de Natal e de Férias; revogação dos Pacotes Laborais e das leis de precarização do trabalho; renacionalização de setores económicos estratégicos; reabertura dos hospitais e escolas fechadas; plano de obras públicas para gerar emprego) para apresentar ao país uma alternativa de poder ao rotativismo ao centro e chamar os descontentes da esquerda do PS, os jovens dos novos movimentos sociais e as forças da esquerda extra-parlamentar a formar encontros locais, regionais e nacionais da esquerda antitroika.

Por certo, o caminho para ultrapassar os sectarismos cristalizados nas máquinas partidárias, os preconceitos dos novos movimentos sociais e as divergências empoladas por quem pensa na lógica do mero crescimento autónomo não será nada fácil. Mas, mais cedo do que tarde, o cenário grego de enfraquecimento acentuado do centro e de possível maioria das forças da esquerda à esquerda do oficialismo traidor do PS também poderá marcar a agenda política portuguesa. Algo que implicará necessariamente a convergência dessa esquerda para governar em rutura com a troika e os seus agentes.

A não ser que as cúpulas do PCP e do BE prefiram a lógica burocrática de aumento autónomo de forças, votos e deputados no contexto da vanglória inútil de representar per se o estatuto de grande bancada parlamentar da oposição (com “x” projetos de lei apresentados, “y” leis aprovadas e “z” deputados com alta produtividade) e do aprofundamento da descida ao inferno dos trabalhadores, dos jovens, dos pensionistas e dos pequenos agricultores e empresários sob a batuta da troika, da direita e do PS.


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